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“O stop motion nos aproxima mais do real”

Há 40 anos dedicado à animação, o uruguaio Walter To Urnier é o convidado de honra desta edição do Brasil Stop Motion e conversa com a Continente

TEXTO Ana Farache

01 de Novembro de 2011

Walter to Urnier

Walter to Urnier

Foto Divulgação

[conteúdo vinculado à reportagem de "Claquete " | ed. 131 | novembro 2011]

CONTINENTE
 O que o levou a utilizar a técnica de animação em stop motion?
WALTER TO URNIER Meu primeiro filme nessa técnica foi En la selva hay mucho por hacer, de 1973. Foi produzido a partir de recorte de papel e os personagens eram movimentados com agulhas sobre a mesa de animação. Queria usar materiais disponíveis no nosso país, sem ter que depender de insumos de fora, já que acetatos e tintas tinham que ser importados, o que era complicado e caro. Assim, comecei com o recorte de papel, em seguida com a argila e, agora, com estruturas e revestimentos mais complexos. Outra razão de usar essa técnica é que me interessa trabalhar o volume como forma expressiva, tanto pela espacialidade como pela proximidade com o real que proporciona.

CONTINENTE Como vê a produção da animação em stop motion na América Latina?
WALTER TO URNIER Essa produção é ainda muito pequena e de difícil acesso, já que, em muitos casos, são filmes em curta-metragem, com pouca chance de difusão. Vivienne Barry, René Castillo, Juan Pablo Zaramella, Rodolfo Pastor são referências do stop motion no nosso continente. No caso do Brasil, estou curioso com o longa Minhocas (produção do Animaking), que está sendo realizado e que espero ver pronto.

CONTINENTE Neste tempo da animação em 3D, o que acha que mais motiva a realização de filmes em stop motion?
WALTER TO URNIER Acho que a animação em stop motion nos aproxima mais da realidade. A pureza e a perfeição do virtual provocam uma distância do espectador, enquanto que o stop motion estabelece uma relação mais direta com os objetos, mostra-nos um mundo que, embora inexistente, nos avizinha do verdadeiro, pelo espaço e também por certa imperfeição dos seus cenários e personagens. Com essa técnica tradicional, o animador manipula objetos reais e não virtuais ou planos. Ele penetra nesse pequeno mundo, existente apenas em escala menor, mas que a câmera irá dissimular. Esse é um desafio que motiva muitos realizadores. 

ANA FARACHE, Mestre e doutoranda em Comunicação pela UFPE, jornalista e fotógrafa.

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