Mostra revela trajetória de precursora da arte-educação no Brasil
Ocupação Ana Mae Barbosa inaugura nesta quarta-feira (2), no Itaú Cultural, em São Paulo, com mais de 300 itens de sua trajetória de vida, a maioria passada em Recife
01 de Abril de 2025
Precursora da arte-educação no Brasil, Ana Mae Barbosa é discípula de Paulo Freire
Foto André Seiti/ Fundação Itaú
No dia 2 de abril, o Itaú Cultural abre a Ocupação Ana Mae Barbosa. Dedicada à arte-educadora que lhe dá nome, a exposição Ocupação Ana Mae Barbosa é inaugurada nesta quarta-feira (2), no Itaú Cultural, em São Paulo. Com mais de 300 itens, a mostra segue o percurso que levou Ana Mae a se tornar precursora da arte-educação no Brasil, em 70 anos de carreira até hoje. Ana Mae Barbosa nasceu no Rio de Janeiro, mas cresceu e desenvolveu muito da sua trajetória em Recife, Pernambuco.
Materiais audiovisuais, livros disponibilizados para manuseio – só os publicados por ela, são mais de 30 –, obras, documentos nunca vistos, desenhos, catálogos, jornais, cadernos e curiosidades, como caricaturas que artistas de todo mundo fizeram em sua homenagem.
Entre os documentos históricos, a transcrição de palestra feita pelo educador Paulo Freire (1921-1997), a convite de Ana Mae, durante a Semana de Arte e Ensino na Universidade de São Paulo (USP), em 1980. Ele ficou perdido por décadas, tendo sido encontrado durante as pesquisas para esta exposição.
Vale ressaltar que Ana foi aluna de Paulo Freire no Recife, em 1954, quando lecionou no curso preparatório para o concurso para professores primários da Secretaria de Educação de Pernambuco, no Instituto Capibaribe. Ali também conheceu a professora Noemia Varela (1917-2017) e ambos se tornaram influências decisivas em sua trajetória profissional. Foi essa arte-educadora quem criou a Escolinha de Arte do Recife e, depois, foi diretora técnica da Escolinha de Arte do Brasil, com os Cursos Intensivos de Arte Educação que organizava no Rio de Janeiro. A partir daquele período, Ana mergulhou no ofício de arte-educadora, mantendo sempre um diálogo com a pedagogia freiriana.
A mostra segue em cartaz até 13 de julho. E a curadoria leva a assinatura de Clarissa Diniz, pesquisadora, educadora e crítica de arte. A co-curadoria é da equipe Itaú Cultural e o apoio para a pesquisa curatorial é do também arte-educador Rodrigo Ferreira. O projeto expográfico é de Thereza Faria.