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Pesquisa: Teatro para a infância

Em mais uma obra de cunho catalográfico, o jornalista, produtor e ator Leidson Ferraz faz um apanhado dessa produção em Pernambuco

TEXTO Mariana Oliveira

01 de Março de 2019

A montagem de 'A ilha do tesouro' foi destaque em 2002

A montagem de 'A ilha do tesouro' foi destaque em 2002

Foto Marcelo Lyra/Divulgação

Já faz alguns anos que o jornalista, produtor e ator Leidson Ferraz abraçou uma causa: a de lançar um olhar generoso e atento sobre a história das artes cênicas em Pernambuco. Entre 2004 e 2009, ele publicou os quatro volumes do projeto Memórias da cena pernambucana, nos quais registra as atividades de 39 grupos que atuaram no estado. Agora, ele se prepara para levar a público mais um trabalho de documentação, o Panorama do teatro para crianças em Pernambuco – 2000/2010, que faz uma catalogação da produção desse gênero no período. O livro (que conta com o incentivo do Funcultura, em parceira com o Sesc Pernambuco) traz informações sobre mais de 600 montagens realizadas do Litoral ao Sertão.

A paixão do autor pelo teatro criado para a infância é antiga. Ele estreou como ator numa peça direcionada a esse público e, já nas pesquisas do Memórias da Cena, teve contato com diversas produções no gênero. “Além dessa relação antiga, sinto que esse tipo de teatro sofre muito preconceito e existem poucas pesquisas sobre ele. A própria imprensa vê o assunto como algo menor. Estamos melhorando, temos conquistado vitórias, mas ainda há muito o que fazer. Por isso, a importância desse trabalho, que dá visibilidade a essa produção, mostra que ela existe e, a despeito das dificuldades, é realizada em todas as partes”, comenta.

A ideia da publicação nasceu nas reuniões do Núcleo Sesc/PE de Teatro Para a Infância e Juventude, em 2010. José Manoel Sobrinho (que assina uma das apresentações do livro) propôs a Leidson o mapeamento estadual das montagens realizadas entre 2000 e 2010. Ele aceitou e caiu em campo. Muitas das informações foram colhidas em jornais, mas outras, especialmente as do interior, exigiram o contato direto com produtores, diretores, dramaturgos, atores e técnicos.

Durante as pesquisas, o autor se surpreendeu positivamente com a produção interiorana, com montagens interessantes de grupos amadores e também estudantis. “Há produção em cidades onde nem existe uma casa teatral. Claro que encontramos trabalhos de baixa qualidade, mas muita coisa boa foi feita também. Nosso objetivo no Panorama não é julgar as obras em questão, mas registrá-las”, diz.

O livro é organizado em ordem cronológica. A cada capítulo, num formato de história em quadrinhos, o autor expõe o contexto da cena teatral da época e suas influências, antes de trazer a ficha técnica completa das montagens, premiações e curiosidades. Em alguns capítulos, ao final, ele registra outras peças sobre as quais não conseguiu material, mas que, segundo apurou, aconteceram.

Essa publicação se alinha a outro trabalho realizado pelo pesquisador, Teatro para crianças no Recife: 60 anos de história no século 20. Nele, Leidson parte do ano de 1939 (data que marca a primeira apresentação do gênero num teatro recifense) e segue documentando a produção da cidade até 1999. O material foi lançado em DVD, mas deve ser publicado em dois volumes; o primeiro, ainda este ano, com o apoio do Funcultura.

Quando perguntado sobre o porquê dessa reincidência do registro, da documentação e catalogação, o autor diz que o teatro vive uma eterna crise e trazer essas histórias mostra àqueles que hoje fazem a cena que é sempre possível ter ideias para seguir adiante. “Quando a gente olha o passado, vê que muita coisa se parece. E temos muito a aprender com ele.” 

MARIANA OLIVEIRA, editora-assistente da revista Continente.

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