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Ensaio visual

Natureza, cores e texturas em Pamplona

Cidade espanhola se revela em texturas e cores para além da famosa festa de San Fermín

FOTOS JOÃO GUILHERME DE MELO PEIXOTO
TEXTO GISELY TAVARES

02 de Setembro de 2019

Campus da Universidade de Pamplona

Campus da Universidade de Pamplona

Foto João Guilherme de Melo Peixoto

[conteúdo na íntegra | ed. 225 | setembro de 2019]

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Três minutos. Esse é o tempo médio que dura um encierro, uma espécie de corrida de touros que, desde o século XII, atrai turistas do mundo inteiro para Pamplona durante nove dias de festa, no mês de julho. A cidade, com cerca de 200 mil habitantes, situada no norte da Espanha, capital da província e comunidade foral de Navarra, ganhou fama em virtude da festa de San Fermín, cujo ponto alto são os encierros, quando corredores, para lá de corajosos, vestem-se de branco e vermelho e se arriscam correndo diante de touros bravos em uma área delimitada do centro histórico da cidade.

Durante os dias de festa, é comum ver turistas dormindo e acampando pelos charmosos parques que emolduram a cidade. Pamplona também já foi fonte de inspiração de visitantes ilustres como o escritor norte-americano Ernest Hemingway, que retratou em seu livro O sol também se levanta toda a intensidade dos festejos de San Fermín.


Parque La Taconera

Mas, além dessa celebrada festa que movimenta, literalmente, milhões de pessoas no mês de julho, existe uma “outra Pamplona” que pode ser sentida e vivenciada nos demais meses do ano. A beleza da natureza e o clima frio contribuem com o ar de calmaria singular da cidade e são um convite aos passeios em família, a piqueniques e a boas leituras ao ar livre.



Parque Yamaguchi

Para quem busca explorar Pamplona sob outra perspectiva, um bom programa é conhecer parte do campus da Universidad de Navarra, uma das principais instituições privadas de ensino superior da Europa. Quem percorre a principal via de acesso para chegar aos prédios da universidade (Calle Universidad) percebe uma imensidão de cores, formas e texturas das árvores centenárias que recepcionam os visitantes. Já durante a noite, um passeio despretensioso transforma o campus em um cenário idílico, uma espécie de universo paralelo revelado pela mistura encantadora de luzes e sombras.

Rota do caminho de Santiago, a cidade acolhe visitantes o ano inteiro e a cada estação revela novas formas, a folhagem das árvores ganha nuances de cores, sobretudo no outono. A estação transforma o lugar em um cenário intimista, que envolve os moradores e os visitantes.

Caminhar pelo Parque Yamaguchi, nessa época do ano, é testemunhar o poder de se refazer da natureza, de se reinventar. As árvores ganham uma roupagem diferente, as folhas migram cada dia, como se seguissem a ordem de uma paleta de cores em tons pastel.

É comum ver turistas tentando apreender os encantos da natureza com olhares atentos e registros fotográficos. O parque é um jardim oriental de 85 mil metros quadrados, com fontes e diversas espécies de plantas de origem nipônica construído em homenagem às quatro estações do ano. Já o nome faz referência a cidade japonesa de Yamaguchi, com a qual Pamplona manteve relações políticas e religiosas.

O Parque La Taconera é outro encanto que está longe de passar despercebido por qualquer pessoa que chegue a Pamplona. As marcas do outono, neste pedacinho da cidade, transformam o lugar em um tapete suntuoso formado pela folhagem que se despede da estação. É o parque mais antigo, tem 90 mil metros quadrados e está situado entre as muralhas da cidade e próximo do centro histórico.

Quem passeia pelos jardins românticos se depara com espécies esculturais de árvores, flores de diversos tipos e cores e até com um minizoológico com cervos, patos, cisnes e pavões que vivem soltos e atraem muitas crianças de olhares curiosos ao local. La Taconera guarda as vistas mais impressionantes e emblemáticas da região. Através dos seus mirantess é possível obter uma visão panorâmica de Pamplona, da arquitetura e da natureza e ainda apreciar o pôr do sol.

Nos últimos dias de outono, a região marca bem a transição para a chegada do inverno; durante as noites, a temperatura cai bastante e a cidade se veste de névoa, o fenômeno climático envolve a cidade como uma cortina branca que esconde os prédios e as árvores, nada se vê com nitidez, os contornos da cidade só se mostram quando se chega muito perto deles. Nessas noites brancas, a cidade parece soar um alerta para distinguir os seus, mostrando-se apenas para os que ficam e encaram os tempos mais duros de frio cortante e escondendo-se para quem está só de passagem.

Assim é Pamplona, ora calorosa, ora seletiva e dura, mas seu povo hospitaleiro, de espírito basco, empenha-se em acolher e integrar os viajantes que, para além das festas e rotas turísticas, decidem se fixar em uma temporada mais longa na cidade.

JOÃO GUILHERME DE MELO PEIXOTO, professor e pesquisador da Universidade Católica de Pernambuco. Atuou em 2018 como pesquisador visitante no Center for Internet Studies and Digital Life da Universidad de Navarra. Também é servidor do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Nas hora vagas, diz-se surfista e segue em busca da onda perfeita.

GISELY TAVARES, jornalista com pós-graduação em Comunicação Empresarial. Atualmente, é estudante de Letras (Português/Espanhol) na Universidade Católica de Pernambuco.

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