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Twin Cities: Lugares com espírito de lar

Localizadas no Minnesota, Saint Paul e Minneapolis, destacam-se pelos espaços verdes, senso de coletividade e ampla programação cultural

TEXTO AD Luna

01 de Dezembro de 2015

Minneapolis, assim como sua vizinha, Saint Paul, é recortada por áreas verdes

Minneapolis, assim como sua vizinha, Saint Paul, é recortada por áreas verdes

Foto Divulgação

Miami, Nova York, Chicago, Las Vegas, Los Angeles, Washington, San Francisco. Em geral, são esses os lugares que aparecem como primeiras opções na cabeça de brasileiros e estrangeiros que pretendem viajar para os Estados Unidos. Mas, que tal tentar algo diferente? Que tal, por exemplo, as Twin Cities? O termo se refere às cidades de Saint Paul e Minneapolis, separadas pelo famoso Rio Mississipi, e localizadas no Minnesota, estado situado na região centro-oeste dos EUA, na divisa com o Canadá, ao norte. Foi lá que surgiram os músicos Bob Dylan e Prince, os irmãos e diretores de cinema Joel e Ethan Coen, o cartunista Charles Schulz, o escritor F. Scott Fitzgerald. Schulz e Fitzgerald nasceram em Saint Paul, a bela e tranquila capital do estado. Com seus vastos e aprazíveis espaços verdes, alto nível educacional, senso de coletividade, ampla programação cultural e opções de lazer, inúmeras bibliotecas, trânsito civilizado, baixos índices de criminalidade e desemprego, as Twin Cities se destacam em qualidade de vida. No mês passado, foram consideradas as melhores cidades para se viver nos EUA.

“Morar nas Twins Cities é muito agradável. O principal ponto positivo é a boa vontade das pessoas daqui. São muito receptivas. O jeito ‘Minnesota nice’ de ser não se baseia apenas na educação, ele realmente vem de dentro”, expõe a arte-educadora recifense Goretti Aamott. Por motivos pessoais e profissionais, ela se mudou há 15 anos para Bloomington, na região metropolitana de Minneapolis. Tratar pessoas próximas ou desconhecidas com real interesse, atenção e sorriso no rosto é uma das características do “Minnesota nice” citado por ela. Para Goretti, um aspecto negativo é o excesso de formalidade nas relações sociais.

Depois de passar um tempo morando na Dinamarca, o casal de cariocas radicado em São Paulo, Valéria Figueiredo e Paulo Telles, se instalou em Minneapolis, no início de 2007. A decisão partiu da boa avaliação que fizeram em relação à qualidade de vida e ao retorno financeiro que obteriam. “A cidade é muito limpa, o ar não é poluído. Há muitos parques, lagos, museus, teatros, cinemas e eventos, bons restaurantes e cafés”, destaca o engenheiro mecânico. “Quando vamos a uma cidade grande, me sinto meio caipira, mas gosto de morar aqui. Os americanos de outras cidades pensam que viver no Minnesota é o fim do mundo. Acham que aqui é uma grande fazenda e que somos todos meio fazendeiros, usando chapéus e vivendo ao redor de bichos. Também falam muito sobre o frio. Como aguentamos?”, observa Valéria.


A Catedral de Saint Paul é uma das muitas atrações culturais da cidade.
Foto: Divulgação

De fato, o frio é um dos grandes poréns de se viver nas Twin Cities: as baixas temperaturas podem chegar a incríveis 40 graus negativos. “O verão é curto e o inverno é longo. Tirar neve da frente de casa todo dia, limpar o carro na hora de sair do trabalho para voltar para casa são hábitos a que não estamos acostumados”, conta Paulo Telles. Teoricamente, o inverno começa em dezembro e segue até fevereiro. “Mas, na prática, a neve começa a cair em novembro e vai até abril”, situa.

CIDADES VERDES
Em tempos de verticalização extrema e diminuição de áreas verdes, chama a atenção o modo como as Twin Cities foram projetadas – com suas vastas vegetações e poucos prédios residenciais gigantescos. Este ano, a dupla Saint Paul-Minneapolis conquistou o título de melhor sistema de parques dos Estados Unidos pela organização não governamental Trust for Public Land.

Para moradores, governantes e empresários locais, a ideia central é que as duas cidades devem se desenvolver em torno dos parques e jardins, e não o contrário. Indagada sobre que lições habitantes e autoridades do Recife – agora em momento de intensa verticalização – poderiam aprender com a experiência das cidades americanas em questão, Goretti Aamott responde: “O Recife precisa aprender que prédios históricos e os ultramodernos podem conviver. Planejar a cidade para a população e não para os carros seria a segunda lição”. E o contrário? “O pessoal daqui poderia aprender com o recifense a caminhar mais, passear pelos grandes centros comerciais. Isso é bom”, pondera Goretti.


Os parques e lagos recebem cuidados das prefeituras, de empresas e também de voluntários. Foto: Divulgação

Além das prefeituras, os parques e lagos são cuidados por empresas e milhares de voluntários. De acordo com dados da prefeitura, só em Saint Paul, cerca de cinco mil pessoas se inscrevem anualmente em programas de voluntariado para cuidar de áreas verdes da cidade. Nos parques e lagos, além de estrutura para piqueniques, churrascos, caminhadas, corridas, passeios de bicicleta, há realização de shows teatrais e musicais – boa parte deles gratuita. Somados a tudo isso, os baixos registros de obesidade e tabagismo levaram as Twin Cities a conquistar a segunda colocação, em maio deste ano, entre as áreas urbanas mais saudáveis dos Estados Unidos. O título veio a partir de pesquisa desenvolvida pela American College of Sports Medicine (ACSM) e pela Anthem Foundation. A capital nacional, Washington, ficou em primeiro lugar. San Diego, na Califórnia, ocupou a terceira posição.

O uso de bicicletas é incentivado nas Twin Cities. Tanto nos trens do novo e moderno metrô que corta as duas cidades, quanto nos ônibus, há espaços reservados para se guardar os veículos de duas rodas gratuitamente e a qualquer hora. O trânsito é tranquilo, longe do caos vivido em metrópoles do Brasil e de outras cidades dos Estados Unidos. Ciclistas e pedestres são bastante respeitados, ao ponto de até existir gente que cola adesivos em seus carros com dizeres do tipo “Eu paro para o pedestre”, demonstrando orgulho por esse simples gesto de civilidade.

Até junho deste ano, a prefeitura de Minneapolis havia gasto cerca de 750 mil dólares na implementação de ciclovias. Isso contribuiu para que o município fosse o único dos Estados Unidos a ser incluído na lista das 20 cidades mais amigáveis do uso de bicicletas do mundo pela Copenhagenize Design Co. Além da capital dinamarquesa, a empresa de consultoria urbana tem escritórios em outros países. Ela elabora e divulga esse ranking desde 2011. Apesar de Minneapolis ter ficado na 18º posição, a conquista foi comemorada por moradores e pela imprensa do Minnesota. Buenos Aires foi a única cidade da América do Sul a entrar na listagem, ocupando a 14º colocação.

GAY FRIENDLY: AVANÇOS DESDE OS ANOS 1970


Foto: Divulgação

Minneapolis e Saint Paul estão entre as mais gay friendly do território norte-americano. Em junho deste ano, a Suprema Corte dos EUA reconheceu a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Dois anos antes, o governador do Minnesota, o democrata Mark Dayton, assinava a lei que reconhecia o direito de gays e lésbicas se casarem. No dia 3 de setembro de 1971, a cidade de Minneapolis já havia atraído a atenção do país, quando o casal homossexual Jack Baker e Michael McConnell teve sua união celebrada pelo pastor da Igreja Metodista Roger Lynn. Saltamos para 2015. Realizada no dia 27 de junho, a parada gay das cidades gêmeas reuniu milhares de pessoas. Na Pride Twin Cities podia-se observar no desfile da avenida crianças, velhos e até carros da polícia com agentes empunhando a bandeira do arco-íris.

IMIGRANTES: ATENDIMENTO A REFUGIADOS


Foto: Divulgação

Todos os anos, as Twin Cities recebem refugiados estrangeiros, em especial de nações como Butão, Irã, Iraque, Somália, Etiópia e até da Rússia, incluindo famílias muçulmanas – as quais podem ser vistas andando pelas ruas sem sofrer hostilidades. Fundado em 1919 e localizado em Saint Paul, o International Institute of Minnesota é uma das instituições que trabalham no acolhimento a pessoas que tiveram de deixar seus países por conta de perseguições religiosas e políticas, e guerras. Atualmente, o IIMN atende cerca de mil imigrantes, os quais recebem apoio no processo de regularização do visto de permanência, aprendizado de inglês e espanhol, aulas de computação e enfermagem. 

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