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Luciana Buarque

Artesã de panos

TEXTO Zeca Miranda

01 de Julho de 2011

Adaptação da obra de Ariano Suassuna para a televisão, 'A pedra do reino' ganhou figurino de Luciana Buarque

Adaptação da obra de Ariano Suassuna para a televisão, 'A pedra do reino' ganhou figurino de Luciana Buarque

Foto Divulgação

A pernambucana Luciana Buarque não sabe identificar muito bem que caminhos a levaram para o mundo do figurino. A aptidão pela costura, que se fez notar desde a infância, foi uma herança da mãe, mas por si só não apontaria para essa direção. Ainda adolescente, foi cursar História em Belo Horizonte. A partir daí, viagens surgiram à sua frente, “como mágica”. Rio de Janeiro, São Paulo, Estados Unidos foram alguns dos locais por onde passou. Hoje, mora na Zona Oeste do Rio com o marido e dois filhos, um de 11 e outro de oito anos.


Sua modelagem é feita de forma direta, como se estivesse esculpindo a roupa.
Foto: Divulgação

A vivência, a inquietação e as amizades geradas ao longo dos anos a empurraram para a confecção de roupas que iriam ajudar a contar a história de vários personagens no cinema, no teatro, na televisão e em espetáculos musicais. Só para citar a participação dela em cada uma dessas áreas, encontramos seus trabalhos em Tieta do Agreste, de Cacá Diegues, Romeu e Julieta, do Grupo Galpão, Hoje é dia de Maria, minissérie da TV Globo, com direção de Luiz Fernando Carvalho, e shows de artistas como Antônio Carlos Nóbrega e Chico César.


Além de atuar em novelas, minisséries e peças, a figurinista
cria figurinos para artistas como Chico César. Foto: Divulgação

Luciana é uma figurinista sem leis. Cada trabalho, para ela, tem uma concepção diferente. Na contramão da profissão, ela não possui ateliê, não guarda um exemplar sequer de suas peças, nem costuma fazer croquis das criações. “Não desenhar é quase um drama para mim. Eu gosto muito de desenho, mas não é a minha linguagem”, lamenta.


No filme Nosso lar, ela trabalhou com desenhos fractais e estamparia digital em seda pura para dar um efeito de transparência. Foto: Divulgação

A cada novo trabalho uma forma diferente de moldar. Como exemplo, ela cita dois de seus mais recentes projetos. Primeiro, o filme espírita Nosso lar, de Wagner de Assis, para o qual trabalhou com desenhos de fractais e estamparia digital em seda pura para conseguir um efeito de transparência. “Como trabalho de ateliê, foi maravilhoso. Era uma coisa nova para mim, um filme grandioso”, explica.


Para criar os figurinos de Hoje é dia de Maria, foi preciso levar em consideração a fotografia, a iluminação e a direção de arte. Foto: Divulgação

Em seguida, fez parte de um projeto com orçamento mais modesto, Sudoeste, o primeiro longa do diretor fluminense Eduardo Nunes. Alguns dias antes do começo das filmagens, ela partiu com uma pequena máquina de costura e uns tecidos velhos, dela própria, para um pequeno vilarejo em Arraial do Cabo, região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, onde o filme foi rodado. O longa, que tem previsão de estreia para setembro, foi o primeiro trabalho em preto e branco de que ela participou. “Isso trouxe um desafio a mais. Tive que usar muitas cores no figurino para obter contraste na tela”, explica.


Luciana se instalou na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, para conceber o figurino do filme Sudoeste. Foto: Divulgação

O começo como figurinista foi como assistente do artista plástico Romero de Andrade Lima, que, no início dos anos 1990, desenvolveu vários trabalhos com Gabriel Villela, diretor do Grupo Galpão. Dessa experiência, também vêm os métodos pouco convencionais usados nas criações.


Suas peças aparecem em espetáculos como Romeu e Julieta, do Grupo Galpão.
Foto: Divulgação

Segundo a diretora de arte Lia Renha – que trabalhou com Luciana em Uma mulher vestida de sol, da TV Globo –, “o processo criativo dela é de artesã. Ela trabalha diferente, como se estivesse esculpindo um figurino. É arte pura, intuitiva”. 

ZECA MIRANDA, jornalista.

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