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Dubai Marina é uma das áreas mais nobres da cidade. Foto: Clarissa GomesDubai Marina é uma das áreas mais nobres da cidade. Foto: Clarissa Gomes

Com o edifício mais alto, o hotel mais luxuoso e o shopping mais visitado do mundo, a estrela dos Emirados Árabes Unidos mergulha cada vez mais no selvagem capitalismo


Como numa ficção científica, quem se adentra em Dubai parece ganhar um crachá de figurante para a refilmagem de Blade runner, aquele clássico dos anos 1980 em que a arquitetura high-tech desenhava uma sociedade futurista. Ao contrário do filme de Ridley Scott, no entanto, a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos nada tem de projeção. Está aqui e agora. O horizonte preenchido por edifícios espelhados, as vias urbanas emulando autoestradas e as estações de metrô em formato de nave espacial fazem parte da rotina diária de 2,7 milhões de pessoas. Além delas, 14,9 milhões de turistas-figurantes puseram os olhos sobre toda essa ostentação somente no ano passado – um recorde para a cidade, segundo a Organização Mundial do Turismo.

A maioria deles aterrissa interessada em explorar o que há de superlativo. E não é pouco. O principal destino talvez sejam os 829,8 metros de altura do Burj Khalifa, o edifício mais alto do planeta. Inaugurado em 2010, demorou seis anos até que o projeto de Adrian Smith, o mesmo nome à frente do nova-iorquino One World Trade Center, fosse aberto para visitação. Os elevadores costumam levar 60 segundos até o 124º andar, onde dezenas de turistas competem pela melhor selfie com o skyline de Dubai ao fundo. “Não se trata de ser o mais alto, mas de ter orgulho de ser o mais alto”, define a voz do alto-falante, enquanto o ascensor cumpre seu itinerário vertical.

De volta ao solo, há conexão direta para o Dubai Mall, até 2013 o maior shopping center por área construída do mundo, quando o ultrapassou o New Century Global Center, em Chengdu, na China. Ainda assim, são impressionantes 1.124.000 m². Em 2016, o centro comercial recebeu nada menos que 80 milhões de visitantes, de acordo com Mohamed Alabbar, no comando do grupo Emaar Malls. “Somos o mais visitado destino de varejo e estilo”, ufana-se. O complexo de entretenimento oferta 22 salas de cinema, 120 restaurantes, 1,2 mil lojas e 14 mil vagas de estacionamento. Ostenta, ainda, um aquário de extravagantes dimensões: 10 milhões de litros de água para 33 mil animais marinhos de 300 espécies diferentes.

Embora abrigue também um hotel de luxo com 244 suítes, o viajante em busca de exclusividade faz check-in mesmo em outra paragem. Conhecido como o único sete estrelas do mundo, o Burj Al Arab tem como menor suíte um quarto nada modesto de 169 m². O maior deles pode chegar a 780 m². Erguido em uma ilha artificial a 280 metros do continente, o hotel é destino certo de chineses com orçamento polpudo. De acordo com o Jumeirah Hotels & Resorts, responsável pelo empreendimento, no ano de 2011, as reservas feitas pelo mercado chinês chegaram a 25% da totalidade. No câmbio atual, uma diária na famosa Royal Suite sai em torno de R$ 80 mil.

Toda essa megalomania tem origem em oito letras: petróleo. A história remonta aos anos 1960, quando a procura por jazidas era ainda uma obstinação. Em 1966, foram, enfim, localizadas, possibilitando as exportações já a partir de 1969. A década de 1970, portanto, colheu os frutos desse investimento. Com a formação dos Emirados Árabes Unidos em 1971, após a independência à Inglaterra ter sido declarada, Dubai logo se posicionou como a capital econômica, sendo Abu Dhabi a capital política. Os altos preços do petróleo propiciaram a modernização da cidade, o que atraiu, e segue atraindo, de investidores de terno e gravata a trabalhadores braçais do Oriente Médio. Uma olhadela nos dados demográficos ajuda a entender seu crescimento meteórico. Em 1977, a população, que em 1969 era de apenas 59 mil pessoas, chegou a 207 mil. Em 1990, bateu a casa do meio milhão.

Leia texto na íntegra na edição 199 da Revista Continente (julho 2017)

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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