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Ilustração: Hallina BeltrãoIlustração: Hallina Beltrão

Em geral, no Brasil, quando pensamos em literatura africana, nos remetemos a uma produção em língua portuguesa, mais facilmente traduzível pela proximidade linguística, ou nos mantemos ignorantes quanto à pluralidade de vozes, idiomas, gêneros, temas e autores que ali, hoje, têm praticado variadas expressões literárias. Nesse contexto, é curioso também observar o nosso desinteresse quanto à produção literária africana de matriz hispânica, sobretudo, quando somos tão próximos territorialmente de países latino-americanos cuja literatura está relacionada – ontem e agora – com aquela em língua espanhola produzida na África – Marrocos, Guiné Equatorial, Saara Ocidental e Camarões. Aqui, a partir de textos introdutórios, artigo, entrevista e traduções inéditas no Brasil, realizadas por pesquisadores do assunto, pretendemos criar um território de aproximação com a literatura de matriz afro-hispânica e, assim, promover um espaço de intercâmbio com esse contexto ignorado e, ao mesmo tempo, tão próximo.


As relações políticas e sociais observadas entre os espaços hispano-americanos, africanos e europeus possuem raízes históricas que reiteram a noção de colonialidade e configuram o corrente sistema geopolítico global. Do século XV aos dias de hoje, o legado colonial, para Walter Mignolo (2003), ambivalente conceito que também se apresenta como modernidade em perspectiva periférica, aperfeiçoou mecanismos de controle de trabalho; modos de produção, inclusive, de conhecimento; comunicação e linguagens fundamentados a partir de princípios e ambições ocidentais, tendo-se como base uma espécie de missão integradora universal. Desse modo, a partir de espaços de convivência interculturalizados, coabitados também por interesses em desacordo, geraram-se racismos e negaram-se genealogias de povos independentes em detrimento de uma pretensa e absoluta razoabilidade de referências distantes. Desde então, a base étnica constitutiva na África e América Latina foi compreendida como otredad – a incapacidade de perceber o outro como igual – e sua genealogia, sistemas políticos e criativos questionados pelo desdobramento de uma complexidade colonial que persiste.

A estratégia de instituir planos hegemônicos globalmente pelas grandes potências econômicas contribuíram para que espaços com pouca visibilidade política sentissem a necessidade de revisar, do ponto de vista epistemológico, experiências históricas no intuito de garantir soberania de vozes culturais marginalizadas. Acredita-se dessa forma que, preservando o patrimônio cosmogônico, individual e coletivo dessas culturas, seria possível otimizar as relações entre as diferenças e garantir a legitimação de particularidades em meio ao gradual processo de uniformização política e cultural planetária. Nessa perspectiva, as atenções voltam-se para os estudos dos discursos por serem mediadores de fronteiras e fluxos que sugerem e autorizam domínios políticos, inclusive, subjetivos. São mecanismos que incutem no tempo imaginação e sugestões valorativas como forma de ampliar, de maneira negativa, ocupações e/ou isolamentos. É nessa circunstância que se reconhece o momento propício para (re)pensar o modus operandi das relações crítico-educativas que envolvem os estudos literários e, mais especificamente, dos estudos literários hispânicos atuais.

Leia texto na íntegra na edição 199 da Revista Continente (julho 2017)

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CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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