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Filme "The square" critica mundo da arte. Foto: Bac Films/DivulgaçãoFilme "The square" critica mundo da arte. Foto: Bac Films/Divulgação

 

Este ano, o festival não trouxe obra memorável, mas apontou tendências entre os cineastas: tocar nas feridas do mundo e ter um olhar mais generoso sobre a humanidade

O Festival de Cannes pode ser considerado uma espécie de termômetro, apontando o que anda na cabeça dos cineastas. Na edição 2017, a de número 70, a seleção destacou produções que discutem o privilégio, a ganância, o egoísmo, a injustiça, a falta de compreensão do outro, mesmo quando o indivíduo, a organização, a sociedade ou classe se consideram modernos e civilizados.

Talvez nenhum filme represente mais essas tendências do que o próprio vencedor da Palma de Ouro, The square, do sueco Ruben Östlund (de Força maior, 2014). Christian (o ótimo Claes Bang) é diretor de um museu de arte contemporânea em Estocolmo, o que pressupõe: culto, esclarecido, tolerante, feminista, ambientalista, sem preconceitos. E, claro, veste-se bem com roupas caras de grife, mora num apartamento de luxo mobiliado com peças de design e dirige um Tesla. Não há motivo para supor que ele não seja uma boa pessoa. Mas, aí, roubam-lhe a carteira e o telefone, num golpe simples, e sua bolha estoura.

Curioso como, em princípio, Christian acha quase divertido o que aconteceu – uma demonstração, talvez, da raridade desse tipo de ocorrência na Suécia –, mas, de brincadeira, resolve tomar a justiça em suas próprias mãos, ou seja, descobrir quem foi o assaltante e exigir seus pertences de volta. “De brincadeira”, vai ao prédio que o localizador do celular mostra e espalha cartas ameaçadoras, basicamente acusando todos os moradores daquele lugar de serem potencialmente criminosos. A partir daí, tudo desanda. O filme também faz uma crítica ao elitismo no mundo das artes, o que acaba soando um pouco postiço, ainda que The square do título refira-se a uma obra que convida à tolerância.

Os mesmos temas se repetem em Happy end, o novo longa-metragem de Michael Haneke. Por se passar em Calais, a cidade onde milhares de pessoas acamparam na tentativa de atravessar para o Reino Unido, muita gente achou que se trataria de uma obra sobre a crise de refugiados. Eles aparecem, mas o filme, como tantas vezes no caso do diretor austríaco, foca na classe média alta/aristocracia. Aqui, na família Laurent. O patriarca, Georges (Jean-Louis Trintignant), apresenta sinais de demência. Sua filha, Anne (Isabelle Huppert), tenta livrar a construtora da família de um acidente que resultou na morte de um operário, enquanto procura transformar seu inepto filho Pierre (Franz Rogowski) num homem de negócios. O irmão de Anne, o médico Thomas (Mathieu Kassovitz), tem sua vida transformada quando a filha adolescente, Eve (Fantine Harduin), vem morar com ele depois de sua mãe parar no hospital. Haneke usa menos violência que o habitual, mas é agudo nas observações do comportamento de classe e na convivência “civilizada” com os empregados, por exemplo.

Leia texto na íntegra na edição 199 da Revista Continente (julho 2017)

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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