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Hermilo Borba Filho. Foto: Acervo familiar/CortesiaHermilo Borba Filho. Foto: Acervo familiar/Cortesia

Como diretor, ele combateu a “mercantilização” e o “aburguesamento da arte”, opondo-se a tudo que fosse “imitação da vida”, valorizando a interpretação dos atores


Criado em 1940, o Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP) tinha um papel secundário na cena teatral do Recife, quando Hermilo Borba Filho (1927–1976) assumiu, em 1945, a sua direção. Para refundá-lo, Hermilo escreve um manifesto que não só orienta, a partir de então, os passos do TEP, mas também muitas das reflexões que irão calçar, a partir de 1947, a sua coluna diária Fora de Cena, na Folha da Manhã (Recife) e, posteriormente, em 1960, a sua atividade de encenador no Teatro Popular do Nordeste (TPN). Uma das preocupações desse manifesto, e que terminou por se tornar um cavalo de batalha para Hermilo, é denunciar os “maiores entraves” do nosso teatro: o seu “aburguesamento”, a sua “mercantilização” e a sua dramaturgia irrelevante.

Para reverter esse estado de coisas, Hermilo defende um teatro “genuinamente brasileiro” que se alimente de assuntos nacionais e possa revelar a “potencialidade” das narrativas que povoam o imaginário popular. Entremeando o campo da dramaturgia com o da encenação no combate à “mercantilização” e ao “aburguesamento da arte”, ele se opõe tanto às obras que, quando levadas ao palco, buscam “imitar ou reproduzir a vida” (o teatro, para Hermilo, não é a continuação da vida no palco), quanto aos cenários que, dentro da arquitetura cênica, se sobrepõem aos demais elementos cênicos. O que se deve valorizar é a interpretação dos atores, defendia; o cenário, no caso, deve apenas sugerir ou promover a imaginação do expectador.

Buscando efetivar uma literatura dramática “genuinamente brasileira”, o TEP lança, em 1946, o Concurso de Peças do Teatro do Estudante. Em seu regulamento, lemos que “Os autores deverão pensar alto e livremente, apresentando, de preferência, os problemas brasileiros, através de personagens e situações, sem medo ou vergonha deles, e aproveitando os motivos humanos e telúricos regionais do Brasil”. Alinhado com o Movimento Regionalista de 1926, o TEP entrega a presidência da Comissão Julgadora a quem vinha pensando o Brasil a partir dos conceitos de Tradição, Região e Modernidade: Gilberto Freyre. Apesar de não obter o voto de Freyre, Uma mulher vestida de sol, de Ariano Suassuna, fica com o primeiro lugar; José de Moraes Pinho leva o segundo prêmio, com O poço.

A iniciativa do TEP deu frutos. Entre 1945 e 1960 (ano de criação do TPN), o Teatro do Nordeste (nome dado por Paschoal Carlos Magno às peças escritas por nordestinos e que tinham como matéria fabulatória o universo humano e cultural da sua região, apesar da diversidade ideológica e estética dessas obras) revelou um número significativo de novos autores, a exemplo de Aristóteles Soares, José de Moraes Pinho, Sylvio Rabello, Isaac Gondim Filho, José Carlos Cavalcanti Borges, Osman Lins, Luiz Marinho, Aldomar Conrado, Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho.

No entanto, se não foram apenas os “motivos humanos e telúricos regionais” que irmanaram Freyre e Hermilo, mas também as suas aversões por uma arte fundada nas estéticas realista e naturalista, Hermilo, atento à carpintaria do teatro, sabia que para perfazer-se um teatro “genuinamente brasileiro” era necessário ir além desses mesmos “motivos humanos e telúricos”. Não bastava constituir uma dramaturgia “genuinamente brasileira” nas suas substâncias de expressão e nas suas formas dramáticas, fazia-se também necessário se voltar para um novo modo de encenação. Modo de encenação esse que o Teatro do Nordeste só irá conhecer com o TPN: seja na sua primeira fase, entre 1960 e 1963; seja na segunda, entre 1965 e 1970; e, por fim, entre 1974 e 1975, quando o pano cai em definitivo.

Leia texto na íntegra na edição 199 da Revista Continente (julho 2017)

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LEIA TAMBÉM:
- Confessional e autobiográfico

- Reedição da obra faz compilações

 

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EXTRA:
Leia AQUI a Continente Documento de 2007, em comemoração aos 90 anos do escritor

 

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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