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Foto: Guto MunizFoto: Guto Muniz

 

Ninguém passa intacto por Teuda Bara. Ela é certamente um centro de gravidade para o Galpão. Ao mesmo tempo, é alvo das zombarias mais mesquinhas e recebe de todos o maior carinho e respeito. Os problemas de Teuda são os problemas do mundo. (…) Não existe inércia onde há Teuda Bara.” Com essas palavras, João Santos não apenas introduz os leitores do seu livro Teuda Bara: comunista demais para ser chacrete (Javali), como nos remete à vivacidade de sua biografada: essa figura cuja imagem em cena se confunde com a do próprio Galpão, grupo mineiro de 35 anos, conhecido por sua eloquência na cena teatral brasileira. A atriz, aliás, é uma das fundadoras da trupe, a “mãe”, a presença mais longeva, atualmente em cartaz pelo país com o espetáculo Nós (2016), que parece ter sido feito para ela.

Nascida em Belo Horizonte, no primeiro dia de 1941 (cerca de duas décadas antes de seus companheiros de grupo), Teuda Bara nunca foi de negar fogo; aliás, sempre foi fogo. A mais velha de seis filhos, a atriz é “virada” desde criança. Percebendo os sinais precoces de seu espírito liberto, sua mãe tentou torná-la freira, mas nem a madre superiora do colégio interno deu conta: ou a própria Teuda enlouqueceria, ou todos iriam parar em um manicômio.

Na década de 1970, ela virou hippie no curso de Ciências Sociais e adorava viajar pelo Nordeste, região pela qual tem grande carinho – estendido ao Recife. Apesar de sua presença “cenosa”, o teatro só entrou profissionalmente em sua vida aos 35 anos, quando estreou como uma prostituta na peça Viva Olegário!, dirigida por Eid Ribeiro. Depois, passou um tempo em São Paulo, no Teatro Oficina, com Zé Celso. Desde então, nunca mais saiu de cena. Já fez diversas personagens, sendo ela mesma a própria persona. Quando nasceu, foi registrada pelo pai como Sônia Magalhães Fernandes. Indignada com o marido, sua mãe foi ao cartório e mudou para Teuda Magalhães Fernandes. Teuda Bara surgiu no teatro, como nome artístico, já que Eid Ribeiro gostava de chamá-la assim, em referência à atriz norte-americana Theda Bara, um dos primeiros sexy simbols do cinema.

CONTINENTE Teuda, conta para a gente como você observa a sua vida hoje, considerando o que já foi e o que poderá vir.
TEUDA BARA Nóóó! Nossa, é uma diferença, gente! Antes, eu era aquela pessoa criada para casar, de pai militar e mãe católica. Mas a vida vai levando a gente, tudo vai mudando e a gente vai tendo consciência política, tendo as relações… Sonhava em ir para a faculdade e fui (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, onde cursou Ciências Sociais), mas me desesperei com a linguagem científica e deixei. Vivi dos “anos dourados” aos “anos de chumbo”, e tenho medo de uma reviravolta no Brasil. Dá muito medo ver nossos direitos irem por água abaixo, principalmente os do trabalho. Fico pensando: a gente está na mão dos outros, na verdade na mão dos políticos. Poderíamos decidir em relação isso, mas eles também votam, como caso do impeachment… E a gente está no meio de notícias falsas, tudo atrapalhado, desvirtuam tudo. Eu fico muito insegura.

CONTINENTE Nesse cenário brasileiro atual, você sente falta daquele teatro do qual fez parte nos anos 1970, do desbunde, que ia para as ruas?
TEUDA BARA Não sinto falta, porque eu faço o teatro que quero fazer: na rua, no palco, viajando, trabalhando com diretores novos. Estamos fazendo teatro e isso é muito importante. Se não fosse o teatro, eu nem saía da cama. Eu gosto de fazer teatro, de estar sempre envolvida com outras temáticas, com o texto, a ação, a dramaturgia… Em casa, é cachorro, conta de luz para pagar... E o Galpão tem essa política de viajar, já viajamos para tudo que é canto. E isso é importante, porque TV todo mundo vê, mas teatro, não. Já fomos a lugares aonde nunca o teatro foi. Você não sabe a emoção que é ver alguém vendo teatro pela primeira vez. Um dia, um menino chegou e disse: “Vocês são poucos, mas são muita atração”. Isso é lindo!

CONTINENTE Mas você gosta de televisão também, não é?
TEUDA BARA Gosto. Agora mesmo vou participar de um programa no Multishow, A vila, o Paulo Gustavo me convidou. Ainda não sei muita coisa, sei que várias pessoas se relacionam nessa vila. Na verdade, eu gosto de variar as formas de trabalhar.

Leia entrevista na íntegra na versão impressa da Continente de maio 2017 (n. 197)

capa 197
CONTINENTE #197  |  Maio 2017

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