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O cheiro de refogado de alho e cebola é um dos que acionam sensações agradáveis, que dizem muito de onde nascemos e com quem convivemos

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e imagem tivesse cheiro, muitos de vocês, leitores, estariam, a partir de agora, envolvidos numa atmosfera olfativa prazerosa, movida por uma lembrança de algum momento feliz. Não existe uma pesquisa que bata o martelo sobre o assunto, mas, quando se trata de comida, tudo leva a crer que o aroma do refogado de alho e cebola responde à principal epifania olfativa do brasileiro. É como, certa vez, disse uma amiga sobre cheiros capazes de emocionar: “Têm cheiros do corpo que são muito bons. Mas ainda prefiro o perfume de alho com cebola refogando e anunciando o arroz pela casa. Parece que estou na década de 1990. O perfume era sinônimo de começar a me arrumar para ir à escola, e, alguns minutos depois, sentar para almoçar”.

Quando esse efeito aciona memórias particulares e aconchegantes, nós nos aproximamos da constatação teórica do sociólogo norte-americano Sidney Mintz. Ele sustenta que o lugar onde crescemos e as pessoas que passaram por nossas vidas constroem um “material cultural”, formando os comportamentos alimentares pessoais ligados diretamente a enredos íntimos e identidades sociais.

Em busca do tempo perdido, um símbolo da literatura mundial, do escritor Marcel Proust, foi motivado por esse impacto. É que ele teve sua vida profissional e pessoal reativada após um trivial lanche da tarde. Ao tomar um gole de chá com um naco de bolo, recordou uma época esquecida de seu tempo de criança. Ao cruzar com suas digressões, Proust rompe com a falta de motivação para produzi-la e lança a publicação. “Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim”, registra o escritor, na obra que se tornou um clássico.

Leia matéria na íntegra na versão impressa da Continente de maio 2017 (n. 197)

capa 197
CONTINENTE #197  |  Maio 2017

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