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No Mamam, a mostra "Arte Contemporânea (2000-1) Pernambuco" reuniu, em 1999, muitos artistas da cena. Foto: Jane Pinheiro/ReproduçãoNo Mamam, a mostra "Arte Contemporânea (2000-1) Pernambuco" reuniu, em 1999, muitos artistas da cena. Foto: Jane Pinheiro/Reprodução

A professora e pesquisadora Jane Pinheiro publica, quase 20 anos depois da defesa, sua disserta
ção, que documenta a cena artística recifense dos anos 1990

No catálogo da exposição Pernambuco moderno (2006), o curador Paulo Herkenhoff assina o texto Do Recife para o mundo: o Pernambuco moderno antes do Modernismo. Nele, é feito um resgate de nomes que, antes mesmo da Semana de 22, já abriam os caminhos do projeto de modernismo brasileiro. Dizia ele: “É preciso começar a desconstruir a história montada no Sul para que Pernambuco possa sair do papel de espelho e volver à lente que foi. Essa é a tarefa da historiografia pernambucana da modernidade: tornar visível a diferença pernambucana. Todas as visões totalizadoras do Brasil são problemáticas. O país não se resume a um único modelo, dada sua complexidade. Foi assim com o moderno, o Modernismo e a experiência pernambucana. O paradoxo é que toda intencionalidade geopolítica modernista ou a sua historiografia que desfaça Pernambuco deve ser reavaliada”, escreve.

O estado foi protagonista em muitos movimentos estéticos da história brasileira, mas, ao longo dos anos, sempre lhe faltou um aparato que pudesse dar visibilidade e amplitude nacional a essas atividades no campo das artes. Foi só em meados da década de 1990 que começaram a surgir iniciativas e instituições que visavam incluir essa produção num contexto nacional. A citada exposição vem justamente na esteira dessas propostas.

Essa década e sua importante contribuição para as artes visuais pernambucanas foi o ponto de partida para a pesquisa de mestrado da professora Jane Pinheiro, que ganhou publicação agora, quase 20 anos depois de sua defesa, em 1999. Arte contemporânea no Recife dos anos 1990 apresenta, num formato editorial bem particular, como se organizavam os artistas contemporâneos pernambucanos e como, a partir de ações que envolveram várias instituições, eles conseguiram ser vistos e reconhecidos para além do contexto local, outra vez desconstruindo ideias consagradas nos eixos centrais da arte sobre essa produção.

Naquele momento, a arte pernambucana era inevitavelmente associada a obras regionalistas. Assim como, no passado, havia o desconhecimento do que produziam artistas como Vicente do Rego Monteiro e Lula Cardos Ayres, também não se vislumbrava uma produção contemporânea profícua, na qual os elementos regionais não eram relevantes. “A produção pernambucana sempre foi arrojada, mas havia um aprisionamento numa determinada caracterização. Vejo o final da década de 1990 como um momento em que o olhar para Pernambuco mudou e passou a ser mais acolhedor a essa produção contemporânea”, pontua Jane Pinheiro.

Essa descoberta, esse novo olhar externo para a cena pernambucana, tem uma relação direta com uma série de iniciativas de instituições como a Fundaj, que passou a promover cursos na área; com a criação do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), ligado à UFPE; a conceituação do Mamam como museu e a chegada de Marcos Lontra para coordená-lo. O próprio curador, convidado a escrever o prefácio do livro de Jane, destaca: “O Mamam estrutura-se a partir dessa necessidade de incluir a produção artística pernambucana no contexto artístico nacional dos anos 1990”.

Para a pesquisadora, a presença de Lontra foi algo fundamental, não só pelas mostras expressivas dessa geração produzidas por ele no Mamam, mas por sua grande interlocução com os mais diversos agentes do mundo da arte, colocando o Recife em diálogo com o mundo, trazendo artistas de fora para exibir na cidade, mas sem esquecer de abrir espaço para a produção local, convidando curadores para atividades diversas. À época, passaram por aqui nomes como Tadeu Chiarelli, Fernando Cocchiarale, que visitavam ateliês, faziam leituras de portfólios, e começavam a conhecer a produção local e atestar sua consistência. Esse período, documentado por Jane Pinheiro, foi determinante também para que artistas como Paulo Bruscky – que tinha uma trajetória bastante longa, iniciada por volta da década de 1970, e que já estava em contato com movimentos internacionais, mas que ainda não tinham espaço no território nacional – ganhassem visibilidade.

Leia matéria na íntegra na edição 196 da Revista Continente #abril 2017

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CONTINENTE #196  |  Abril 2017

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