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Foto: Alcione FerreiraFoto: Alcione Ferreira

Todo ano, no dia 8 de dezembro, multidão de católicos segue em procissão do centro do Recife rumo à zona norte para prestar honras a Nossa Senhora da Conceição


Eram quase três horas da tarde, quando, no dia 8 de dezembro, cortejada e rodeada de flores brancas, a imagem de Nossa Senhora da Conceição saiu da Prefeitura do Recife para ganhar o Bairro de Casa Amarela, na zona norte da cidade. Os calorosos aplausos e assobios dos fiéis – estes, na maioria, vestidos de azul e branco, quando não usando vestimentas semelhantes às roupas da Santa – competiam com o estrondo dos fogos de artifício. Já outros trataram logo de retirar os celulares do bolso para conseguir algum clique do ícone da Imaculada, uma tarefa um tanto difícil de ser realizada, já que a pequena estátua estava rodeada por oficiais da guarda brasileira e guarnecida, na dianteira, por policiais militares, além da própria aglomeração de pessoas que se espremiam para ficar mais próximas da imagem. Aqui e ali, terços eram sacados dos bolsos de alguns mais dispostos a uma caminhada em oração, enquanto outros traçavam o sinal da cruz sobre si para uma ave-maria inicial. Pedidos feitos, a música iniciou, e assim a multidão apertou-se para a procissão de encerramento da 112ª Festa do Morro da Conceição.

Estimulados por canções animadas, na maioria hinos católicos tocados e cantados de forma que lembravam ritmos como o frevo, a multidão que se via à frente pulava e dançava como quem, de fato, se diverte nas estreitas ruas de Olinda durante o Carnaval. Pequenas bandeiras azuis e brancas também eram hasteadas pelos romeiros, que faziam movimentos para lá e para cá. Uma relação de alegria tão palpável e notável com a Virgem, que a música de abertura da romaria é um trecho do Magnificat, ou Cântico de Maria, um louvor proferido pela mesma Mãe, quando, segundo a Bíblia, visitara sua prima Isabel, ambas grávidas: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta em Deus, meu Salvador”, cantavam seus filhos, as vozes subindo de tom, ficando tão altas quanto possível. Uns pulavam, alguns dançavam de maneira tímida, já outros não se resguardavam e inventavam coreografias em grupo. Se Isabel, segundo o Evangelho de Lucas, ficou cheia do Espírito Santo quando recebeu a visita, e até mesmo sua criança “pulou de alegria em seu ventre”, ali, mais de dois mil anos depois, aquelas mesmas pessoas pulavam e alegravam-se como quem, de fato, acredita estar na presença de Maria de Nazaré.

Desde a barriga da minha mãe que eu sou devota dela”, diz Carla Lidiane, que mora há 14 anos no Morro da Conceição. Católica praticante, ainda que tímida, trabalhou pela primeira vez durante a semana festiva e religiosa no Morro, próximo à praça. Sua barraca era simples, coberta por uma tenda de plástico para se proteger do sol, com uma mesa branca para colocar imagens de santos e terços, seus produtos de venda. “É uma honra trabalhar com a fé que eu professo, eu amo”, regozija-se a vendedora. Uma fé que se transforma em atos todos os dias, ao rezar os cinco mistérios do Santo Terço, um hábito que – segundo ela – faz com prazer e devoção.

Leia matéria na íntegra na edição 195 da Revista Continente (mar 2017)

capa 196
CONTINENTE #196  |  Abril 2017

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