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'Woodstock': documentário do festival de 1969 é um dos clássicos do gênero. Foto: Reprodução'Woodstock': documentário do festival de 1969 é um dos clássicos do gênero. Foto: Reprodução

Documentários sobre o rock conquistaram espaço no cinema como uma temática relevante, forjando um subgênero com adesão de público, crítica e premiações


Com o surgimento do cinema direto nos anos 1960, a maneira clássica de fazer documentário sofreu uma transformação radical. No lugar da encenação, passou a ser valorizada a espontaneidade diante da câmera, a intervenção mínima do realizador e a intimidade com o objeto filmado, além do uso de plano sequência, câmera no ombro, fotografia despojada e improviso. A nova tendência favorecia, ainda, os elementos dramáticos do mundo real: som direto nos ambientes, diálogos, gestos e expressão facial. Nesse contexto, um dos principais interesses dos documentaristas foi filmar personalidades públicas e do show business num viés intimista. Músicos e bandas famosas de rock ganharam a tela, forjando um subgênero de vocação bastante popular, conhecido como rockumentary.

A nova linguagem documental tinha como pano de fundo a revelação da cultura jovem a partir da difusão da música pop e do rock, quando houve a ascensão de vários ídolos. Entre as personalidades que se tornaram objeto fílmico está Bob Dylan, cuja turnê no Reino Unido, em 1965, foi documentada em Don’t look back, de A.D Pannebaker, um dos mais profícuos e atuantes documentaristas da época.

Pannebaker foi responsável por documentar o primeiro grande festival de rock do mundo, em junho de 1967, em Monterey, na Califórnia, resultando no documentário Monterey pop (1968). Também registrou os bastidores do show mais emblemático de David Bowie em Ziggy Stardust and the spiders from Mars (1973), quando o astro anunciou sua despedida dos palcos. Em 1964, jovens de todo o mundo lotaram os cinemas para assistir ao primeiro filme dos Beatles, A hard day’s night. Dirigido por Richard Lester, o filme promocional fez sucesso de público e crítica justamente pelo formato inovador, que documentava a beatlemania com um caráter cômico, descontraído e cheio de improviso. Em 1969, os Rolling Stones entravam em turnê histórica pelos EUA, que deu origem a mais um rockumentary de sucesso na época, Gimme shelter (1970), dos irmãos Mayles e Charlotte Zweig.

BONS FRUTOS
O rockumentary, por sua vez, abriu as portas para que a música conquistasse espaço no cinema como uma temática relevante e consistente. Prova disso é que, mais de 50 anos depois, sobretudo nas últimas duas décadas, os documentários sobre música continuam gerando bons frutos, mostrando um desempenho notável e ocupando cada vez mais espaços.

Existe uma atenção maior por parte do público, dos meios de comunicação e dos programadores em relação a esse tipo de filme”, acredita Marcelo Aliche, curador da edição brasileira do In-Edit Festival Internacional de Documentários Musicais, criado em 2003, em Barcelona, na Espanha, com edição em vários países como Colômbia, Chile, México, Argentina, Alemanha. Além de exibir uma seleção dos documentários musicais mais expressivos da atualidade, o festival, cuja edição brasileira acontece anualmente em São Paulo e em Salvador, promove diferentes atividades relacionadas aos filmes, entre shows, debates, encontros com diretores, feiras e projeções ao ar livre, uma experiência completa para quem gosta de ver o mundo através da música.

Leia matéria na íntegra na edição 194 da Revista Continente (Fev 2017)

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capa 195
CONTINENTE #195  |  Março 2017

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