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Mariah Carey no Réveillon na Times SquareMariah Carey no Réveillon na Times Square

 

“A última morte de 2016 foi a da carreira de Mariah Carey”. Esta foi uma das frases que circularam pelas redes sociais na virada do ano, referindo-se à desastrosa performance da cantora no Réveillon da Times Square. Dentro de um maiô brilhante, a artista chegou ao palco cercada por bailarinos, plumas brancas e a vibração do que parecia ser mais um bom momento no ano em que, mesmo que não tenha brilhado como na década de 1990, emplacou o hit natalino All I want for Christmas is you (1994) nas paradas americanas, ganhou o reality show Mariah's World e, vá lá, uma coleção de maquiagem na MAC. Mas o pocket show se tornou talvez o maior embaraço de sua trajetória.
 
O começo da apresentação com a canção tradicional Auld Lang Syne já exibia uma discrepância entre o som emitido e o movimento nos lábios da intérprete. Mas os problemas realmente se tornaram gritantes nas músicas Emotions e We belong together. Havia uma base musical, inclusive com backing vocal, mas faltava a voz principal. Foram apenas duas músicas, mas que pareceram uma eternidade em meio ao constrangimento da cantora, que andava de um lado para o outro dizendo frases desconexas e tentando colocar o público para fazer o seu serviço. As dúvidas pairavam: Mariah perdeu a capacidade de cantar? Esqueceu as letras das próprias músicas? Estava sem retorno?
 
Após o fracasso, iniciou na imprensa o jogo do empurra-empurra. A artista pôs a culpa no sistema de som e fez uma postagem no Twitter. “Merdas acontecem. Tenham um ano novo feliz e saudável todos! Estamos aqui para fazer mais manchetes em 2017”, acertando a previsão de que seria um dos assuntos do dia 1º de janeiro de 2017.
 
Da sua equipe surgiu a hipótese de que o incidente teria sido sabotagem da Dick Clark Productions, a companhia de TV que realiza o show na Times Square, para gerar polêmica e alavancar a audiência da ABC, que fazia a transmissão. Foi dito ainda que, na passagem de som, Mariah havia reclamado de problemas com um fone de ouvido. “Nunca vou saber a verdade, mas sei que dissemos a eles três vezes que o microfone não estava funcionando e foi uma produção desastrosa”, disse sua agente Stella Bulochnikov à Us Weekly. “Certamente não estou chamando o FBI para investigar. É o que é: Véspera de Ano Novo em Times Square. Mariah fez um favor a eles. Ela era a maior estrela lá”.
 
“Em casos muito raros há, naturalmente, erros técnicos que podem ocorrer com a televisão ao vivo. No entanto, a nossa investigação inicial indicou que a DCP não tinha envolvimento nos desafios associados com o desempenho da Sra. Carey no Réveillon”, esquivou-se a empresa em um comunicado.

 

Sabotagem ou não, uma coisa é certa, essa não foi a primeira vez que um playback causou constrangimento, ultraje e controvérsia. O caso mais recente envolveu uma das maiores artistas pop da atualidade e que já provou o talento como intérprete. Na cerimônia da segunda posse de Barack Obama, Beyoncé “interpretou” The Star-Spangled Banner, acompanhada da orquestra da marinha americana que, por sua vez, fazia de conta que tocava.

 

Pressionada pela repercussão nas redes sociais, a cantora admitiu que usou o “lip sync” porque estava muito frio e teve receio que o clima afetasse suas cordas vocais, prejudicando, assim, a performance. Kelly Clarkson e James Taylor, no entanto, também se apresentaram nesse mesmo dia e ao vivo. Seria o medo de errar a letra do hino exatamente na posse do presidente dos Estados Unidos? O evento costumava ser apenas um enfadonho acontecimento político, porém, durante a Era Obama, se transformou em mais uma oportunidade de espetáculo num país acostumado a transformar tudo em business. Até seus fracassos.

 

Outro exemplo acachapante de playback mal sucedido foi o da cantora Britney Spears. A apresentação de Gimme more no Video Music Awards de 2007 se tornou forte concorrente a pior momento das performances em eventos televisivos. Aquele VMA, que deveria ter sido o grande retorno da artista após estar afastada dos holofotes para casar (e, em seguida, se divorciar) e ter filhos, foi o estopim para o vendaval de episódios bizarros que viria para quase afundar sua carreira.

 

Além de motivo de muita vergonha alheia, playback também foi usado como instrumento de palhaçadas memoráveis, como a apresentação dos Smiths em 1983, no programa inglês Top of The Pops, em que Morrissey, em vez de usar um microfone no palco do programa, "cantou" This charming man com uma samambaia na mão.

 

Em 1991, no mesmo TOTP, Kurt Cobain aprontou em Smells like teen spirit. O vocalista aproveitou que só a havia a base da música e, ao invés de cantar berrando como na gravação original, cantou com uma voz empostada como se fosse Ian Curtis, do Joy Division.

 

Naquele mesmo ano, outra diva da música norte-americana foi “acusada” de ter usado playback, desta vez na apresentação do Super Bowl. Mas o uso do “lip sync” por Whitney Houston, em casos como aquele, tem mais a ver com a logística do evento do que com a preferência do artista convidado. Na Olimpíada realizada no Brasil, por exemplo, todos as atrações, inclusive os membros da Orchestra Santa Massa, tiveram que fazer de conta que estavam cantando e tocando ao vivo. Assim como fizeram Paul McCartney e O Queen na olimpíada de Londres.

 

Na maioria das vezes é difícil para o público perceber se uma apresentação há ou não o recurso, por outro lado, fica bem mais fácil descobrir quando o próprio recurso falha, como no caso do show do Milli Vanilli em Bristol, em julho 1989. O duo alemão formado pelos modelos Rob Pilatus e Fab Morvan estava numa apresentação que seria exibida pela MTV, quando a música Girl you know it's true travou no refrão, que virou um “Girl you know it's... Girl you know It's... Girl you know It's...” ad infinitum.

 

Embora o público não tenha se importado muito com a falha e continuado a dançar, ali começou a ser desmascarada a maior farsa da história da música pop. Após pressão da imprensa, o produtor alemão Frank Farian revelou, em novembro de 1990, que a dupla foi fabricada por ele, que os belos rapazes não sabiam cantar e muito menos compor. A dupla perdeu o contrato com a Arista, foi alvo de 27 processos e teve que devolver o Grammy de Artista Revelação que recebeu em fevereiro daquele ano.

 

Diante da malograda apresentação de Mariah Carey na Times Square, fica a dúvida se a estrofe de um dos hits de sua carreira, a versão de Without you (“Eu não posso viver, se for para viver sem você”), pode ser aplicada também ao playback.

 

capa 195
CONTINENTE #195  |  Março 2017

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