Clique ao lado para visualizar o sumário da nova CONTINENTE.

Ensaio visual

A virada do Teatro do Parque

A Continente esteve na movimentação cultural pela reforma e reabertura do equipamento municipal, no Recife, e produziu, em imagens, a memória dos corpos presentes

TEXTO Sofia Lucchesi

28 de Agosto de 2017

Um palco foi montado na rua, na entrada do Teatro do Parque, de portas fechadas há sete anos

Um palco foi montado na rua, na entrada do Teatro do Parque, de portas fechadas há sete anos

Ensaio Sofia Lucchesi

Sábado, 26 de agosto de 2017. Pessoas se aglomeram em frente ao Palco Henrique Celibi, Rua do Hospício, Recife. Umas mais dançantes, outras mais contemplativas, mas todas inquietas. Mães, filhas, avós… algumas permanecem sentadas, animadas em suas rodas de conversa. Os bares estão lotados. Bolhas de sabão flutuam, resistindo por mais tempo do que o esperado. As árvores assistem à movimentação da rua, que tem vida novamente no fim de semana.

No último sábado (26/8), a manifestação pela reativação do Teatro do Parque, fechado há sete anos para uma reforma que nunca se inicia, levou artistas, ativistas e pessoas de todas as idades à Rua do Hospício para celebrar a música, a arte e o encontro, como em outros tempos, numa virada cultural que durou 12 horas seguidas.

A maniFestAÇÃO congregou todos os tipos de público, classes sociais, linguagens artísticas. Teve teatro, teve dança, circo, música. Corpos de todas as cores e peculiaridades eram vistos em harmonia contagiante, a partir de suas diferenças. Uma junção de energias e desejos.

Se cada corpo carrega consigo uma energia própria, que é, em parte, o acúmulo de suas memórias – sensoriais e subjetivas –, e o desejo por uma produção sensível, o Teatro do Parque também é uma espécie de corpo, hoje um tanto escondido, renegado... Ali, estão guardadas as memórias de um tempo – de nem tanto tempo atrás assim – ainda vivo, pulsante. A memória, aliada ao desejo que acalenta, é uma potência política capaz de reconfigurar o futuro. Os corpos que dançam, que gesticulam estão inquietos, resistem mesmo em sua fragilidade, e são capazes de imaginar – e realizar – um novo tempo e uma nova vida. 

































SOFIA LUCCHESI, estagiária da Continente, estudante de Jornalismo da Unicap e fotógrafa.

Publicidade

veja também

A tênue divisa entre a cultura e o crime

Jerusalém de todas as religiões

Para um país que não ama mulheres

comentários