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Curtas

Fincar 2018

De 14 a 19 de agosto, cinemas de rua do Recife e de Camaragibe recebem o II Festival Internacional de Cinema de Realizadoras, com filmes, oficinas e debates sobre mulheres no audiovisual 

TEXTO Paula Mascarenhas

15 de Agosto de 2018

Cena do documentário experimental 'Teko haxy', de Patrícia Ferreira e Sophia Pinheiro

Cena do documentário experimental 'Teko haxy', de Patrícia Ferreira e Sophia Pinheiro

Foto Divulgação

Está em cartaz a segunda edição do Festival Internacional de Cinema de Realizadoras, o Fincar. Produzido apenas por mulheres, o evento pernambucano promove exibição de filmes, debates e oficinas para discutir e valorizar a atuação feminina no meio audiovisual, cenário ainda díspar em relação ao gênero.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2016, a participação de mulheres na produção cinematográfica brasileira ainda é pequena: só 17% dos filmes produzidos naquele ano foram dirigidos exclusivamente por elas. Esse número cai quando se trata de direção de fotografia: somente 8% das obras têm mulheres atuando nesta função. A proposta do Fincar é refletir politicamente sobre essa realidade, dar visibilidade à produção audiovisual realizada por diretoras, roteiristas, fotógrafas e artistas visuais.

Até o próximo domingo (19/8), serão exibidos mais de 70 filmes nos cinemas São Luiz e da Fundaj (Derby), no Recife, e no Cine Teatro Bianor Mendonça Monteiro, em Camaragibe, todos com entrada a preços populares (veja programação completa aqui). São curtas, médias e longas-metragens brasileiros e estrangeiros (de países como Chile, França, Guatemala, Taiwan e Irã), além das animações que compõem a sessão infantil.

Uma das curadoras do festival, a artista visual e realizadora Cíntia Lima, explicou, em entrevista à Continente, que a elaboração da programação e a seleção dos filmes estiveram atreladas à diversidade de mulheres curadoras que participaram desta edição: são mulheres negras, trans e heterossexuais, lésbicas, especialistas em cinema indígena e negro. “Tivemos uma preocupação política e estética que atravessou todo o processo e apontou os caminhos na curadoria. Recebemos mais de mil filmes inscritos e poderíamos ter muito mais na programação se tivéssemos mais tempo pra exibi-los”, ela destaca.

A valorização de questões identitárias e de gênero não só fez parte da produção e curadoria do Fincar, refletindo também na temática dos filmes escolhidos, como o curta pernambucano Mensageiro do futuro, de Graci Guarani, que trata das aldeias indígenas mais populosas do país; e o Mulheres rurais em movimento, de Prévost Héloïse, com direção coletiva do Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste (MMTR-NE), ativistas que estarão presentes durante a exibição do filme para uma conversa com o público.

Um outro destaque do festival é documentário O caso do homem errado, que conta a história de Júlio César de Melo Pinto, operário negro executado em Porto Alegre pela Polícia Militar, nos anos 1980. O longa é dirigido por Camila de Moraes e vencedor do 9º Festival Internacional de Cine Latino, Uruguayo y Brasileiro.


O caso do homem errado será exibido dia 18, no São Luiz. Imagem: Reprodução

Além de debates com as realizadoras dos filmes após as sessões, o festival ainda promove atividades formativas para possibilitar uma maior troca de experiências sobre a realização cinematográfica e a representatividade femininas nestes espaços. A Vivência em curadoria da perspectiva das mulheres, ministrada por curadoras do próprio festival, e Mulheres no cinema latino-americano, mediada pela cineasta Lílian de Alcântara, acontecem nos dias 18 e 19/8, no Paço do Frevo. Ambas são gratuitas e têm inscrições por email com vagas limitadas.

O II Festival Internacional de Cinema de Realizadoras segue até domingo, 19/8.

Mais informações: http://www.fincar.com.br/ 

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