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Curtas

Faz parte partir

Espanha e Brasil no primeiro disco solo de Farroyo

TEXTO Débora Nascimento

05 de Junho de 2019

Fernando Farroyo, compositor, cantor, multi-instrumentista e produtor musical espanhol

Fernando Farroyo, compositor, cantor, multi-instrumentista e produtor musical espanhol

Foto Divulgação

[conteúdo na íntegra | ed. 222 | junho de 2019]

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“Foi tudo cozinhado a fogo devagar, sem pressa e em casa”, conta o compositor, cantor, multi-instrumentista e produtor musical espanhol Fernando Farroyo sobre seu primeiro álbum solo Faz parte partir. Gravado em seu home studio no Recife e lançado de forma independente, o álbum reflete sua experiência musical, tanto na Espanha quanto no Brasil – especificamente na capital pernambucana, onde vive desde 2011. Composto, cantado, tocado, produzido e mixado pelo artista, o disco traz 14 inspiradas composições, 12 delas em português, com influências do blues, rock, world music e MPB, uma faixa instrumental e outra inusitada, uma ciranda cantada em espanhol.

“Depois de um ano no Brasil, comecei a pensar em português, a sonhar em português e a falar mais fluentemente. Dava trabalho até mudar para o espanhol, mas foram várias questões que influíram para que o disco fosse gravado assim. Por um lado, um ano quase calado e como emigrante, só escutando, a cabeça processa o idioma novo a uma velocidade mais devagar que o entorno. Eu nunca tinha estudado português. Talvez essa contenção de emoções tenha criado a necessidade de soltar o que passava pela cabeça com as palavras e expressões que ia aprendendo”, afirma o músico, em entrevista à Continente.

Nesse processo de aprendizado, ele foi ouvindo e compreendendo o português através da audição de música brasileira e principalmente da obra de artistas pernambucanos, como Juliano Holanda, André Macambira, Igor de Carvalho, Amaro Freitas, Spok Frevo Orquestra e Lenine – uma das influências perceptíveis no álbum.

“Adoro Cássia Eller, que conheci antes de chegar ao Brasil. Na Espanha, não chegava para mim muita música brasileira, assim como também não chega muito da música espanhola aqui. Algumas músicas que tocavam na Espanha eu descobri, já aqui no Brasil, que eram versões de músicas brasileiras, mas lá, a maior parte das pessoas desconhece a origem da versão espanhola. O tópico do Brasil lá é o samba e só aparece pontualmente na época do Carnaval. A bossa nova já tinha escutado, mas não compreendia nem o idioma nem as dissonâncias. Agora, adoro escutar e estudá-la. Atualmente, na Espanha, existe um programa que toca música brasileira muito bacana: Cuando los elefantes sueñan con musica. Hoje, eu tenho a sorte de conhecer frevo, maracatu, forró, choro, mas acho que tudo isso ainda não chega lá, nem mesmo nesse programa”, diz o artista.

Nascido em Valladolid (a 190 quilômetros de Madri), em 1982, Fernando Arroyo começou a estudar guitarra em 1997. No ano seguinte, integrou sua primeira banda autoral e passou a fazer parte de vários projetos musicais, como as bandas Mostaza Taco Brothers e David Llosa & La Banda de Tirso, que venceu os concursos Onda Rock 2007 (CD Ya sigo yo, 2008) e CYL Music Festival 2009 (DVD Directo Segovia, 2010). Em 2007, mudou-se para Madrid, onde se formou como Técnico Superior em Som em 2009, ao mesmo tempo em que integrava projetos musicais de artistas internacionais, como a californiana Amelia Ray e a banda cubana Picadillo, com a qual participou da gravação do disco Las cosas de la vida (2012). Em dezembro de 2011, mudou-se para o Recife e, já em 2013, participou do 1º Festival de Frevo da Humanidade com Esse é o meu frevo. Na cidade, passou a tocar em projetos como Handmade Blues e Unplug, entre outros. Em 2013, começou a estudar no Cemo e, em 2017, formou-se em Violão Popular no Conservatório Pernambucano de Música.

“O que eu sinto no Brasil é que a música é algo muito mais próximo ou cotidiano para a maior parte da população. Aqui, a diversidade de ritmos e a riqueza musical é imensa. A Espanha é um país muito rico também, mas acho que o fato de ter tido uma ditadura recente, com muita censura e tudo mais, foi algo que freou muito a expressividade cultural”, avalia o músico, que, no Recife, costuma se apresentar nos restaurantes Mingus e Prima Deli e na cervejaria Mr. Hoppy. O disco Faz parte partir está disponível no Spotify, no YouTube e na loja Passadisco.

DÉBORA NASCIMENTO, repórter especial da Continente e colunista do site da revista.

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