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Vladimir Carvalho é considerado um dos maiores documentaristas brasileiros. Foto: Cine PE/DivulgaçãoVladimir Carvalho é considerado um dos maiores documentaristas brasileiros. Foto: Cine PE/Divulgação

Cineasta prepara seu próximo documentário, ainda sem previsão de lançamento, que revê a história do Brasil a partir de Brasília e sua Esplanada dos Ministérios


Quando se conta a história da construção de Brasília sob um viés alternativo, sempre aparece o argumento de que, entre os motivos para a construção da nova capital, estava o de afastar o poder federal da proximidade da pressão popular, presente nas ruas do Rio de Janeiro, a antiga capital. Mas ao longo das últimas cinco décadas, Brasília, e em especial a área da Esplanada dos Ministérios, tornou-se um palco privilegiado de manifestações de todo tipo no Brasil, de indígenas a líderes ruralistas. É esse espaço urbano singular que será tema do novo documentário de Vladimir Carvalho, cineasta paraibano radicado na capital há 47 anos.

O filme parte da constatação de que o paisagista Roberto Burle Marx tinha um projeto de transformar a Esplanada em um grande parque da flora brasileira de todas as regiões, com árvores que dariam sombra e se tornariam um vasto espaço de lazer da população nos fins de semana. O plano original nunca foi colocado em prática e o espaço vazio no meio, o grande relvado, foi se firmando, sobretudo depois da redemocratização nos anos 1980, como um gigantesco palco das reivindicações nacionais.

A Esplanada, ladeada pelos ministérios, pela Catedral, por instituições como o Teatro Nacional e a Biblioteca Nacional e, ao fundo, a Praça dos Três Poderes – onde estão o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto –, se transformou, nas palavras do cineasta, no “desaguar da problemática brasileira”. No filme, que se chamará Esplanada, ele pretende “contar um pouco da história do Brasil a partir dessa área polivalente, o espaço público mais evidente de Brasília, onde tudo acontece”.

De passagem pelo Recife, onde participou como jurado do festival Cine PE (veja AQUI a lista dos filmes ganhadores), Carvalho contou que vem filmando a Esplanada dos Ministérios desde 1970, para outros de seus documentários, muitos dos quais tratam da trajetória social e política do Distrito Federal. Considerado por muitos o maior documentarista vivo do país, Vladimir Carvalho é responsável por obras como O país de São Saruê (1971), Conterrâneos velhos de guerra (1991) e Barra 68 – Sem perder a ternura (2000), todos com forte conteúdo de denúncia social e política. Em 2016, lançou Cicero Dias, o compadre de Picasso, sobre o pintor pernambucano, parte de uma trilogia da cultura nordestina que enfocou, anteriormente, os escritores José Américo de Almeida (no filme O homem de Areia, de 1982) e José Lins do Rego (em O engenho de Zé Lins, de 2006).

BRASÍLIA
Ao longo de quase cinco décadas, Carvalho foi acumulando imagens de Brasília em diferentes formatos, em 16 milímetros (preto e banco e coloridas), 35 milímetros e, mais recentemente, em digital. Algumas foram usadas em filmes anteriores. Muitas são inéditas.

Em 2013, por ocasião dos violentos protestos de junho, ocorreu-lhe a ideia de ligar todos os eventos e mostrar que eles compõem, na Esplanada, um grande mosaico da vida nacional, onde se misturam política em geral e reivindicações econômicas, comportamentais e culturais. Da chegada da seleção tricampeã de futebol, em 1970, à visita do papa João Paulo II, em 1980; dos protestos pelas eleições diretas em 1984 aos festivais de rock; das marchas pela paz às manifestações recentes com intervenção da Força Nacional de Segurança; além das quadras esportivas provisórias armadas para competições e tendas de circo, tudo pode entrar no novo filme.

Acompanhado de uma equipe enxuta mobilizada rapidamente, Vladimir Carvalho fica atento aos acontecimentos e, como um eterno repórter da capital, sai de casa e se põe a filmar sempre que algo chama a sua atenção. “Recentemente a Esplanada parecia a Queda da Batilha, com fogo, uma praça de guerra mesmo”, relembra. Entre as imagens marcantes está também a presença de três mil tratores trazidos pelos empresários do agronegócio organizados na União Democrática Ruralista (UDR). “Os tratores parecem muito com tanques de guerra”, comenta.

Conhecido como um profundo conhecedor de Brasília e amante da cidade, Vladimir promete imagens belas como, por exemplo, a de um único índio da etnia cuicuro que ficou acampado no imenso relvado em frente ao congresso numa pequena tenda, num protesto solitário pelas suas terras.

O filme não tem data para ficar pronto, mas há uma forte possibilidade do material ser concluído em 2018. “Gostaria de terminar esse filme quando a gente conseguisse superar a crise atual. A culminância da crise me interessa do ponto de vista dramatúrgico. Interessa-me seguir o que vem por aí.”

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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