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Ponte é elemento-chave no filme "Redemoinho". Foto: DivulgaçãoPonte é elemento-chave no filme "Redemoinho". Foto: Divulgação

Aquela véspera de Natal se encaminhava para ser igual às outras: reunião de família, comida à mesa, cerveja a gelar, operários na expectativa de largar para começar logo a festa. Era assim que sucederia a vida e a noite de Luzimar (Irandhir Santos) se um movimento do destino, um "redemoinho", não acontecesse de maneira abrupta e assaltasse seus planos do dia. Um redemoinho chamado Gildo (Júlio Andrade), um velho amigo de infância que retorna para a cidade de Catagueses, em Minas Gerais. Usando como mote esse reencontro, o diretor José Luiz Villamarim (Amores roubados; Justiça) e o roteirista George Moura se unem num cinema de falsas "calmarias", pois carregado de passado, traumas e uma tensão crescente entre o ambiente e “pessoas-narrativas” apresentadas. O longa estreia nesta quinta-feira (9/2) nas salas brasileiras.

Se, no mar, um redemoinho é causado pelo encontro de águas frias e quentes, numa temperatura amena, impulsionado por ventos circulares, no filme, o redemoinho é uma metáfora causada por memórias, intrigas e um enredo que induz uma inquietação a quem assiste. Desde os primeiros momentos do reencontro dos velhos amigos, é notável uma tensão por parte de Luzimar, que – não uma única vez – é encoberta pela arrogância de Gildo, um homem saído da cidade, formado pela São Paulo caótica, gabando-se de ter um bom carro, dinheiro para “levar minhas filhas pra Disney” e uma vida mansa. É um encontro furtivo de passado e futuro, ao tempo em que o personagem de Irandhir se locomove de bicicleta pela cidade.

É interessante notar que, em Redemoinho, os elementos se conectam, seja com os próprios diálogos de Luzimar e Gildo, seja com a repetição de cenas de uma ponte (seria o nome redemoinho somente uma escolha metafórica para os conflitos do passado, ou uma forma bem clara de dizer que tudo gira em torno deste local?), a primeira cena no longa. Na verdade, as imagens iniciais aparacem fragmentadas em diversas partes do filme, sendo apresentadas em momentos oportunos. Guarde esta ponte, pois é aqui que toda a retroatividade se explica.

Quando Zunga, personagem de Demick Lopes, é apresentado, é natural se criar "pouco-caso". Bêbado, vestido de farrapos, poderia ser somente um personagem para aproximar a ficção da realidade, afinal existem bêbados em qualquer cidade. Mas não o é. Zunga está intrinsecamente ligado à ponte, tal como Luzimar e Gildo. Se numa cena o personagem, caracterizado como louco por Luzimar, atira uma garrafa de bebida nas águas do rio, em outra, sua mãe, Dona Bibica (Camila Amado), atira flores como num velório.

AMBIENTAÇÃO
A união entre Villamarim, George Moura e Walter Carvalho, diretor de fotografia, deram a Redemoinho um set atraente, ao ponto de se não conseguir imaginar um outro local mais propíco para a história do que Catagueses. Conseguindo extrair da cidade sua vida, imprimindo-a para o cinema, a direção consegue um grande êxito ao explorar a vivência cotidiana, seja com a própria poesia por trás da ponte, seja com vislumbres das casas simples, o aspecto rural e pobre, com um trem de comércio temperando as cenas aqui e ali. É até mesmo agradável prestigiar os longos minutos dedicados inteiramente às paisagens, proporcionando uma realidade tão palpável que, de fato, parece que somos jogados para dentro da tela.

Retroativo e de roteiro envolvente, quem assistir a Redemoinho pode soçobrar na vida de Luzimar, Gildo e Zunga por dias, como este que vos escreve. Sem delongas, é poesia transformada em sétima arte, valendo a pena conferir o primeiro longa-metragem dirigido por Villamarim. 

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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