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Huang e Toutou protagonizam o encontro entre gerações. Foto: ReproduçãoHuang e Toutou protagonizam o encontro entre gerações. Foto: Reprodução

O chá para a cultura oriental, especialmente a chinesa, transcende seus benefícios à saúde: significa história e cultura milenar. Canta uma lenda que foi um imperador chinês quem descobriu o chá, ao ferver algumas folhas em água quente; já outra diz que a planta nascera quando um monge budista arrancou os próprios cílios como dívida de uma promessa a Buda. A origem, embora incerta, revela a coluna vertebral dessa bebida indispensável aos chineses: a tradição. Tradição esta que é apresentada, de forma bastante clara, no curta do paulistano Bob Yang, O chá do general, que integra a programação do III MOV – Festival Internacional de Cinema Universitário, nesta sexta (3/2), às 19h, no Cine São Luiz, e, em seguida, do Festival de Cinema UCAM, na Cidade do México, entre os dias 22 e 28 de fevereiro.

Entretanto, muito mais do que ratificar a importância do chá para os chineses, o filme se propõe a refletir as fronteiras que, supostamente, separam tradição e modernidade. É, na verdade, um encontro despretensioso entre o velho e o novo, estes representados, ou encarnados, nos personagens Huang – um general chinês aposentado – e Toutou, seu neto. Os primeiros sinais deste encontro se dão quando o menino, em aula de caligrafia chinesa com o avô, pinta as unhas ao invés do papiro e, tendo se recolhido no quarto do avô, veste-se de anéis, colares e uma espécie de coroa, que faz lembrar as cenas iniciais do belga No caminho das dunas, de Bavo Defurne. O curta, antes de se ter a noção deste encontro, parece que vai focar nas questões de gênero e identidade, que tanto reverberam em debates sobre direitos humanos. No entanto, é apenas um "feixe" de atualidade – se é que podemos chamar essas questões de algo novo – que se choca com a tradicionalidade de Huang. Aqui, há um conflito de gerações, de tempos e de história, muito mais do que se ver como uma menina.

É interessante notar, no decorrer da narrativa, como os elementos contemporâneos se introduzem e penetram-se no meio do avô. São atos simples, porém, carregados de simbologia nada subliminar: seja introduzir garfo e faca na hora do jantar, seja mostrar ao avô que o mesmo jogo de tabuleiro analógico pode ser jogado no tablet do menino. O roteiro cumpre com sua proposta.

Uma atenção deve ser dada, também, ao modo como a narrativa se construiu de maneira visual. Desde o começo do curta até quase o final, o único cenário é o apartamento do avô – o que acaba deixando, na garganta de quem assiste, uma sensação claustrofóbica. Entretanto, e aqui está um dos triunfos de O chá do general, é quando Toutou abre a boca que sabemos o motivo da claustrofobia: ele não sabe falar chinês, e dessa forma, as palavras de seu avô não lhe eram compreendidas. Eis aí o motivo do menino não pronunciar uma única palavra. Logo após, quando o neto guia seu avô para fora do apartamento, descobrimos que eles não estavam na China, mas no Brasil. De toda forma, os efeitos desse encontro se perpetuam mais pela atuação de Tony Lee, o avô, do que por palavras.

Minutos passam sem se contar ao assistir O chá do general, e deixa uma leve, mas pertinente reflexão de que o velho não pode e nem deve ser substituído pelo novo. No entanto, podem ambos encontrar caminhos de sobrevivência mútua e de adaptação.

capa 198
CONTINENTE #198  |  Junho 2017

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