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Tendas, barracas e contêineres se espalhavam na selva de Calais. Foto: ReutersTendas, barracas e contêineres se espalhavam na selva de Calais. Foto: Reuters

Realizadores Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval registraram os refugiados no Calais Jungle, montado – e desmontado – na França


Em fevereiro de 2016, Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval, um casal de realizadores franceses, começou a frequentar o Calais Jungle, o maior campo de imigrantes e refugiados da França, quiçá do continente europeu. Os dois saíram da sua casa, na Normandia, e percorreram centenas de quilômetros para chegar à cidade que, desde 1999, sediava abrigos para refugiados. Tendo o Canal da Mancha à sua frente, Calais demarca a fronteira marítima com a Inglaterra. Klotz e Perceval queriam documentar a vida daquelas pessoas que integram o vasto contingente em travessia – dados da Organização das Nações Unidas apontam que, ao fim de 2015, havia 65,3 milhões de refugiados em situação de “deslocamento forçado” no planeta.

Temos muita liberdade para trabalhar nos projetos que escolhemos, pois temos câmeras e uma ilha de edição em casa, então podemos não nos importar com dinheiro. Fazemos filmes sem orçamento algum. Elisabeth e eu mudamos as condições de trabalho para não ter que confiar no sistema do cinema comercial. Essa perspectiva condiciona como as pessoas vão ver os filmes e o dinheiro que financia esses mesmos filmes. Nesse sistema, não se filmam os problemas políticos. Por exemplo, se fôssemos pedir dinheiro para filmar um campo de imigrantes, demoraria muito tempo”, narraria Klotz à Continente oito meses depois.

Corria o mês de outubro de 2016 e ele, jurado na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, estava na capital paulista também para exibir o média-metragem Mata Atlântica. Como em todos os outros títulos já exibidos no festival paulistano, a exemplo de Pária (2000), A ferida (2004), A questão humana (2007) e Low life (2012), tratava-se de uma parceria – Elisabeth roteiriza, Nicolas dirige. Na filmografia do par, evidencia-se o olhar sobre os invisíveis, aqueles que estão à margem da imagem e das representações – os imigrantes, os moradores de rua, “todos os excluídos”, como resumia o cineasta. Mas o foco nunca é reducionista. “Cineastas não são jornalistas e tenho problemas com filmes que tentam apenas fazer jornalismo. Gostamos de cinema, Elisabeth e eu, e trabalhamos nesse sentido”, acrescentou.

Leia matéria na íntegra na edição 194 da Revista Continente (Fev 2017)

capa 196
CONTINENTE #196  |  Abril 2017

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