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 Para a atriz Djin Sganzerla, fazer Sylvia Plath é um misto de prazer com desafio. Foto: Wilson Melo/DivulgaçãoPara a atriz Djin Sganzerla, fazer Sylvia Plath é um misto de prazer com desafio. Foto: Wilson Melo/Divulgação

 

 

[...] qualquer abordagem que faça ao texto de alguém, como Sylvia Plath, que se matou em plena produção literária, dificilmente poderá evitar um curioso efeito de leitura: a impossível dissociação entre o fantasma da escritora (cujo suicídio funciona como uma presença inarredável) e a construção do texto. Produz-se, assim, algo como se a sombra do suicídio da autora tivesse caído permanentemente sobre o texto, de maneira que o leitor se vê à procura dos anúncios desse destino trágico em meio às linhas que lê, campo onde estariam inscritas as pegadas que, se seguidas, poderiam lhe mostrar o caminho que levou a escritora ao autoextermínio.

 

Nesse trecho do livro A poética do suicídio em Sylvia Plath, a autora Ana Cecília Carvalho procura ressaltar os modos pelos quais os impulsos da escritora norte-americana relacionam-se aos limites da escrita literária em sua dupla face funcional e disfuncional. Sylvia Plath foi poetista, romancista e contista reconhecida principalmente pela sua obra poética e creditada por dar continuidade ao gênero de poesia confessional, iniciado por Robert Lowell e W.D. Snodgrass. Os seus trabalhos passearam pelo livro de poesia O colosso e outros poemas, único publicado por ela em vida; pelo romance semiautobiográfico A redoma de vidro, onde conta seu histórico de luta contra a depressão; Ariel, livro que reúne alguns de seus poemas, livro de contos e poesias; Johnny Pannic e a Bíblia dos sonhos; além dos inéditos poemas em A coleção de poemas. Afora isso, o filme Sylvia – Paixão além das palavras.


Esta semana, nos dias 1º (quinta), 2 (sexta) e 3 de dezembro (sábado), o público poderá conhecer mais da história dela, através do espetáculo Ilhada em mim - Sylvia Plath, em cartaz na Caixa Cultural Recife. O espetáculo é uma montagem da paulistana Cia Lusco-Fusco, protagonizada pela atriz Djin Sganzerla e pelo ator e também diretor da peça, André Guerreiro Lopes. Com texto de Gabriela Mellão, o espetáculo busca compartilhar com o público toda a intensidade da poetisa, uma mulher inquieta e angustiada com os inúmeros papéis que deveria exercer na sociedade.

Para Guerreiro Lopes, a força poética e revolucionária de Sylvia Plath, seus tormentos internos, o conflito com as convenções sociais dos anos 1950 e a relação de amor obsessivo com o poeta Ted Hughes são abordados no espetáculo em um registro que se distancia do realismo e da linearidade.

 

“Mais do que narrar a vida de Sylvia Plath, busquei transpor poeticamente para o palco seu universo único, paradoxal, cheio de contrastes e oposições, criando um poema cênico”, explica o diretor.

 

Para a atriz Djin Sganzerla, representar Sylvia Plath é uma mistura de muito prazer com desafio: “Passo por muitos estados físicos e emocionais na peça, acho essa é parte da riqueza da montagem, o público se deparará com a complexidade humana desta mulher”.

SOBRE SYLVIA
Em 11 de fevereiro de 1963, aos 30 anos de idade, o que já estava pré-transcrito em seus poemas foi consumado: a escritora se suicidava em Londres, inalando gás em seu apartamento, onde morava com seus dois filhos, poucos meses depois de ter se separado do marido, o poeta inglês Ted Hughes. A morte de Plath aconteceu em meio a uma intensa produção poética, que haveria de incluí-la, por fim, entre as autoras mais importantes do século XX.

Por trás do sorriso de Sylvia, uma luta contra a depressão. Foto: InternetPor trás do sorriso de Sylvia, uma luta contra a depressão. Foto: Internet


Para muitos, ler os últimos escritos de Sylvia foi uma tentativa de compreender a depressão que a dominava. Acreditava-se que a leitura dos seus textos ajudaria a compreender a vida da mulher brilhante, solitária e suicida que se tornou célebre do dia para noite, da mesma forma que ceifou a vida. Muitos viram, na obra dela, a sua vida reescrita em forma artística. Acreditava que nascia ali o culto à personalidade de Sylvia Plath. Os textos mostravam a dificuldade que a autora tinha no casamento, os casos extraconjugais do ex-marido e as noites insones que a escritora passou, creditadas à infelicidade na vida a dois.

O espetáculo Ilhada em mim - Sylvia Plath é sempre às 20h e a classificação indicativa é 12 anos.

Serviço:
Ihada em mim - Sylvia Plath
De 1º a 3 de dezembro na Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Recife Antigo), às 20h
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia), com vendas a partir do dia 1º de dezembro
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 60 minutos

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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