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"Rosa dos ventos", de Cícero Dias, no Marco Zero. Foto: Breno Laprovítera/Divulgação"Rosa dos ventos", de Cícero Dias, no Marco Zero. Foto: Breno Laprovítera/Divulgação

Obras art
ísticas espalhadas pelo Recife são alvo de projeto de identificação e catalogação, através do qual é possível vislumbrar a relação arte-história

Certa vez, na casa de número 8 da Rua Aprazível, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o artista Cícero Dias mergulhou em suas tintas para montar, durante três anos, uma de suas obras mais significativas e um dos expoentes do modernismo brasileiro: a pintura Eu vi o mundo… Ele começava no Recife, de 1930, que somente foi exposta na 8º Bienal de São Paulo, no ano de 1965. Hoje, quem anda pelo Marco Zero, no Bairro do Recife, ou já viu a famosa praça em fotos, encontra uma descendente dessa pintura. Rosa dos ventos, desenhada no piso do centro da praça, é obra de Cícero Dias e foi inspirada na tela. Uma simbologia plausível: se o mundo começava no Recife, deveria começar exatamente onde nasce a cidade. Ao lado de vitrais, murais e esculturas, Rosa dos ventos compõe um Recife pouco notado: a “cidade-museu”, uma exposição permanente, em que ruas, becos e avenidas funcionam como uma galeria de arte livre à visitação. A esse conjunto de objetos artísticos dispostos em locais públicos dá-se o nome de arte pública.

Quando José Guilherme Abreu, doutor em História da Arte Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, definiu esse tipo de arte como de caráter memorável, qualificadora do meio urbano e arquitetônico, além de se constituir em local de devoção, parecia retratar – em poucas palavras – o cenário da arte pública recifense. Uma vez, também, o escultor Siah Armajani referiu-se a essas obras de arte como não sendo somente criadas a partir de uma construção artística, mas também de uma produção social e cultural, baseada em necessidades. “Cada obra traz uma memória da cidade, da história, das pessoas que viveram e vivem naquela época. É isso. É a arte da memória”, define também Lúcia Padilha, uma das organizadoras do Recife Arte Pública, projeto que pretende justamente mapear esse acervo disposto pelo Recife e que conta com obras da autoria de Francisco Brennand, Abelardo da Hora, Lula Cardoso Ayres, Corbiniano Lins, entre outros artistas.

A ideia do projeto partiu da escultura de um caranguejo em metal, erguida às margens do Rio Capibaribe, na Rua da Aurora. Idealizado pelo artista plástico Augusto Ferrer, executado por Eddy Polo e Lúcia Padilha, o monumento Carne da minha unha, homenagem a Chico Science e Josué de Castro, inspirou Padilha a observar a cidade sob o ponto de vista artístico, ou seja, da perspectiva de que existem obras como aquela “em cartaz” em várias partes do Recife. O mapeamento das obras começou “pelo centro, onde o Recife nasceu, o Marco Zero. Existem, lá, o Parque de Esculturas de Brennand, e o desenho de Cícero Dias no Marco Zero. A cidade já começa com duas obras bem significativas”, explica Padilha, em entrevista à Continente, que conta, neste projeto, com colaboradores como Janaína Cardoso, na produção, os educadores Niedja Santos e Hassan Santos e os fotógrafos Breno Laprovitera e Nando Chiapetta.

Desde 2013, quando foi aprovado pelo Funcultura, o Recife Arte Pública publicou, gratuitamente, um livreto visual com as esculturas encontradas ao longo das zonas do Recife, dispostas num mapa. Ampliado desde então, o projeto conta com o site www.recifeartepublica.com.br, em que o primeiro livreto – com mais de 100 obras catalogadas – está disponível. Além deste, há pretensões de se produzir outras publicações dedicadas a vitrais e murais e, futuramente, juntá-las num único livro. “Essas obras de arte, vitrais e murais, além de serem arte, fazem parte da arquitetura. Não são obras de arte isoladas. Elas interagem com a arquitetura, em que estão inseridas”, destacou Lúcia Padilha, que é arquiteta e arte-educadora. Porém, mais do que estabelecerem um diálogo com a arquitetura, as obras de arte pública estabelecem um fio narrativo visual com as páginas dos livros de História, como uma reverberação do passado, discutido no presente, por meio de objetos em pedra, bronze, mármore, tinta e vidro.

Leia matéria na íntegra na edição 196 da Revista Continente #abril 2017

capa 198
CONTINENTE #198  |  Junho 2017

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