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"A vida na floresta", xilogravura de J.Borges"A vida na floresta", xilogravura de J.Borges
Perpetuar a memória nordestina na madeira é o que José Francisco Borges, ou J. Borges, vem fazendo desde que era um 
jovem da roça em Bezerros, no interior de Pernambuco. Sendo um dos primeiros Patrimônios Vivos do estado, caracterizado também por Ariano Suassuna como o melhor gravador do Nordeste, ele é destaque da mostra que a Caixa Cultural Recife recebe, sob o título J. Borges 80 anos, uma “mostra-homenagem” aos 80 anos do artista, com 30 xilogravuras, sendo 10 inéditas. A mostra estará em cartaz a partir da quarta-feira (21/12), indo até o dia 12 de fevereiro de 2017. A entrada é gratuita e a visitação pode ser feita das terças-feiras aos sábados, das 10h até as 19h e aos domingos, das 10h às 17h.

Filho de agricultores, Borges nasceu em 20 de dezembro de 1935. Acostumado desde cedo ao trabalho, seu manuseio com a madeira é antigo, quando produzia colheres de pau para vender na feira da região. Aventureiro por conta própria, ou autoditada, se assim preferir, como bem rege o Sagitário de seu dia, encontrou na poesia do cordel uma janela para o mundo, uma brecha para a informação. Em outras palavras, o cordel – que seu pai trazia da feira – foi sua escola. Assim, em 1964 lançou seu primeiro folhetoO encontro de dois vaqueiros no Sertão de Petrolina, com xilogravuras de Mestre Dila. Estimulado pela alta vendagem, escreveu o segundo folhetode nomeO verdadeiro aviso de Frei Damião sobre castigos que vêmresponsável por introduzi-lo na xilogravura simplesmente porque, na época, Borges não tinha dinheiro o suficiente para pagar um xilogravurista para rechear suas linhas com desenhos.

Uma década atravessou o tempo e os anos 1970 concederam-lhe o estrelato. Ampliando suas entalhações nas madeiras, passando a retratar outros cenários que via e observava, suas obras cruzaram o oceano e exposições suas ao redor do globo começaram a ser feitas. Países como Alemanha, Venezuela, Suíça, Estados Unidos, etc, deram ao artista de Bezerros um reconhecimento mundial.

Existe uma sintonia nas xilogravuras de J. Borges. Filho do Agreste, vivenciou a cultura nordestina tradicional que ainda não tocada pelas tecnologias da modernidade ou pelas buzinas dos centros urbanos apertados e sufocantes. Talvez, justamente por essa vivência, as obras do artista se baseiam no cotidiano do povo nordestino. Ao observarmos o que já fez, encontramos a vida do pobre entalhada 
na madeira, a história do cangaço, a religiosidade, enfim, tudo aquilo que faz parte da cultura popular do povo. “Estou trabalhando aqui, na região, há mais de 70 anos. Gravo e escrevo aquilo que eu vejo”, afirma José Borges, em entrevista à Continente. 

J. Borges | Foto: DivulgaçãoJ. Borges | Foto: Divulgação

Minha obra preferida é A chegada da prostituta no céu porque vendeu mais”, revela o artista, entre risos. O cordel está estimulado em mais de 120 mil exemplares vendidos, o que nos leva a pensar a importância do reconhecimento para um artista popular. O sucesso de vendas pode estar relacionado não só a popularidade do xilógrafo, mas também pelo próprio tema proposto por Borges. Em A chegada, temos a prostituta sem nome, podendo ser uma representação - se permitir à mente um devaneio - de todas as mulheres que trabalham com o sexo. Em antagonismo a ela(s), a visão da sociedade ainda conservadora sobre a profissão. É uma saga, por assim dizer, de uma mulher que "o povo sempre dizia/ ela vai para o inferno/ pelos atos que fazia". Eis que ela acaba indo para o céu, sofrendo relataliação até mesmo dos santos (religiosidade do povo) pela sua conduta que, nada mais "borgiano", não se apagou quando cruzou o portão do céu sob a proteção de São Pedro. Pensar nesse folheto específico é pensar não somente na cultura nordestina, mas também brasileira. Permite uma interpretação, ou reflexão, mais profunda de nossos atos, valores e moral, mas deixa um amargo gosto da inexpugnável hipocrisia brasileira na garganta. 

"A chegada da prostituta no céu" | Foto: Reprodução"A chegada da prostituta no céu" | Foto: Reprodução   


"Ele foi e disse a Jesus 

que ela era depravada 
Jesus respondeu calmo 
deixa essa pobre coitada 
se na terra sofreu tanto 
como vai ser castigada?"

OUTRAS ATIVIDADES
Além de suas próprias obras, a mostra apresentará ao público as xilogravuras assinadas por J. Miguel e Manassés Borges, filhos e aprendizes do bezerrense. Seu outro filho, Bacaro Borges, ministrará oficinas francas da técnica nos dias 17, 18 e 19 de janeiro, das 9h às 12h e das 13h às 17h. Será preciso formar uma turma de 25 participantes em cada, com idade mínima de 24 anos. As inscrições começam no dia 8 de janeiro e vão até o dia 15 do mesmo mês, através do e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 

Serviço:
J. Borges 80 anos
De 21 de dezembro a 12 de fevereiro de 2017. Das terças aos sábados, das 10h às 19h. Aos domingos, a partir das 10h às 17h
Caixa Cultural Recife, Avenida Alfredo Lisboa, 505, Recife Antigo, Recife - PE
Acesso gratuito
(81) 3424-1915

capa 198
CONTINENTE #198  |  Junho 2017

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