×

Aviso

Please enter your DISQUS subdomain in order to use the 'Disqus Comments (for Joomla)' plugin. If you don't have a DISQUS account, register for one here

Ricardo usa a técnica da "xilogravura fechada" para representar os orixásRicardo usa a técnica da "xilogravura fechada" para representar os orixás

O dia 20 de novembro ficou marcado pela morte de Zumbi dos Palmares no Pátio do Carmo, em frente à Basílica Nossa Senhora do Carmo, no longínquo ano de 1695. Degolado, sua cabeça ficou exposta em frente à igreja para advertir outros negros a não se rebelarem contra o sistema escravocrata. Quase três séculos depois, em 2003, foi incluído no Brasil o Dia da Consciência Negra, na mesma data da morte de Zumbi, como forma de homenagear o líder e a luta negra. Ao longo de novembro, Pernambuco adere ao Mês da Consciência Negra, que promove – além de debates e palestras de combate e alerta ao racismo – eventos que nos ajudam a entender o negro, sua importância cultural na sociedade e o empoderamento que se faz necessário através da arte. É o caso das exposições.

Trabalhando há quatro anos como cabeleireiro especialista em cabelos crespos, Félix Oliveira é idealizador da exposição Cabelos: uma questão de representatividade, em cartaz no Museu Cais do Sertão, onde pode ser vista até o dia 8 de janeiro de 2017. Ao todo, são 30 fotos de homens e mulheres, de autoria do fotógrafo Fernando Azevedo. “O cabelo transforma através do reconhecimento de nossa raiz. Na maioria das vezes, você nasce e já alisa o cabelo. Não se reconhece como negro”, comenta. “A descoberta do cabelo crespo é uma leitura do quão forte é a sua raiz, é você se olhar no espelho e se ler”, completa Félix, afirmando também que existe uma pressão maior em cima de mulheres negras para a mudança dos cabelos, uma vez “que muitas crianças negras alisam o cabelo muito cedo”. Para ele, a ideia de existir uma exposição como essa é para proporcionar à população negra um sentimento de ligação com as raízes que os conectam. Uma questão de identificação.

EM NOME DOS ORIXÁS
Ogum. Iansã. Iemanjá. Ewá. Oxalá. Estes são alguns orixás que compõem e governam diversos aspectos de Olorum, o criador do Céu e da Terra, conforme diz a fé umbandista. As histórias deles, além dos outros orixás que incrementam o panteão africano, estão representadas em xilogravuras na exposição História dos orixás, na Torre Malakoff. A abertura da exposição é nesta quarta (9/11), com a apresentação do Maracatu Várzea do Capibaribe, junto aos Tambores de Ogum, entoando saudações aos orixás. No dia 20, último da exposição, o encerramento apresentará o repertório do projeto Baque de Axé, com união dos maracatus Várzea do Capibaribe, Baque Mulher e Nação Porto Rico.

O xilogravurista Ricardo Pessoa, também arte educador, é o artista por trás das obras expostas. Especialista em "xilogravura fechada", aquela que é feita sobre fundo preto com detalhes em branco, o artista possui forte ligação com a cultura negra, uma vez que cresceu em contato com afoxés de Olinda. “Quando as pessoas viam minhas xilogravuras sobre os orixás, muitas choravam”, explica Ricardo, ao comentar sobre a ideia de fazer uma exposição específica sobre os orixás. A teoria do artista para explicar o motivo das lágrimas é, talvez, o fato de o fundo ser negro, carregando uma representatividade ainda maior na obra, além dos próprios personagens sagrados gravados ali.

Crítico à marginalização do povo negro, como ele mesmo define, Ricardo Pessoa pretende elevar a autoestima dos filhos da África que “contribuíram com o país, tanto culturalmente como em outras áreas”. E completa: “É importante a ligação com as raízes”.

capa 198
CONTINENTE #198  |  Junho 2017

banner documenta14 sidebar V2

banner Suplemento 316x314

publicidade revista

Facebook

SFbBox by casino froutakia