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Uma banda que se aprimora na estrada

Grupo instrumental potiguar Camarones Orquestra Guitarrística destaca-se através do boca a boca, prepara o segundo álbum e agenda turnê no exterior

TEXTO Thiago Lins

01 de Fevereiro de 2011

Quinteto, que se define como uma “banda de palco”, improvisa ensaios nos quartos de hotéis

Quinteto, que se define como uma “banda de palco”, improvisa ensaios nos quartos de hotéis

Foto Nicolas gomes/Divulgação

Trinta mil downloads, mil discos físicos vendidos, mais de seis meses em turnê pelo Brasil e datas confirmadas na América Latina afora. Os números da Camarones Orquestra Guitarrística – que em três anos não contabiliza, propriamente, um sucesso radiofônico, até por ser uma banda instrumental – apontam para a revisão de parâmetros imposta pela era virtual: hoje, o boca a boca, ou melhor, o peer-to-peer, soma mais do que o jabá.

“A gente começou a bombar de 2008 para 2009”, conta o articulado Anderson Foca (efeitos), que, junto com sua mulher, Ana Morena (baixo), se divide entre o Camarones e as ações da produtora DoSol, responsável pelo festival homônimo que acontece em Natal e vem marcando a cena independente local. Foi no DoSol, aliás, que a banda fez uma de suas apresentações mais importantes, segundo Foca. Começaram a surgir os convites, como o do festival Rec-Beat 2009, que, ao longo de 15 anos, cresceu a ponto de deixar de ser uma “alternativa” ao carnaval do Recife, agregando até os foliões mais tradicionais. Foi a esse festival recifense que se seguiu uma reunião de autocrítica da banda: era a hora do “vai ou racha”, o dilema que mais cedo ou mais tarde chega para quem quer viver no tortuoso mundo da música.

E por ele passaram bem, como mostra a história. O primeiro bom fruto foi o CD que leva o nome da banda. Gravado há um ano, o álbum apresenta um quinteto azeitado, que, apesar do pouco tempo de formação que tinha à época, se valeu da experiência adquirida em outros projetos. Camarones Orquestra Guitarrística intriga faixa a faixa, mesmo sem um refrão para o ouvinte cantar junto. Ousados, os Camarones conseguem driblar os clichês e, ainda assim, atingir o pop. As 11 faixas da bolachinha vão da surf music à new wave, passando por outros estilos, como reggae e ska, sem perder o compasso. Além de Foca e Morena, completam o grupo o baterista Xandi Rocha e os guitarristas Karina Monteiro e Leo Martinez. O quinteto, como gosta de sublinhar Foca, é uma banda de palco: “Gravamos pensando em como o disco vai soar ao vivo”.

E soa bem, o que é resultado do incessante modo de produção do grupo. Sem tempo de sobra para entrar em estúdio, os Camarones desenvolveram uma logística on the road. Passagem de som virou ensaio, quarto de hotel virou estúdio. É assim que Leo Martinez e Foca desenvolvem a maior parte do repertório do quinteto, que já trabalha no segundo disco, ainda sem título. O que pode ser dito, por enquanto, é que será lançado via web, com apoio da Petrobras. Junto com Móveis Coloniais de Acaju e Nancy, duas bandas candangas, os Camarones ficaram entre as três únicas bandas pop contempladas no edital Petrobras Cultural, geralmente mais voltado para a música regional. O prêmio, além de divulgação na rede, inclui a gravação do CD.

Foca adianta, ainda, que a produção fica a cargo do ex-Forgotten Boys Chuck Hipolitho, que passou o mês de janeiro com os potiguares, no seu estúdio em São Paulo, o Costella. Apesar de Foca e Hipolitho terem começado os primeiros registros do segundo álbum desde o ano passado (sem o resto da banda, com os dois se revezando nos instrumentos), não houve discussão em torno de um suposto conceito para o sucessor de Camarones Orquestra Guitarrística. Como uma boa banda de palco, devem levar a gravação no improviso, mas sem deslizar. 

THIAGO LINS, repórter especial da revista Continente.

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