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Pierre Verger: Registros de um Brasil à época desconhecido

TEXTO Danielle Romani

08 de Janeiro de 2020

Pierre Verger viajou pelo mundo e o registrou com suas lentes. Entre 1932 e 1946, o fotógrafo percorreu países da Oceania, Africa e América Latina, fixando-se no Brasil, mais especificamente na Bahia, fascinado pela cultura local, seus costumes e religião. Avançando pela costa nordestina, chegou a Pernambuco em 1947. Nas suas andanças, além de memoráveis fotografias do carnaval de rua, capturou os personagens da cultura popular local, entre os quais Mestre Vitalino.

O encontro originou registro do processo criativo de Vitalino, da coleta do barro à comercialização dos objetos na feira de Caruaru, material que dá corpo à exposição Arte do barro e olhar da arte – Vitalino e Verger, sob curadoria do antropólogo e museólogo Raul Lody, no Instituto Cultural Banco Real. Para o curador, o olhar de Verger sobre os bonecos de Vitalino credita a relevância do trabalho artesanal. “Sua maestria possibilitou eternizar no barro moldado, cozido e pintado, as memórias da vida no agreste, e com elas a fama e a valorização no mercado de arte”, pontua.

Pertencentes ao acervo da Fundação Pierre Verger (BA), as 109 fotografias que compõem a mostra prestam homenagem aos 100 anos de nascimento de Mestre Vitalino. “Pretendemos trazer ao grande público a importância desse simples artesão que, com suas peças, divertiu e ensinou a tantas crianças que estavam manuseando o registro das suas próprias vidas”, afirma Carlos Trevi, coordenador do Instituto.

Por dominar o pífano, Vitalino chegou a gravar 15 músicas que, agora recuperadas em mídia digital, poderão ser ouvidas na exposição. O público ainda terá acesso a imagens em vídeo, leituras da obra de Verger e trechos do documentário Adão foi feito de barro, do cineasta Fernando Spencer, filmado no Alto do Moura.

Entre os meses de junho e agosto, o Instituto Cultural Banco Real também promoverá o seminário Encontro com Manuel Vitalino – Histórias e memórias de Mestre Vitalino. O Manuel em questão é filho de Vitalino. Os encontros esperam oferecer ao público a oportunidade de ouvir relatos sobre a vida do ceramista.

MUSEU DE ARTE POPULAR
Ainda em comemoração ao centenário, o Museu de Arte Popular reúne, na mostra Vitalinos, 32 peças do artista, e trabalhos de Zé Caboclo, Manoel Eudócio, Zé Rodrigues, entre outros mestres do barro, imagens fotográficas inéditas, textos e documentários. A abertura será no dia 12 de junho, às 19h, na sede do MAP (Pátio de São Pedro, 49, São José). 

DANIELLE ROMANI, repórter especial da revista Continente.

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