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50 anos de 'Formação econômica'

TEXTO Eduardo Henrique Accioly Campos

01 de Dezembro de 2009

Celso Furtado

Celso Furtado

Foto Reprodução

[conteúdo vinculado à reportagem de "Leitura" | ed. 108 | dezembro 2009]

O país homenageia os 50 anos
do lançamento de Formação econômica do Brasil, através de seminários, exposições, edição comemorativa e estudos sobre esta obra do economista Celso Furtado, que o projetou como um dos grandes intérpretes da sociedade brasileira. O livro é, nas palavras do autor, um afresco no qual cada segmento estruturado induz uma sugestão para o leitor continuar pensando e questionando, ajudando cada geração a captar a realidade nacional e identificar os seus verdadeiros problemas.

Formação econômica do Brasil incorporou, nos poucos meses de sua concepção, a intensa experiência de um jovem economista: desde a elaboração da sua tese de doutoramento na Sorbonne (1948), na qual Celso Furtado estudou a economia colonial brasileira, à sua experiência de uma década na implantação da Cepal e à discussão sobre o subdesenvolvimento nos debates que se seguiram em importantes universidades dos países industrializados. Este texto basilar está lastreado em estudos prévios, como o artigo Características gerais da economia brasileira (1950) e os livros A Economia brasileira: Contribuição à análise de seu desenvolvimento (1954) e Perspectiva da economia brasileira (1958).

Uma das características marcantes de Formação econômica do Brasil é o fato de, simultaneamente ao grande painel que apresenta da dinâmica econômica e social do país, desde a época colonial, registrar as desigualdades regionais que vão sendo construídas e consolidadas nessa evolução, mostrando as raízes que marcaram as grandes diferenças sociais e econômicas entre as populações nacionais. Em tal painel, o Nordeste se destaca.

Aqui, cabe mencionar que dois trabalhos de Celso Furtado, que definiram sua política de desenvolvimento para o Nordeste e orientaram a ação da Sudene, publicados ambos em 1959 – Uma política de desenvolvimento econômico para o Nordeste e Operação Nordeste –, não podem ser dissociados de Formação econômica do Brasil. Estavam explícitos, aí, com suas cores fundamentais, os determinantes do diagnóstico e das propostas que depois seriam incorporados nos planos diretores da superintendência federal.

No entanto, a obra de Celso Furtado evidencia não somente os determinantes da questão regional, ao estudar o “complexo nordestino”, a economia escravista mineira, a gestação da economia cafeeira e suas crises e a industrialização do país concentrada no Sudeste. Também aborda temas que permanecem na pauta de discussão dos problemas mais relevantes da sociedade brasileira. A concentração pessoal e regional da renda; os mecanismos de socialização das perdas e as transferências de renda que penalizam as populações e regiões mais atrasadas; o problema da mão de obra, das relações de trabalho e do deslocamento da população; os desequilíbrios externos; o papel ativo e regulador do Estado no desenvolvimento econômico e social e o caráter singular e histórico do desenvolvimento das sociedades – estão presentes em Formação econômica, atestando a sua atualidade.

O vasto painel analisado por Celso Furtado, há 50 anos, continua a influenciar não só a geração à qual o autor se referia em 1959, mas sucessivas gerações, tanto no esforço de compreensão da realidade econômica e social como na concepção de propostas e de saídas para os desafios do tempo presente. Formação econômica do Brasil constitui-se um marco permanente de referência para todos os que pretendem transformar o país em uma sociedade mais justa e solidária, a partir da consciência dos seus problemas fundamentais. 

EDUARDO HENRIQUE ACCIOLY CAMPOS, economista e governador do Estado de Pernambuco.

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