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Entrevista vinculada à matéria da seção Leitura da edição 199 da Revista Continente (julho 2017)

Matías Alinov. Foto: DivilgaçãoMatías Alinov. Foto: Divilgação
Nascido
em Buenos Aires, formado em Física, autor de três livros sobre ciência, um romance, contos, peça de teatro e, agora, também de literatura infantil, Matías Alinovi não concorda com o lugar-comum de que as crianças atuais leem menos. Diz que é um erro que os livros hoje precisem ser interativos e demasiado interessantes para atrair a atenção dos pequenos.

CONTINENTE Como escritor, você acha que os livros vêm perdendo espaço para a tecnologia e a vida atarefada das crianças e jovens inquietos de hoje?
MATÍAS ALINOVI Não acho que a leitura tenha perdido espaço. Há cada vez mais editoras infantis e livros para crianças sendo publicados. É muito difícil substituir o encanto de um livro. As crianças continuam lendo, não apenas em livros. É verdade que nem sempre coisas profundas. Mas a leitura está aí, na internet ou nos livros.

CONTINENTE Vivemos numa época em que a internet e a dispersão põem em xeque o interesse pela leitura.
MATÍAS ALINOVI O mesmo deve ter sido dito quando a imprensa foi criada: é o fim do livro. Mas outro dia li para os meus filhos Relato de um náufrago (de Gabriel García Márquez). Eles adoraram, a história atraiu a atenção deles, apesar de serem crianças que vivem com computador, conectadas à internet.

CONTINENTE Sabemos que os argentinos têm a cultura da leitura maior do que outros países. Há muitas livrarias e é comum vê-los lendo livros e jornais em transportes públicos. Você percebeu esse interesse das crianças na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires este ano?
MATÍAS ALINOVI Sim, as crianças têm interesse na Feira Internacional do Livro, e o meu foi um dos mais vendidos no estande da editora. É verdade que tem muito a ver com a cultura, pela influência europeia, talvez, na cultura argentina.

CONTINENTE Os livros precisam ser mais interativos, com sons, recortes, relevos e conteúdo na internet, para atrair e reter a atenção das crianças hoje em dia?
MATÍAS ALINOVI Não entendo por que fazem livros tão interativos hoje em dia. Acredito que essa não seja a solução. O tédio e a complexidade são inerentes à leitura. A complexidade é o que faz com que a leitura se sustente. Este é um valor muito desdenhado atualmente, embora seja um grande valor. O que faz com que Homero (autor de Odisseia) seja tão interessante? É divertido, leve? Não! A história precisa ser bem-contada. Se isso acabar na literatura, nada mais restará.

capa 199
CONTINENTE #199  |  Julho 2017

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