Clique ao lado para visualizar o sumário da nova CONTINENTE.

Perfil

Um homem-patrimônio

Mestre pantaneiro Agripino Soares de Magalhães comemora 100 anos como um dos últimos artesãos de viola de cocho do Mato Grosso do Sul

TEXTO E FOTOS OLÍVIA MINDÊLO

01 de Novembro de 2018

Agripino Soares de Magalhães completou um século em junho

Agripino Soares de Magalhães completou um século em junho

Foto Olívia Mindêlo

[conteúdo exclusivo para assinantes | ed. 215 | novembro de 2018]

A viola? Tá aí; tá aí escondida! Guardada, presa, marada”, responde seu Agripino com a língua vibrando nos erres (lê-se éres), fala própria dos que habitam as terras alagadas de um Brasil profundo, bonito. “Sou filho de Mato Grosso,/ não nego meu natural./ Moro na Cidade Branca,/ capital do Pantanal”, canta o mestre cururueiro. Os versos pertencem a uma cultura pantaneira na qual Agripino Soares de Magalhães firmou sua existência como artista brincante e luthier de viola de cocho, instrumento artesanal e patrimônio imaterial brasileiro desde 2005, pelo Iphan.

A Cidade Branca, à qual ele se refere em sua canção, é Corumbá, cujo solo de formação calcária emoldura-se pelas águas do Rio Paraguai. Corumbá faz fronteira com a Bolívia e está distante cerca de 400 km de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, onde um dia tudo foi Mato Grosso. Justamente nela o artista fixou morada, depois de sair de Cuiabá (MT) com a “roupa do couro e uma redinha” em busca de trabalho. Tinha experiência com o roçado da família e parou no caminho para um serviço de extração de madeira. Logo depois, seguiu rumo a Corumbá num barco a vapor, em história que consta no livro Vozes do artesanato, organizado por Fabio Pellegrini, através da Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul.

Isso já faz tempo, ele tinha 15 anos e produzia viola de cocho desde os 13. Assim que chegou, seu Agripino realizou vários serviços: construiu barcos de puxar boi na Marinha e seguiu longo período como estivador no Porto de Corumbá, até o século passado um ponto bastante ativo na região, incluindo trocas internacionais. No tempo livre, ele fazia viola, tocava cururu. Hoje, este senhor centenário – em junho, ele completou 100 anos – resiste em seus dias simples e tranquilos de cidadão corumbaense, simbolizando a permanência de uma manifestação cultural cada vez mais rara no território mato-grossense-do-sul.


O instrumento do seu Agripino há 40 anos

É assinante
da Continente?

Ainda não? Contribua com o jornalismo de qualidade e assine a Continente.

Assine

Compre a edição do mês
por R$ 13

Assine nossa versão digital
para tablets e smartphones
por R$ 42 / ano

Assine a revista impresa
e ganhe a digital
por R$ 150 / ano

Publicidade

veja também

Eudes Mota

Cordel, patrimônio cultural do Brasil

Alex Dantas

comentários