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Entrevista

"O sucesso é transitório, nunca é permanente"

Compositor e sambista Martinho da Vila, que faz 80 anos neste fevereiro, fala das homenagens em torno da data, dos 50 anos de carreira, da sua relação com os filhos e sobre a música brasileira

TEXTO Cleodon Coelho

31 de Janeiro de 2018

Martinho da Vila faz 80 anos

Martinho da Vila faz 80 anos

Foto Leo Aversa/Agência Globo

[conteúdo na íntegra (degustação) | ed. 206 | fevereiro 2018]

Martinho da Vila já nasceu praticamente no meio da folia. Quando sua mãe, dona Tereza de Jesus, deu à luz, faltavam poucos dias para o Carnaval de 1938 tomar conta das ruas de Duas Barras, que fica a cerca de 190 quilômetros do Rio de Janeiro. Naquele ano, a festa contou com corso e batalha de confetes. Foi só o primeiro dos muitos carnavais do recém-nascido, cujo nome de batismo é Martinho José Ferreira. Hoje, prestes a completar 80 anos, no dia 12 de fevereiro, sua vida e obra se confundem com o próprio período momesco. “Tenho o maior orgulho de dizer que nasci no mês do Carnaval”, vibra o cantor e compositor, em bate-papo com a revista Continente.

Com uma enorme lista de sucessos em mais de 50 anos de carreira, que inclui Madalena do Jucu, Casa de Bamba, Disritmia, Ex-amor, Danadinho, danado, Mulheres e Tá delícia, tá gostoso, o artista festeja a data com o disco Alô Vila Isabeeeel!!!, uma ode ao bairro e à escola que o viram se transformar em um dos nomes mais queridos do Brasil. Com oito filhos, 10 netos (o décimo primeiro já está a caminho) e uma bisneta, ele ainda se surpreende com a nova realidade: “Quando esse lance dos 80 começou a ser muito falado, me dei conta de que nunca imaginei chegar a essa idade. E também não me sinto com o peso que ela imprime”, conta o pai de Mart´nália, Maíra Freitas, Analimar Ventapane e Tunico Ferreira, o Tunico da Vila, só para citar alguns.

Em sua terra natal, cidade com cerca de 11 mil habitantes, foi instituído o Ano Municipal Martinho da Vila. Os alunos das escolas locais terão o cantor como objeto de estudo, através da análise de obras musicais e da leitura de livros como A rosa vermelha e o cravo branco, um dos quase 20 títulos que publicou. Em São Paulo, a Unidos do Peruche desfila no dia 9 sob o enredo Peruche celebra Martinho – 80 anos do Dikamba da Vila, com a presença do homenageado. No dia 13, os parabéns chegam através da tradicional Banda de Ipanema, que o escolheu como tema para este ano. “Não tem nem como explicar o que a gente sente. É uma maravilha”, diz, naquele jeito bem Martinho da Vila.

Devagar, devagarinho, o embaixador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) segue com seu estilo tranquilão de ser, aproveitando a efeméride para relembrar momentos marcantes de sua trajetória. Na entrevista a seguir, pontuada por boas risadas o tempo inteiro, ele se mostra orgulhoso por ter ajudado a revigorar as cirandas em Pernambuco, depois de exaltar o ritmo na letra do samba-enredo Onde o Brasil descobriu a liberdade, que falava de liberdade em plena ditadura e que deu à Unidos de Vila Isabel o sexto lugar no campeonato de 1972. Também fala da alegria de ver um disco seu, Canta canta minha gente, sendo relido pelo cantor Otto, em shows. Nada surpreendente para um compositor que resolveu estudar Relações Internacionais em uma universidade privada, já na casa dos 70 anos.

Feliz com todas as homenagens que vem recebendo – ele já tem uma estátua em Duas Barras e um busto na entrada da quadra da escola do coração –, Martinho da Vila só não encontra tempo para pensar no futuro. “Simplesmente, vou vivendo. Não faço planos a longo prazo, nunca fui disso”. Basta olhar para o sorriso sempre estampado no rosto do artista para ter a certeza de que, para essa receita de vida, não há contraindicação.

CONTINENTE Martinho, você está chegando aos 80 anos com uma vitalidade que deixa muita gente boquiaberta. Existe receita para se levar a vida com essa leveza?
MARTINHO DA VILA Eu acho que o que mais garante uma longevidade sadia é cultivar a alegria. É deletar da mente tudo de ruim que acontece, não ficar curtindo muito as coisas. E, principalmente, fazer tudo por menos, não dar importância a questões pequenas, não dar valor às coisas chatas que aparecem, não perder tempo se preocupando à toa. Sempre tive isso como filosofia, desde garoto.

CONTINENTE A celebração dessas oito décadas de vida chega com uma homenagem ao bairro e à escola que lhe renderam o sobrenome artístico, com o disco Alô Vila Isabeeeel!!! Como diria Noel Rosa, “a Vila não quer abafar ninguém, só quer mostrar que faz samba também”?
MARTINHO DA VILA (risos) Exatamente. Eu já tinha homenageado a Vila Isabel em 1984, com o disco Martinho da Vila Isabel, em que eu cantava só músicas relativas ao bairro. Este é diferente do outro por contar a história da Vila através dos sambas. Era um desejo antigo que eu tinha. Então, uma pessoa que conhece um pouco da escola ou que for bastante atenciosa, ouvindo o disco desde a primeira faixa, vai entender como ela nasceu, as pessoas que participaram de sua construção, que fizeram seu nome entrar para a história, os anos em que ela foi campeã… Eu tinha que fazer isso, pois essa trajetória precisava ser celebrada. E tem a participação de compositores, componentes da escola, gente que nunca tinha sido gravada. Eu queria poder proporcionar isso para essas figuras. Um deles, o Paulinho da Aba, morreu logo depois de ter cantado no disco. A música quase ficou de fora porque os herdeiros quiseram criar caso. E tem o Wilson Caetano, um cara que trabalhou até em barracão e que não tinha nenhuma música registrada. Mas, infelizmente, nem chegou a ouvir a minha gravação de Quatro de abril, dele com Nelson Nogueira. O disco saiu poucos dias após Wilson nos deixar. Mas seu nome agora ficou imortalizado, é o que importa. E tem a minha família, claro. É todo o universo da Vila ali presente.

CONTINENTE Dois nomes sempre vêm à mente quando se fala em Vila Isabel: o seu e o de Noel Rosa. Ele também foi convidado para essa festa?
MARTINHO DA VILA Lógico. O Noel morreu em 1937, e a Unidos de Vila Isabel só foi fundada nos anos 1940. Mas ele é uma figura emblemática do bairro, é a cara da Vila. Aí, resolvi juntar Alô, Noel, música que fiz com Claudio Jorge uns anos atrás, com Palpite infeliz e Feitiço da Vila, dois dos tantos clássicos que ele nos deixou.

CONTINENTE A propósito, a capa do disco reproduz um busto em bronze colocado em sua homenagem na quadra da Unidos de Vila Isabel, com a bandeira da escola como fundo. Você também se envolveu com esses detalhes?
MARTINHO DA VILA Sim, eu bolei essa capa. A gravadora tinha planejado fazer uma foto, como todo mundo faz, mas não gosto muito disso, de ficar posando. Comentei sobre o busto, com o qual fui homenageado como Patrimônio Cultural da Vila Isabel há uns quatro anos, na entrada da quadra, e tive a ideia de inseri-lo na bandeira da escola. Dessa forma, ficou tudo mais coerente com o disco.

CONTINENTE Em vários títulos de sua discografia, você contou com o artista gráfico Elifas Andreato, que assinou capas antológicas da MPB, como Almanaque, de Chico Buarque, e Nação, de Clara Nunes. Como surgiu essa sua preocupação com o lado estético dos álbuns?
MARTINHO DA VILA Sempre gostei do lance da imagem, de admirar uma coisa bonita. Meu primeiro disco, de 1969, trazia apenas uma foto minha. Achei legal, pois era tudo novidade. Quando gravei o segundo, Meu Laiáraiá, já quis algo diferente. Fiz a foto sentado, com as pernas cruzadas, e sugeri que essa imagem fosse multiplicada, parecendo vários Martinhos. Gostei do resultado. Até que, em 1973, conheci o Elifas Andreato. Ele tinha feito um desenho bonito para o Paulinho da Viola. Pensei: “Esse traço aí dá uma boa capa”. Até então, ele não havia feito nenhum trabalho nesse âmbito. E passou a criar as nossas capas, minhas e as do Paulinho. Temos belas parcerias, como Origens, que foi a primeira, Maravilha de cenário, Coração malandro, O canto das lavadeiras… Elifas é um craque.

CONTINENTE Como você já disse, a família está novamente presente no novo disco. Por serem seus filhos, o rigor é maior quando eles estão envolvidos em um projeto seu? Ou, como o título de um álbum feito com eles, você é daqueles que ficam só “lambendo a cria”?

MARTINHO DA VILA Volta e meia, nós trabalhamos juntos em shows ou em discos. Quando é um trabalho meu, em que eles estão presentes, eu os trato normalmente, como músicos que são. Não tem exigências maiores por serem filhos, e nem privilégios por isso também. Ali, não é o pai, somos todos colegas. Como nunca tenho problema com músicos, também não há maiores grilos entre a gente. Consigo levar o trabalho direitinho. Mas, no novo disco, Mart´nália fez uma música com as outras meninas da ala de compositores da Vila de que não gostei muito (risos). Elas dizem que o marido, o namorado, o amor, são todos “segunda opção”. Que a primeira é sempre o samba, depois que vem o resto.

CONTINENTE E quando é o Martinho da Vila pai vendo os filhos no palco ou ouvindo os discos?
MARTINHO DA VILA Aí, eu fico vibrando. É impressionante como eu gosto de vê-los brilhar. São todos muito talentosos, tenho muito orgulho. Sempre me emociono quando os vejo atuando.

CONTINENTE Ao longo de mais de 50 anos de carreira, você acumulou dezenas de sucessos e ganhou o respeito do público e da crítica. Consegue identificar em que momento deixou de ser um músico em busca de um lugar ao Sol e se transformou em um nome de destaque no samba?
MARTINHO DA VILA Sempre fui muito aberto, convivi com gente de tudo que é jeito, de tudo quanto é escola. No começo, eu era compositor de uma escola pequena, chamada Aprendizes da Boca do Mato. Havia um compositor importante da Portela, o Walter Rosa, que tinha uma namorada lá na Boca do Mato e que sempre aparecia nas rodas. Nessa época, já havia um burburinho: “Tem um menino lá fazendo uns sambas diferentes”. E o Walter, quando me conheceu, convidou-me para ir à quadra da Portela. Mas era uma distância enorme, ficava do outro lado do Rio de Janeiro. Sem falar que essas escolas grandes, como Portela, Império Serrano, Salgueiro e Mangueira, eram um outro departamento para mim (risos). Uma coisa meio inatingível. Um dia, acabei indo. Quando cheguei, em meio àquela confusão toda na entrada, falei cheio de orgulho: “Sou convidado do Walter Rosa”. E o cara respondeu: “Todo mundo aqui é convidado dele, ele pensa que é dono da escola” (risos). Mas o Walter me viu e me resgatou. E a primeira pessoa que conheci lá dentro da quadra foi o Monarco, que alguns anos depois me deu um dos maiores sucessos da minha carreira, Tudo menos amor. Nesse dia, o Monarco mandou o mestre de bateria anunciar ao microfone que estava presente o compositor Martinho, lá da Aprendizes da Boca do Mato. Foi a primeira vez em que fui anunciado. Nunca esqueci.

CONTINENTE Como você lidou com os momentos de grande explosão de sua carreira, como nos anos 1990, quando Mulheres e Tá delícia, tá gostoso lutaram de igual para igual com os hits dos grupos de pagode paulistas que dominavam as rádios?
MARTINHO DA VILA O grande problema do artista é achar que vai ser estrela toda a vida, isso não é verdade, não existe. O sucesso é transitório, nunca é permanente. Eu sempre tive essa consciência. Nesses momentos de explosão, eu pensava: “Daqui a pouquinho isso passa, faço outra coisa, vou para a minha roça, depois faço outro sucesso”. Sempre foi assim.

CONTINENTE Em meio a tantos trabalhos marcantes na área da música, você decidiu voltar à universidade para estudar Relações Internacionais. Como foi essa vivência?
MARTINHO DA VILA Na verdade, eu já pratico relações internacionais há muito tempo. Mas sempre tive a vontade de ter um pouco de conhecimento mais teórico. Na universidade, minha rotina era igual à de qualquer aluno. Cumpria a carga horária exigida, fazia os trabalhos que todos os colegas faziam, só não precisava fazer prova. Eu era um ouvinte, o que se pode chamar de um aluno de conhecimento.

CONTINENTE Voltando à música, você faz parte de uma geração privilegiada, que está se aproximando da casa dos 80 com importância reconhecida e em plena atividade. São nomes como Elza Soares, Roberto Menescal, Chico Buarque, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, entre tantos outros, que continuam fazendo trabalhos relevantes. O que essa turma tem de tão especial?
MARTINHO DA VILA Claro que muitos artistas da minha geração não estão mais aqui, como João Nogueira, Roberto Ribeiro… Também tem gente que acabou deixando a música em segundo plano, por algum motivo pessoal. Mas eu não sei se há explicação para essa turma toda continuar na ativa. Não me preocupo muito em ficar analisando os porquês, só vou fazendo o meu, tocando a minha vida. Deixo para os críticos e os historiadores cuidarem disso (risos). Mas é muito legal ver tanta gente boa trabalhando, perceber que todos estão firmes por aí. Fico feliz.

CONTINENTE Apesar de sua raiz sambista, muitos artistas de outros gêneros gravaram músicas suas, como Marina Lima, Pitty, o próprio Ney Matogrosso. Você costuma ouvir essas recriações?
MARTINHO DA VILA Sim, sempre gostei de ouvir, é importante para o compositor. Quando alguém escolhe uma música sua para gravar, acaba de certa forma acrescentando alguma coisa. É bem interessante. E tem os artistas que fizeram discos inteiros em cima da minha obra, como Simone com Café com leite e Ana Costa com Pelos caminhos do som. O Neguinho da Beija Flor também fez um disco com músicas minhas e do Paulinho da Viola. A primeira satisfação que tive na carreira foi logo com a Isaurinha Garcia, um grande nome da era do rádio. No mesmo ano em que lancei meu primeiro disco, 1969, ela gravou Martinho da Vila e Dolores Duran na voz de Isaura Garcia. O mais bacana é que eu sempre adorei as músicas da Dolores, e lamentava não tê-la conhecido. De repente, tinha alguém do tamanho da Isaurinha, cantando coisas dela e minhas em um mesmo disco. Foi uma emoção ímpar.

CONTINENTE Você costuma ficar atento aos artistas que vão surgindo? Tem interesse pelas novidades musicais?
MARTINHO DA VILA Claro, gosto de estar inteirado, procuro conhecer o que surge. Como eu tenho um bom trânsito geral, sempre chega alguém das novas gerações para dizer que cresceu me ouvindo. E não apenas do samba, mas de todas as áreas. Tem gente do rock, do rap… Tenho uma ligação boa com toda essa turma. A proximidade acaba sendo natural. 

CONTINENTE Destacaria algum nome dessas novas gerações?
MARTINHO DA VILA Criolo, por exemplo, é um cara ótimo. Gosto do trabalho dele, já  gravamos juntos, dividimos o palco no Rock in Rio. Recentemente, compus Amanhã é sábado para a Roberta Sá, com quem tinha feito uma turnê em homenagem ao samba, que contava também com a Alcione e o Diogo Nogueira, filho do meu querido João e que é outro talento das novas gerações. A Roberta me deu o mote, como se fosse uma atualização de outra música minha, Disritmia, sob a ótica da mulher. O Otto fez um show todo baseado num disco meu, Canta, canta, minha gente, de 1974. Parece estranho, né? O Otto, de outro universo completamente diferente do meu, cantando meus sambas… E a aceitação foi ótima. Ele disse que aquele disco foi importante na sua formação. Fiquei muito feliz.

CONTINENTE Assim como o samba, o funk também é uma manifestação cultural forte do Rio de Janeiro. Você acompanha esse movimento?
MARTINHO DA VILA É tudo música negra, tudo da mesma família. Mas o que acho mais próximo do samba é o rap. O samba de breque do Moreira da Silva era praticamente um samba falado, um precursor do rap. Tem a música que o Jair Rodrigues lançou, “deixe que digam, que pensem, que falem”, que foi um grande sucesso, isso também é praticamente um rap. É tudo parente.

CONTINENTE Em 1972, você criou um samba enredo para a Unidos de Vila Isabel, intitulado Onde o Brasil descobriu a liberdade, em homenagem à Festa da Pitomba, que acontece todos os anos no Parque Histórico Nacional dos Guararapes, em agradecimento à vitória contra os holandeses na Batalha dos Guararapes. Nessa época, já existia alguma ligação sua com Pernambuco? Ou esse foi o seu primeiro contato com as histórias locais?
MARTINHO DA VILA Esse samba me deu muitas alegrias. Era um tempo em que, a partir do enredo proposto, os compositores faziam pesquisa para criar a letra. Aí pensei: “Vou lá para Pernambuco, vou conhecer a área, Jaboatão, o Monte dos Guararapes”. E fiz a música a partir das coisas que pesquisei. O curioso é que, naquela época, as cirandas estavam relegadas a um segundo plano, quase desaparecendo. E, com aquele samba, houve uma injeção de ânimo nas pessoas e as cirandas voltaram. Conheci a Lia de Itamaracá e tantos outros. O enredo acabou tendo uma outra função, o que me deixou mais feliz ainda. Também em consequência do sucesso do samba, voltei à cidade para ganhar o título de Cidadão Jaboatonense, do qual muito me orgulho. Sou meio pernambucano.

CONTINENTE Você ainda gosta de desfilar na Sapucaí?
MARTINHO DA VILA Gosto quando estou envolvido no enredo. Mas não curto mais desfilar em carro alegórico, dando adeus para o público. Gosto de ir no chão. Este ano, mesmo sem ligação com o samba, eu vou, pois me deixaram sair do jeito que eu quiser. E tenho certeza de que a Vila vai ganhar.

CONTINENTE A propósito desse momento de festividade, fazer 80 anos tem algum lado ruim?
MARTINHO DA VILA Não posso dizer que me sinto como um garoto de 20 anos, que isso é uma mentira (risos). Na verdade, nem lembro como é ter 20 anos. Mas eu me sinto normal, como qualquer pessoa. Consigo fazer quase tudo que eu fazia. Se a pessoa não tem atividade, não ocupa sua vida, ela acaba envelhecendo mais rápido. Se ela se mexe, aí consegue ir longe.

CONTINENTE Você costuma pensar no futuro?
MARTINHO DA VILA Não penso muito no futuro, simplesmente vou vivendo. Penso no presente. Não faço planos a longo prazo, nunca fui disso. Quando esse lance dos 80 anos começou a ser muito falado, me dei conta de que nunca imaginei chegar a essa idade. E também não me sinto com o peso que ela imprime. Mas é a primeira vez que vou fazer 80. Como não tenho essa experiência, não posso falar muito (risos). De tanto as pessoas falarem, estou quase acreditando que tenho esses anos todos.

CONTINENTE Mas o dia do aniversário não vai passar batido, certo?
MARTINHO DA VILA Já estou nessa pisada festiva desde o começo do ano. Teve o show de lançamento do disco no Rio de Janeiro, que eu retomo em março, com apresentações em São Paulo e em Minas Gerais. O Carnaval já vai ser bem agitado e a data cai em plena segunda-feira. Antes, no dia 9, eu vou desfilar pela Unidos do Peruche, escola de São Paulo, cujo enredo é exatamente uma celebração aos meus 80 anos. Dia 11, eu desfilo na Vila Isabel. Depois, no dia 13, ainda serei homenageado na Banda de Ipanema… Mas, no próprio dia do aniversário, 12 de fevereiro, o que eu pretendo mesmo é ficar bem recolhido. Bem devagar.

CLEODON COELHO é pernambucano radicado no Rio de Janeiro, jornalista, roteirista e autor de três biografias.

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Extra:
(Re)leia nossa matéria de capa sobre o centenário do samba AQUI.

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