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Edição #191

Novembro 16

Nesta edição

Refugiados

Nas recentes Olimpíadas, chamou atenção do público um pequeno grupo de 10 atletas que não empunhavam a bandeira de seus países, mas a do Comitê Olímpico Internacional. Isto porque, por guerras e violações políticas e humanitárias, eles tiveram que deixar seus lugares e se refugiarem em outros países. Havia entre eles sírios, congoleses, sul-sudaneses e um etíope. A situação de refúgio tem sido uma preocupação mundial, entre outros fatores, pela vulnerabilidade a que são expostos essas pessoas e pela pressão exercida sobre os países que as acolhe. Nada é fácil, neste caso.

Qual a situação do refúgio no Brasil? De onde nos chegam mais pedidos de asilo? Por que nos escolhem para pedir acolhida? Essas foram algumas das perguntas para as quais buscamos respostas na reportagem especial deste mês, realizada num dos estados que mais concentra refugiados no país, o Rio de Janeiro, pela repórter Suzana Velasco e pelo fotógrafo Gilvan Barreto. Além de dados, buscávamos, sobretudo, histórias de vida, encontrar entre aqueles indivíduos os motivos que os trouxeram aqui e como eles têm se adaptado a uma cultura diversa.

O que primeiro impacta nesses encontros é a clareza da circunstância de vida ou morte em que todos se encontravam quando fugiram de suas casas, o perigo iminente de ataque e violação, que muitos de nós só experimentamos nos piores pesadelos. Diferentemente do migrante, o refugiado não tem muita opção, vai para onde é possível. Esse foi o caso da gambiense Mariama Bah, que tem parte de sua história contada nas páginas a seguir, que entrou num navio sem saber para onde iria, apenas com a vontade de viver.

Quando as pessoas fogem de seus países, elas não apenas se despojam de casas, empregos, bens. Muito pior. Elas se privam das pessoas que amam e de si mesmas. Deixam para trás pais, maridos, esposas, filhos; abandonam lugares e profissões, passam de engenheiros, agrônomos, médicos ao que for possível. A partir desses e de outros relatos, percebemos que o fato de estar vivo e poder transformar tudo perdido em algo novo é o que sustenta essas pessoas. Então, por pouca que seja a aproximação com elas através de uma reportagem, ouvi-las e percebê-las nos traz o ânimo da vida e a necessidade do desapego. Para nós, isso já é um feito.

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