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Edição #170

Fevereiro 15

Nesta edição

Arte Sexualidade

A arte tem sido um excelente meio de observação das mudanças sociais, ela mesma com o poder de provocá-las. Dentro do assunto que nos mobiliza nesta edição, sexualidade e novas afi rmações de gênero, os artistas que mencionamos são basilares, pois suas obras e experiências são indispensáveis à discussão. Aqui, estamos na companhia da fotógrafa norte-americana Nan Goldin que, embora seja cultuada no campo da arte, permanece ignorada ou malentendida fora desse segmento. Nos anos 1970, quando feministas e gays punham em xeque tradições que os oprimiam, Goldin vivia muitas das questões em debate, convivendo e fotografando pessoas postas à margem, como as travestis registradas na obra The other side, da qual foi reproduzida a foto acima, que bem pode nos remeter ao Almoço sobre a relva (1863), revolucionário em seu tempo, pelas mãos de Manet.

Estamos na companhia, também, de gente como Jean Genet e Oscar Wilde, escritores cujas escolhas pessoais tiveram imensa repercussão social e política, levando a sociedade a discutir paradigmas, dentro e fora da literatura. Contemporaneamente, há o inquietante trabalho da artista baiana Virginia de Medeiros, que coloca suas experiências artísticas e de vida no mesmo patamar, o que podemos aferir em obras como Studio Butterfly, com instalação realizada a partir da convivência com travestis, e Jardim das torturas, em que registra o período no qual integrou uma família sadomasoquista. Hoje, ela pretende, como declarou à jornalista Luciana Veras, influir no próprio corpo, tomando testosterona, sendo guiada por um homem trans nesse processo.

Para além do campo da representação artística, há a vida de pessoas que, no anonimato ou no ativismo político, requerem nosso olhar, nossa sensibilidade para as novas acepções de gênero e sexualidade. Na reportagem realizada por Chico Ludermir, defrontamo-nos com pessoas que não se reconhecem dentro das categorias binárias que resultam da defi nição de um corpo sexual: masculino e feminino. Elas militam hoje pelo reconhecimento de que esses são valores historicamente arraigados e que não correspondem à realidade dos desejos individuais. Militam pela liberdade de viver esses desejos no próprio corpo, sem serem violadas por isso.

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