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Edição #138

Junho 12

Nesta edição

100 Anos de Luiz Gonzaga

“Uma vez cheguei em Nanuque, em Minas Gerais, procurei o dono do cinema para ver se poderia dar um show. Ele me falou que não poderia porque naquele dia ele ia projetar um filme de Elvis Presley. Eu sugeri que o show fosse depois da projeção, às 21h. Ficou acertado assim. Meu secretário saiu pelas ruas, na caminhonete, anunciando o show, distribuindo folhetins e eu fui para o hotel aguardar a hora de me apresentar. Era a polícia: o senhor está intimado para comparecer imediatamente no cinema, está a maior confusão lá, todo mundo quer ingresso e não tem mais, e o juiz quer falar com o senhor! Eu fui encontrar com o juiz, e acabou que ele resolveu que eu faria duas sessões.”

O depoimento de Luiz Gonzaga, publicado na biografia Vida do viajante (1996), evidencia a precariedade do show business no Brasil nos anos 1950/1960, com as poucas turnês sendo realizadas de forma mambembe. A declaração do músico também registra um nome que, vez ou outra, é trazido à tona como comparativo ao próprio cantor nordestino: Elvis Presley. Ambos eram de origem pobre, surgiram quase na mesma época, tiveram o auge do sucesso quase paralelamente, foram tratados como soberanos de algum estilo musical. No entanto, o Rei do Baião não teve a projeção internacional do Rei do Rock.

Mesmo sem ter desfrutado de impacto considerável fora do Brasil, Gonzaga teve papel fundamental na ampliação do horizonte do brasileiro sobre a própria diversidade sociocultural. Nenhum artista , fora do eixo Rio-São Paulo, havia conseguido, até então, ter alcance nacional e, ainda, expor os anseios e os problemas da gente simples do interior. O baiano Dorival Caymmi, que surgira anos antes, não entra nessa consideração, pois focava sua temática no cotidiano do homem simples do litoral. Dessa forma, Gonzaga ingressou no imaginário popular como uma espécie de super-herói do Sertão, e sua amplitude como artista tornou-o um patrimônio do Nordeste e da música brasileira.

Neste número, movidos pela comemoração do ano do centenário do músico, preparamos uma edição especial na qual vários profissionais direcionam seus olhares sobre a vida e a obra do ícone, analisando-o sob o ponto de vista sociológico, musical, político e histórico.

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