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Venda a sua música, não a sua alma

TEXTO Leonardo Salazar

01 de Dezembro de 2011

Leonardo Salazar

Leonardo Salazar

Foto Juliano Ribeiro/Divulgação

Tratar a música como um negócio não implica, necessariamente, em perda de autenticidade, originalidade, inovação ou criatividade da obra musical. O músico precisa entender que não é necessário mudar o conteúdo, mas, sim, adaptar a embalagem. O desafio, hoje, é criar uma estratégia para viabilizar sua produção musical em um mercado competitivo.

Pesquisa realizada em dezembro de 2010, pela Fecomércio/RJ, com 1.000 entrevistados de 70 cidades, revelou que o brasileiro acha justo pagar, em média, R$ 10 por um CD, R$ 12 por um DVD e R$ 23 por um show.

Certa vez, ouvi a seguinte lamentação de um músico: “Quem dera a música não fosse um negócio”. Fiquei pensando nas consequências disso. E se a música não fosse um negócio?

a) Não existiriam Ordem dos Músicos, Ecad, gravadoras, jabá, empresários, estúdios, casas de show, lojas de discos, público consumidor, enfim, não haveria toda essa cadeia produtiva que gira ao redor do compositor e do intérprete.

b) Também não haveria a profissão de músico, então, ele teria que arrumar outra atividade qualquer, talvez fosse advogado, médico, servidor público, ou, quem sabe, um desempregado.

Colocando na balança, analisando prós e contras, acho positivo que a música seja um negócio. Porque, sendo um negócio, a atividade musical é capaz de gerar trabalho e renda para muita gente que tem a possibilidade de transformar seu talento artístico em riqueza econômica.

Além disso, para um país como o Brasil, reconhecido internacionalmente pela qualidade técnica e pela diversidade de gêneros musicais, a produção musical brasileira representa um vetor de desenvolvimento econômico, capaz de agregar valor na atração de investimentos e de turistas.

Ser um negócio não desqualifica nenhuma atividade, muito pelo contrário, empresta-lhe aspecto de profissionalização. Afinal de contas, se ganhar dinheiro, fazendo o que gosta, é um sonho a ser alcançado por todo profissional, que bom que a música seja, então, um negócio lucrativo para o músico.

A atriz brasileira Cacilda Becker disse, certa vez: “Não me peça para dar de graça a única coisa que tenho para vender”. Músicos, escrevam essa frase na parte superior de suas partituras. Repitam em voz alta, como se fosse um mantra. Aprendam a valorizar seu talento.

A música é um bom negócio. Então, um músico nunca deve sentir culpa por ganhar dinheiro fazendo o que gosta, mesmo que os outros achem que esse trabalho seja “pura diversão”. Tampouco deve trabalhar de graça, mesmo que ele próprio ache o ofício muito divertido. 

LEONARDO SALAZAR, jornalista, produtor e autor do livro Música Ltda: o negócio da música para empreendedores.

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