• "Fim de jogo", de Samuel Beckett, em cartaz na Caixa

    "Fim de jogo". Foto: Patrícia Cividanes/Divulgação"Fim de jogo". Foto: Patrícia Cividanes/Divulgação

    Os atores Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas unem-se, mais uma vez, para encenar a tragicomédia Fim de jogo, do dramaturgo Samuel Beckett, também em comemoração aos 20 anos do Teatro Promíscuo, fundados por ambos. A peça irá se apresentar seguindo uma própria concepção, ainda que o texto de Beckett esteja na íntegra: a cenografia será construída com objetivos e móveis pessoais de Renato Borghi, ratificando a residência como uma espécie de refúgio teatral. Além de que os pais de Borghi, que interpretará Haim - cego e paralítico -, também encenarão os pais do personagem no espetáculo. O ambiente narrativo da peça desenvolve-se num ambiente apocalíptico, em que Clov (Elcio Nogueira Seixas) observa por uma luneta uma terra devastada, seguindo as ordens de Haim para os deveres da casa. Fim de jogo está em cartaz da quinta-feira (04/05) até o sábado (06/05) e depois do dia 11 a 13 de maio, na Caixa Cultural, com ingressos custando R$ 10 e R$ 5 (meia). A indicação indicativa é 16 anos. 

    Serviço
    Fim de jogo
    De 4 a 6 de maio; 11 a 13 de maio, às 20h (haverá um bate-papo com os atores no dia 11/05) 
    Caixa Cultural Recife, Av. Alfredo Lisboa, Bairro do Recife
    16 anos
    R$ 10 e R$ 5 (meia)

  • A arte de Bruscky em cinco décadas

    O artista em seu acervo. Foto: Ana Araújo/DivulgaçãoO artista em seu acervo. Foto: Ana Araújo/Divulgação

    Cinco décadas de produção, 200 obras e um nome por trás disso. Paulo Bruscky, considerado um dos artistas de peso da arte contemporânea pernambucana e brasileira, é destaque da exposição retrospectiva que tem abertura nesta quarta (20/11), na Caixa Cultural Recife.

    Sob o título de PaLarva – Poesia Visual e Sonora de Paulo Bruscky, a mostra reúne a multiplicidade de experimentos e suportes que compõem o repertório visual e criativo do artista, como poemas visuais, poemas sonoros, filmes, registros videográficos de performances, documentos, objetos poéticos, livros de artista, arte classificada, documentos e fotos históricas.

    PaLarva é fruto de pesquisas e levantamentos realizados pelo próprio Bruscky, junto ao seu filho Yuri, em seu acervo particular, que já rendeu uma instalação própria na Bienal de São Paulo em 2004, quando seu ateliê-arquivo-acervo foi transposto para a exposição. Mais recentemente, no Mamam, foi também fonte da exposição História da poesia visual brasileira, que esteve em cartaz até meados do ano, com curadoria dele e do filho.

    O artista, de 67 anos, começou a atuar no final dos anos 1960 e é um dos principais nomes da geração 1970, tomada pela arte conceitual, pela xerox arte, arte correio e pela performance, alternativas e posicionamento artístico diante de um contexto de ditadura no país.

    Serviço:
    Mostra PaLarva – Poesia Visual e Sonora de Paulo Bruscky
    Na Caixa Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
    Abertura: 30 de novembro de 2016, às 19h, com entrada gratuita
    Visitação: 01 de dezembro de 2016 a 12 de fevereiro de 2017
    Horário: De terça a sábado, das 10h às 20h; domingos, das 10h às 17h
    Entrada gratuita
    Fone: (81) 3425-1915

    Classificação Indicativa: Livre

  • A saga da menina Edith por Lázaro Ramos

    Peça é adaptação do primeiro livro infantil de Lázaro Ramos. Foto: Diego Melo/DivulgaçãoPeça é adaptação do primeiro livro infantil de Lázaro Ramos. Foto: Diego Melo/Divulgação

    Este é o último fim de semana para quem quiser assitir, no Recife, à saga de Edith, uma criança que sofre bullying por não ter um nome de criança. Trata-se do espetáculo A menina Edith e a velha sentada, uma viagem introspectiva repleta de aventuras escrita e dirigida pelo ator Lázaro Ramos. O enredo foca na busca pelo autoconhecimento através de músicas, danças e contações de histórias.

    Em cena, o elenco formado por Isabel Fillardis, George Suma, Rose Lima, Suzana Nascimento e Orlando Caldeira toca os instrumentos e canta, empoderando-os de sua própria capacidade e talento para o circo, segundo afirma o diretor. Violões, bandolim, percussão e teclado animam o aspecto lúdico do musical. No repertório da peça, estão alguns cantores brasileiros e de fora, como Pitty e Cartola, além de Amy Winehouse e James Brown, tudo isso acompanhado por uma banda.

    A peça, na verdade, é uma adaptação do primeiro livro infantil de Lázaro Ramos: A velha sentada. Sem perder o fio crítico, a montagem se propõe a resgatar as brincadeiras de infância de outrora, aconselhando também o uso do bom senso na relação com as tecnologias atuais. A própria viagem de Edith, por exemplo, acontece quando ela está mexendo em seu computador. 

    Para compor o livro, assim como o espetáculo, Lázaro Ramos inspirou-se em seu repertório familiar de infância, incluindo seus amigos e parentes. O nome da personagem principal, por exemplo, vem de sua avó paterna. 

    Serviço
    A menina Edith e a velha sentada
    Nesta sexta (20/1), às 18h, e sábado (21/1), em dois horários: 16h e 19h 
    Caixa Cultural Recife: Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife (em frente ao Marco Zero)
    R$10 e R$ 5 (meia)
    Informações: (81) 3425-1915

  • A usina criativa de Paulo Bruscky

    Paulo Bruscky na exposição "Palarva". Foto: Breno LaprovíteraPaulo Bruscky na exposição "Palarva". Foto: Breno Laprovítera

     
    Mais de 50 anos atravessama trajetória do artista pernambucano Paulo Bruscky.São anos de um tempo passado, mas nãodeum tempo passado guardadonas gavetas da memória; um tempo que o constitui hoje. A exposiçãoPalarva, emcartazaté12 de fevereirona Caixa Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505,Bairro doRecife), com curadoria de Yuri Bruscky,perpassa esse tempopor meiode quase 550 obras produzidas pelo artista desde o final dos anos 1960.



    Ao contrário dasretrospectivasmais convencionais, que enfatizam uma espécie de evolução da técnica, ou associamacriação artísticaa acontecimentos históricos, por exemplo,Palarva evidencia um Bruscky cujas práticas e inquietações atuais sãointercedidaspelo passado, em uma espécie de ligação temporal que não se dá comopassagem, mas comoacumulação.




    Na mostra, vemos um artista de perfil verborrágico, excessivo, com um certo afã pelo colecionismo e pela acumulação. A exposição conta com obras oriundas de uma série de práticas experimentais, como poemas/processo, colagens, arte correio, registros de performance, vídeos, intervenções e poemas sonoros, e mostram a mente voraz de um artista que funciona como uma “usina criativa”, como define Paulo Meira, amigo e artista cujas criações possuem relação com os trabalhos de Bruscky.



    ARTE-VIDA
    De algum modo, as obras dele resultam de uma inquietação criativa que permeia o próprio viver, como se, enquanto vivesse, o artista fosse continuamente interrompido (ou afetado) por coisas, objetos, ideias ou imagens. Essa espécie de “maldição do artista”, que não dá sossego a quem se sente afetado, tocado ou perpassado pelas manifestações mais simples da vida, deu surgimento a vários trabalhos da exposição, sendo um deles a sérieTeste poético, da década de 1980.

    Confira imagens da mostra feitas por Breno Laprovítera:


    Após ter marcado uma reunião com um editor italiano, Bruscky decidiu comprar comidas e levar a um parque público em Amsterdam, onde morava na época.Enquanto comia e observava a paisagem, encontrou ao seu lado uma revista italiana que continha, nas últimas páginas, uma espécie de “quiz” poético. Uma das perguntas dizia: “Considerate l’incesto: a) Normale; b) Perverso; c) Fatale; d) Immorale; e) Affascinante; f) Inconcepibile”. “Me levantei correndo e fui para o hotel. Aquilo já era uma obra de arte pronta, só fiz as pinturas sobre as quais ficaram as perguntas”, conta o artista, com a naturalidade de quem vive em paz com este tipo de desassossego. As obras da sérieTeste poético possuem, então, trechos do “quiz” encontrado napublicação italiana e imagens do Brasil da década de 1982, recortadas das revistas que eram enviadas a Bruscky por sua família.



    É preciso ressaltar que essa espécie de “maldição” é exatamente o motor criativodo artista. Bruscky coleciona revistas, folhetos, panfletos, manuais, bulas, garimpa objetos antigos, resgata coisas que vão para o lixo, fotografa tudo aquilo que o comove (“um artista de verdade sai sempre com uma câmera no pescoço”, diz). Guarda sargaço em envelope (“para guardar o cheiro do mar, tudo tem cheiro”, afirma), como se vê na obraAbra e cheira: a primeira lembrança é arte, de 1976, na qual ele envia um envelope com sargaço encontrado na Praia de Itamaracá a amigos e artistas, para que eles pudessem se lembrar do cheiro do mar.



    INFLUÊNCIAS
    Se não já estava evidente, para uns, a forte inclinação colecionista e acumuladora de Bruscky, a exposiçãoPalarvadeixa à mostra obras que resultam justamente da inquietação de um artista que quer apreender, a todo custo, o mundo que o rodeia.E foi justamente a ebulição criativa da “usina Bruscky” que levou os artistas Paulo Meira e Oriana Duarte a não só quererem tê-lo por perto como amigo e parceiro de trabalhos, como também a tomarem as obras do artista pernambucano como inspiração e influência artística. AContinente convidou ambos para que contassem um pouco mais sobre o modo como Bruscky os impactou artisticamente e os bastidores de décadas de muitas criações e produções, mas também de uma vida social que alimentava, provocava e transformava as inquietações de jovens artistas.

    "Tratava-se de uma época na qual o artista não era um profissional do neoliberalismo que precisava produzir, produzir, produzir. A vida boêmia do artista, tão criticada, chega a alimentar as criações artísticas porque produzemexperiências.Falo de uma vida boêmia que produz experiências quetransformam, não daquelas vivências que esquecemos, que não nos afeta. Tivemos várias dessas com Paulo”, conta a artista Oriana Duarte. ÀContinente, elanarraabaixocomo conheceuBruscky e como se sentiu impactada por um de seus trabalhos:



    OBRAS
    Ao propor uma retomada das várias obras do artista, Palarva também oferece a possibilidade de o público entrar em contato – mais uma vez ou pela primeira vez – com criações que ficaram célebres no decorrer de sua carreira, a exemplo daquelas de arte correio que se tornaram emblemáticas da obra de Bruscky. Estão, na mostra, obras de arte feitas coletivamente a distância, por meio de postagens. Por exemplo, o artista pernambucano enviava uma imagem para outro artista; este, por sua vez, deveria interferir e enviar para o seguinte, a fim de que ele interferisse, e assim sucessivamente. “O que é interessante nessas obras é que você não sabia para onde elas iam no final. Como uma espécie de corrente, você mandava o artista interferir e enviar para outro, mas você também não sabia quem era o outro artista”, lembra Bruscky.

    A mostra também conta com registros da performanceOperAção nas cataratas, realizada em 2012 nas Cataratas do Iguaçu (PR), na qual o artista assume o papel do Dr. Paulo Bruscky, um artista "oftalmicologista". Diante das cataratas, vestido de médico, ele se propôs uma “ação para deleite dos olhos, que sempre serão responsáveis pelo que veem”, porque “saber ver as cataratas pode salvar o seu olhar”, como está escrito no panfleto que distribuiu aos turistas nos arredores das Cataratas do Iguaçu.

    O curta-metragemVia Crúcis, de 1979, filmado em Super 8, também pode ser visto em uma sala reservadada Caixa. O vídeo mostra a escadaria de 365 degraus, cada um remetendo a um diado ano, que dá acesso ao mirante de Gravatá e à igreja do Cristo Rei. A famosa Escada da Felicidade, também trabalhada pelo artista Marcelo Silveira. Parte das poesias sonoras de Bruscky, menos conhecidas pelo público, também pode ser ouvida na exposição. Neste primeiro semestre, aliás, será lançado um box com todas elas, patrocinado pelo colecionador de arte Pedro Barbosa. Nele, haverá um livro com esboços e desenhos do artista e dois CDs contendo uma produção de poesia sonora que se forma desde a década de 1970. Entre as obras, um “concerto celulacional”, no qual 100 telefones tocam sons diferentes ao mesmo tempo, e “ronco dos brônquios”, uma espécie de ausculta dos brônquios do artista, que se tornam audíveis através de equipamentos de gravação específicos.



    Depois do Recife, a mostra segue para a Caixa Cultural Rio de Janeiro (junho a agosto de 2017) e a Caixa Cultural São Paulo (janeiro a março de 2018).

    No link abaixo, veja a exposição em 360º, registrada por Breno e Gabriel Laprovítera:
    http://revistacontinente.com.br/360/


    Serviço
    PaLarva – Poesia visual e sonora de Paulo Bruscky
    Na Caixa Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
    Visitação: até 12 de fevereiro de 2017, de terça a sábado, das 10h às 20h; aos domingos, das 10h às 17h
    Entrada gratuita
    Fone: (81) 3425-1915

  • Ailton Krenak, o porta-voz da urgência

    Ailton Krenak. Foto: DivulgaçãoAilton Krenak. Foto: Divulgação

    Em 1987, Ailton Krenak subia à tribuna do Congresso para dizer as seguintes palavras:

      

    "Eu espero não agredir, com a minha manifestação, o protocolo desta casa, mas eu acredito que os senhores não poderão ficar omissos, os senhores não terão como ficar alheios à mais essa agressão movida pelo poder econômico, pela ganância e pela ignorância do que significa ser um povo indígena. O povo indígena tem um jeito de pensar, tem um jeito de viver, tem condições fundamentais para sua existência e para manifestação da sua tradição, da sua vida, da sua existência, de sua cultura, que não coloca em risco e nunca colocaram a existência sequer dos animais que vivem ao redor das áreas indígenas, quanto mais de outros seres humanos".


    Vestido como manda o figurino parlamentar (terno, gravata), o líder indígena da etnia Krenak pintava o rosto com tinta preta, utilizada como símbolo guerreiro de seu povo, enquanto proferia seu discurso cortante. Eis uma das cenas marcantes da história brasileira, destaque também de Martírio, de Vincent Carelli, que estreou este ano como uma das obras imprescindíveis no assunto extermínio indígena no Brasil.

    Quase 30 anos depois do seu discurso, é ele o protagonista do documentário Ailton Krenak - O sonho da pedra, do diretor Marco Altberg, com exibição nesta terça (20/12), às 19h, na Caixa Cultural Recife, pelo projeto Teste de Audiência, cujo propósito é apresentar filmes brasileiros inéditos e em fase de finalização para um primeiro contato com o público, que responde ativamente à exibição, através de questionário e debate, sendo monitorado em suas reações e podendo interferir no próprio filme.


    Sumidade na questão da luta indígena no Brasil, Ailton é escritor, ambientalista e liderança política, tendo sido fundamental nas discussões da representatividade dos índios brasileiros na Constituição de 1988, cujas conquistas estão atualmente ameaçadas pelo atual governo. O documentário aborda diferentes momentos da vida deste que se tornou o porta-voz entre os brancos e seu povo, o porta-voz urgente da sobrevivência indígena neste país.

     

    Serviço:
    Teste de Audiência com o filme Ailton Krenak - O sonho da pedra
    Terça (20/12), às 19h, na Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
    Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia) - vendas a partir das 10h do dia da exibição
    Classificação indicativa: 16 anos
    Informações: (81) 3425-1915




     

  • As luzes e sombras de Sebastião Salgado

    Cena do filme sobre ensaio feito por ele no Oriente Médio. Foto: DivulgaçãoCena do filme sobre ensaio feito por ele no Oriente Médio. Foto: Divulgação

     

    "Um fotógrafo é, literalmente, alguém que desenha com a luz; um homem que escreve e reescreve o mundo com luzes e sombras."

    A frase dita por Sebastião Salgado na abertura do filme O sal da Terranos inicia, sob a direção de Wim Wenders, pelo percurso da obra-vida de um desses nomes que se tornou a síntese do ato fotográfico perfeito, a despeito de ser ele muito mais do que isso ou dos debates que esta mesma obra-vida gera em todas as direções. A discussão é um sinal de vida, e em se tratando disso, ambiguidade e força são partes inerentes daquilo que é; que é e que está sob nossos olhos. É, pois, um presente ao público do Recife a exibição única e gratuita do documentário na Caixa Cultural, neste sábado (15/10), às 16h, marcando o penúltimo dia de visita à exposição Êxodus, com imagens do ensaio homônimo do fotógrafo brasileiro que vive entre Minas Gerais e França, mas já rodou o mundo inteiro, nos mostrando um arsenal de histórias de vida.

    Para quem não viu ou quem viu, esta é uma oportunidade interessante. Afinal o filme, que disputou o Oscar de Melhor Documentário em 2015, é uma experiência para se ter diante da tela grande. Neste caso, é preciso ter também um pouco de paciência para conseguir uma entrada na Caixa Cultural, chegando uma hora antes da exibição, às 15h, para garantir os bilhetes gratuitos. Mas vale a pena. No doc, com imagens em cores e em preto e branco, somos conduzidos por uma viagem pela trajetória impressionante de Sebastião Salgado, cujo olhar humano e humanista nos leva a um estética muito particular. 

    No filme, vemos imagens do fotógrafo em várias fases e rotas pelo planeta; vemos a história de um homem com uma mulher e tanto ao seu lado; a história de um homem devoto do próprio ofício, pelo qual já ficou sete anos sem ver a família, por exemplo, e pelo qual chegou a ver tanta perversidade que adoeceu. Os bastidores de Êxodos, assim como de seu mais recente trabalho, Gênesis, são narrados também ao longo de O sal da Terra, que emociona, inevitavelmente. Vale ir de mente aberta, mas preparado para imagens fortes, de modo que a casadinha exposição + filme fará de sua tarde de sábado uma experiência minimamente relevante, para não dizer inesquecível, em meio a tantas dispersões da vida contemporânea.

    Para saber mais sobre a exposição em cartaz, leia Uma mostra para estes tempos de êxodos.

    Assista ao trailer:



     

     

     

     



     

  • Dança do Amazonas segue na Caixa Cultural

    'Cabanagem'. Foto: Divulgação'Cabanagem'. Foto: Divulgação

     

    A Caixa Cultural Recife recebe ainda esta semana o Corpo de Dança do Amazonas (CDA), com os espetáculos Cabanagem (quintas-feira, 21/7); Milongas (sexta, 22/7) e A sagração da primavera (sábado, 23/7). O grupo vale-se da linguagem da dança contemporânea, com referências modernas, clássicas e populares também.

     

    Espetáculo do repertório da companhia, Cabanagem parte de uma narrativa histórica para extrair dela a verve: uma revolta popular (homônima) ocorrida durante o Império no Brasil, na qual negros, índios e mestiços insurgiram contra a elite política da Região Norte do Brasil, sobretudo da então província do Grão-Pará. O conflito aconteceu entre 1835 e 1840, e é considerado um dos mais violentos ocorridos no país. No espetáculo, o coreógrafo Mário Nascimento retoma o acontecimento e traduz na linguagem da dança, na movimentação dos corpos, o espírito de resistência, luta, revolta e preservação das vidas e das culturas de determinado local. A duração do trabalho é de 45 minutos.

     

    Já Milongas, que alude aos encontros de tango na Argentina, é um balé que mescla os códigos contemporâneos aos clássicos, remetendo, claro, à linguagem do tango tradicional e eletrônico. O espetáculo estreou em 2011 e foi sucesso de público por onde passou.

     

    Obra consagrada de Igor Stravinsky, a secular A sagração da primavera, que já ganhou versões impactantes (além da própria estreia, em Paris) como a de Pina Bausch, entra em cena pelo Corpo de Dança do Amazonas com elementos indígenas, explorados pelos coreógrafos Adriana Goes e André Duarte. Segundo a companhia, a sagração se passa no Ritual da Moça Nova, cultura característica da tribo Tikuna, onde uma jovem índia, ao menstruar pela primeira vez, é retirada do convívio social para dedicar-se, em seu período de reclusão (Worecü), a trabalhos manuais intimamente ligados às mulheres.

     

    O CDA foi criado em 1998 pelo governo do estado do Amazonas, através da Secretaria de Cultura, e mantém-se com recursos do poder público. 

     

    As apresentações acontecem sempre às 20h e os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia). A Caixa Cultural Recife fica na Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife - em frente ao Marco Zero. Informações: (81) 3425-1915

     

     

  • Grial celebra 20 anos com o espetáculo 'Terra' na Caixa Cultural

    O solo "Terra" volta depois de vários prêmios. Foto: Victor Muzzi/Divulgação O solo "Terra" volta depois de vários prêmios. Foto: Victor Muzzi/Divulgação

    A herança indígena ajudou a constituir a cultura brasileira e a sociedade. A mesma herança, unida às memórias e transformações do Nordeste, também ajudou a conceber o espetáculo Terra, do Grupo Grial de Dança, que comemora, em 2017, duas décadas de vida. Trata-se de um solo da bailarina Maria Paula Costa Rêgo, vencedora do Prêmio APCA de 2013 na categoria Intérprete-criadora. Em 2014, durante o festival Janeiro de Grandes Espetáculos, o trabalho venceu também cinco troféus do Prêmio Apacepe. Desta quinta-feira (2/2) a sábado (4/2), e de 9 a 11/2, a Caixa Cultural Recife recebe o espetáculo criado há três anos, como última parte da trilogia Uma história, duas ou três, sempre a partir das 20h. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia).

    Serviço
    Terra
    De 2 a 4 de fevereiro; de 9 a 11 de fevereiro, às 20h
    Caixa Cultural Recife, Avenida Alfredo Lisboa, 505, Recife Antigo
    Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)
    Informações: 3425-1915

  • Jorge Furtado e seu cinema urgente na Caixa

    Jorge Furtado. Foto: frame de vídeoJorge Furtado. Foto: frame de vídeo

    Seja como diretor ou roteirista, com mais de 40 obras criadas para a televisão e para o cinema, Jorge Furtado coleciona em sua estante mais de 30 prêmios nacionais e mundiais, o que o caracteriza como um dos maiores cineastas brasileiros ainda vivos e produzindo a todo vapor. Seu panteão cinematográfico, dividido entre curtas e longas, está disponível na mostra de cinema especial Palavras em movimento – filmes e roteiros de Jorge Furtado,na Caixa Cultural Recife, desta terça (13/12) até o domingo (18/12). Os ingressos custam R$ 2 e R$ 1 (meia), com sessões começando a partir das 10h. 

    Falar de Jorge Furtado é falar da sua excentricidade como profissional. Autor de roteiros com plot twists expressivos, sua própria vida acadêmica, por exemplo, também é cheia de viradas inesperadas. No currículo, já frequentou faculdades de Psicologia, Medicina, Jornalismo e Artes Plásticas, mas nenhum desses cursos obteve Jorge Furtado no nome dos formandos. Só aquietou-se mesmo na produção audiovisual: seu desejo e paixão pelo cinema surgiu quando assistiu a uma produção em super-8 de Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil, o longa-metragem Deu para ti anos sessenta. Mais tarde, virariam sócios da Casa de Cinema de Porto Alegre, da qual é um dos fundadores e onde permanece até hoje. Antes mesmo da criação da produtora independente, já realizara dois curtas, Temporal(1984) e O dia em que Dorival encarou a guarda (1986).

    Depois disso, Furtado iria dirigir e roteirizar filmes e seriados de sucesso inquestionável, como Lisbela e o prisioneiro, Ó paí, ó, Doce de mãee, mais recentemente,o seriado Mister Brau, já renovado para a terceira temporada, em gravação e com previsão para estrear em 2017. 

    EXPRESSÃO NARRATIVA
    As criações audiovisuais de Jorge Furtado se relacionam com a comédia, o drama e o romance. Entretanto, em quaisquer de suas obras, existe uma condução à reflexão do Brasil como sociedade e cultura. É um tempero agridoce em suas receitas cinematográficas e televisivas, ora aparecendo de forma mais explícita, como no seu curta-metragem consagrado Ilha das flores(1988); ora, de forma subliminar, nem tão aparente, mas ainda ali, como no seu longa Saneamento básico(2007), mais carregado de humor e um tanto displicente. 

    Sua veia crítica aparece de forma mais clara, sem nenhum pudor ou amarras, em documentários. Uma de suas mais recentes obras dentro do gênero, O mercado de notícias(2014), trata de jornalismo e democracia. O filme brinca com a peça homônima de Ben Johnson (contemporâneo de Shakespeare) e com depoimentos de 13 jornalistas, como Cristiana Lobo, Geneton Moraes Neto, Luis Nassif, José Roberto Toledo, entre outros. Durante todo o filme, a peça ali encenada carrega uma atualidade extrema, mesmo após três séculos e meio de criação, ao criticar e questionar a prática jornalistica. Naquela época de Ben e Shakespeare, a imprensa de Gutenberg crescia e o mercado de notícias tornou-se uma realidade com a criação do primeiro jornal impresso em Londres. Os jornalistas aparecem entre uma cena e outra, comentando sobre a carreira profissional e, aqui e ali, despejando críticas ao cenário da profissão no Brasil. O longa, de mais de uma hora de duração, regozija-se ao ser dirigido de forma bem-humorada, mas, ainda assim, carregando a critica.

    Sim, é impossível não falar da produção de documentários de Furtado sem citar Ilha de flores, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. Disponível na íntegra no Youtube (ver AQUI), o curta-metragem narra a odisseia do lixo, ali representado por um tomate podre. Desde o senhor Toshiro, japonês, ser humano com o telencéfalo altamente desenvolvido que “somado à capacidade de fazer o movimento de pinça com os dedos deu ao ser humano a possibilidade de realizar um sem número de melhoramentos em seu planeta, entre eles, plantar tomates”,até o destino final, somos apresentados a pequenas histórias que sustentam a coluna vertebral da narrativa: a Ilha das Flores, um lixão localizado no Rio Grande do Sul, onde“quase não existem flores”.Se os seres humanos, no começo do curta, são seres altamente desenvolvidos capazes de produzir alimentos para a sua própria sobrevivência, no final, os seres humanos da Ilha se igualam aos porcos na busca sufocante pelo “alimento”, o lixo, o tomate podre, as carnes podres.Sem direitos, pois até mesmo ali os porcos são preferência, esses mamíferos desenvolvidos são rechaçados. O triunfo de Furtado, nesse documentário, se dá não somente pelo modo como o construiu, mas também pela indubitável sensação melancólica crescente.

    Acredito que toda arte (e é bom não esquecer que o cinema, mesmo quando é arte, nunca é só arte) é resultado de uma visão particular da realidade transformada em obra”,disse Furtado em entrevista àContracampo.Dessa forma, não só nos dois exemplos citados acima, sua apoteose cinematográfica é um retrato da realidade transformada em frames, roteiros e decupagem. Mesmo com seus filmes carregados de comédia, um gênero por muitas vezes confessado como inferior perante muitas pessoas, uma ideia, aliás, também compartilhada por Furtado. A diferença é que misturar comédia, drama e realidade roteirizada não desmerece uma obra final. Afinal, ainda na mesma entrevista, “Aristóteles diz que a diferença entre tragédia e comédia é que a tragédia mostra o que o ser humano tem de melhor, enquanto a comédia mostra o que o ser humano tem de pior”. 


    PROGRAMAÇÃO
    A curadoria do diretor e produtor Angelo Defanti para a mostra se preocupou em selecionar os filmes que alcançaram extremo sucesso de público e de crítica, além daqueles que alcançaram prestígio em premiações, a exemplo de O homem que copiava (2003), vencedor do Prêmio da Crítica no Festival de Punta del Leste, no mesmo ano, e do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cinema de Miami.

    Toda a experiência do cineasta será debatida numa master class gratuita promovida pelo próprio Jorge Furtado, no domingo (18/12), a partir das 17h. Intitulada Começar bem, a aula se baseará na experiência do diretor e roteirista dentro do universo cinematográfico, além de detalhar seu processo criativo e fonte de inspiração proveniente da literatura. Além disso, no dia anterior, um debate sobre os rumos da imprensa nacional terá como fio condutor o seu documentário O mercado de notícias (2014), com reflexos sobre os destinos do jornalismo na atualidade política e social. O debate acontece após a exibição do filme, às 18h30, com as presenças do próprio Jorge Furtado e da jornalista Adriana Dória, editora da Continente, e mediação de Angelo Defanti. O acesso é gratuito, com bilhetes disponíveis a partir das 17h30.

    "Mercado de notícias" discute o jornalismo a partir de peça homonônima"Mercado de notícias" discute o jornalismo a partir de peça homonônima

    Confira os filmes da mostra:

    Terça, 13/12

    14h

    - Até a vista
    (de Jorge Furtado, 18 min, cor, 2011, 12 anos)
    Numa livraria na cidade de Porto Alegre, Fernando procura uma história para contar em seu primeiro longa-metragem. Fernando viaja para Argentina atrás de Borges Escudero, o autor do romance “Fronteiras”. Na tentativa de conseguir os direitos autorais, o cineasta recebe uma proposta inusitada do escritor. Os dois viajam para o Brasil a procura de um antigo amor de Borges Escudero.


    - Saneamento básico, o filme
    (112 min, cor, 2007, 12 anos)
    Na pequena Linha Cristal, a comunidade se mobiliza para construir uma fossa no arroio e acabar com o mau cheiro. Marina, a líder do movimento, descobre que a Prefeitura este ano só tem verba para produzir um vídeo de ficção. Então ela e seu marido Joaquim resolvem filmar a história de um monstro que surge no meio das obras de saneamento. Marina escreve um roteiro, Joaquim faz uma fantasia. Silene aceita ser atriz, Fabrício tem uma câmara. Aos poucos, as filmagens vão envolvendo todos os moradores do local.

    Em "Saneamento básico", diretor "tira onda" com o temaEm "Saneamento básico", diretor "tira onda" com o tema

    16h30

    - Decamerão: Ep. Comer, amar e morrer (39')
    Ep. O espelho (31')
    Ep. O ciúme (35')

    18h30
    - O homem que copiava
    (de Jorge Furtado, 124 min, cor, 12 anos)
    André, 20 anos, operador de fotocopiadora em uma papelaria, precisa desesperadamente de trinta e oito reais para impressionar a garota dos seus sonhos, Sílvia, que mora no prédio em frente e trabalha como balconista em uma loja de artigos femininos. Ajudado por seu amigo Cardoso, e depois também pela colega de trabalho Marinês, André faz muitos planos para conseguir dinheiro. E todos dão certo. E é aí que seus problemas começam.

    Quarta 14/12

    15h
    - Ângelo anda sumido
    (de Jorge Furtado, 17 min, cor, 1997, Livre)
    Dois velhos amigos se reencontram e combinam de jantar juntos, mas em seguida voltam a se perder no labirinto de grades, cercas e muros de uma grande cidade.

    - Meu tio matou um cara
    (de Jorge Furtado, 85 min, cor, 16 anos)
    Duca, aos 15 anos, descobre que os crimes que ele está acostumado a ver em jogos eletrônicos também podem existir na vida real, quando seu tio Éder é preso por um assassinato mal explicado. Duca resolve investigar o caso por conta própria, e tenta levar junto seus colegas Kid e Isa. Mas Isa parece mais interessada em Kid. E Kid parece mais interessado na primeira que aparecer. E Duca, claro, no fundo só se interessa por Isa.

    17h 
    - A comédia da vida privada: As idades do amor (47')
    - História do amor temp 1 (47')

    19h 
    - História do amor temp 3 (16)' (classificação livre) 
    - Velásquez e a teoria quântica da relatividade (3') 
    - Houve uma vez dois verões
    (de Jorge Furtado, 75 min, cor, 2002, 12 anos)
    Chico, adolescente em férias na "maior e pior praia do mundo", encontra Roza num fliperama e se apaixona. Transam na primeira noite, mas ela some. Ao lado de seu amigo Juca, Chico procura Roza pela praia, em vão. Só mais tarde, já de volta a Porto Alegre e às aulas de química orgânica, é que ele vai reencontrá-la. Chico quer conversar sobre "aquela noite", mas Roza conta que está grávida. Até o próximo verão, ela ainda vai entrar e sair muitas vezes da vida dele.

    Quinta 15/12

    14h30

    - Luna Caliente (120') (14 anos)

    17h
    A comédia da vida privada - Ep. O mistério da vida alheia (53') + História do amor temp 2 (34')

    19h 
    - O dia em que Dorival encarou a guarda
    (de Jorge Furtado e José Pedro Goulart, 14 min, cor, 1986, 14 anos)
    Numa prisão militar, numa noite de muito calor, o negro Dorival tem apenas uma vontade: tomar um banho. Para consegui-lo, vai ter que enfrentar um soldadinho assustado, um cabo com mania de herói, um sargento com saudade da namorada, um tenente cheio de prepotência - e acabar com a tranquilidade daquela noite no quartel.

    - Homens de bem (70') (classificação 14 anos)

    Sexta 16/12

    15h

    - A comédia da vida privada: Ep. Apenas bons amigos (47') (classificação 16 anos)
    - Cena aberta: Ep. O negro Bonifácio (31') (livre)

    17h
    - Ed Mort: Ep. Nunca houve uma mulher como Gilda (53') (classificação 16 anos)
    - Cena aberta: Ep. As três palavras divinas (24')

    19h 
    - A comédia da vida privada: Anchietanos (50') (classicação 12 anos)
    - Cena aberta: Ep. A hora da estrela (39') (classificação livre)

    Sábado 17/12

    13h 
    - Doris para maiores: Ep. Dona Sílvia não gostava de música (4') CLASSIFICAÇÃO: 16 ANOS + Ep. Tempo (3') 
    - O sanduíche
    (De Jorge Furtado, 13 min, cor, 2000, 10 anos)
    Os últimos momentos de um casal: a hora da separação. Mas o fim de alguma coisa pode ser o começo de outra. Outro casal, os primeiros momentos: a hora da descoberta. Encontros, separações e um sanduíche. No cinema, o sabor está nos olhos de quem vê.

    - Doce de mãe (70') (classificação 12 anos)

    15h
    - A comédia da vida privada: Drama (52') (classificação 12 anos)
    - Barbosa
    (de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, 13 min, cor, 1988, livre)
    Trinta e oito anos depois da Copa do Mundo de 1950, um homem volta no tempo a fim de impedir o gol que derrotou o Brasil, destruiu seus sonhos de infância e acabou com a carreira do goleiro Barbosa.
    - Esta não é a sua vida
    (de Jorge Furtado, 16 min, cor, 1991, 10 anos)
    Documentário sobre a vida de Noeli Joner Cavalheiro. Noeli mora num subúrbio de Porto Alegre, é dona de casa e tem dois filhos. Nasceu numa cidade do interior, foi pra capital, trabalhou numa padaria, casou. É uma pessoa comum. Mas não existem pessoas comuns.

    16h30
    - Ilha das flores
    (de Jorge Furtado, 12 min, cor, 1989, livre)
    Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. Ilha das flores segue-o até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

    "Ilha das Flores" virou um clássico do documentário nacional"Ilha das Flores" virou um clássico do documentário nacional

    - Fraternidade
    (de Jorge Furtado, 3 min, cor, 1999, 10 anos)
    Documentário sobre o retorno à Ilha das Flores. 
    - A matadeira
    (de Jorge Furtado, 16 min, cor, 1994, 14 anos)
    Canudos foi uma pequena aldeia no nordeste do Brasil, fundada pelo líder messiânico Antônio Conselheiro e massacrada por um poderoso exército até a morte do último de seus 30 mil habitantes, em 5 de outubro de 1897. O filme conta o massacre de Canudos a partir de um canhão inglês, apelidado pelos sertanejos de A Matadeira, que foi transportado por 20 juntas de boi através do sertão para disparar um único tiro.

    - O mercado de notícias
    (de Jorge Furtado, 94 min, cor, 2013, 10 anos) 
    Documentário sobre jornalismo e democracia. O filme traz os depoimentos de treze importantes jornalistas brasileiros sobre o sentido e a prática de sua profissão, o futuro do jornalismo e também sobre casos recentes da política brasileira. O surgimento do jornalismo, no século 17, é apresentado pelo humor da peça O mercado de notícias, escrita pelo dramaturgo inglês Ben Jonson em 1625. Trechos da comédia de Jonson, montada e encenada para a produção do filme, revelam sua espantosa visão crítica, capaz de perceber na imprensa de notícias, recém-nascida, uma invenção de grande poder e grandes riscos.

    *Sessão seguida de debate com Jorge Furtado e jornalistas

    Domingo 18/12

    17h
    Começar bemmaster class de Jorge Furtado

    Serviço:
    Mostra Palavra em movimento - Filmes e roteiros de Jorge Furtado
    De 13 a 18 de dezembro de 2016
    Local: Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
    Telefone: 3425-1915
    Ingressos: R$ 2 e R$ 1 (meia) para as exibições. O debate e a master class têm entrada gratuita, com distribuição de senhas uma hora antes do início

  • O mosaico de Almodóvar por Silvia Oroz

    "Tudo sobre minha mãe". Foto: Teresa Isasi/El Deseo/Divulgação"Tudo sobre minha mãe". Foto: Teresa Isasi/El Deseo/Divulgação

    Toda a valoração do cinema latino-americano implica necessariamente uma valoração dos gêneros sobre os quais baseou seu desenvolvimento industrial: a comédia e o melodrama, ou, como o público dizia: os 'filmes para rir' e os 'filmes para chorar'. Esta divisão foi a forma espontânea de reconhecimento do poder do espetáculo-divertimento existente naquela produção.”Foi assim, no livroMelodrama – O cinema de lágrimas da América Latina (Rio Fundo Editora, 1992),que aprofessora e pesquisadora argentina Silvia Oroz,há muito radicada no Brasil, contextualizou os gêneros fílmicos que lastreiam a própria ideia de um cinema latino-americano.

    Silvia esteveno Recifeno último fim de semana(13 e 14/5)para falar de um realizador que,embora nascido na Europa,ampliou as possibilidades de conjunção entre a comédia e o melodrama e, por conseguinte, aumentou o poder de fascínio do “espetáculo-divertimento”feito com os amores, humores e sabores dos latinos: o espanhol Pedro Almodóvar. Ela é uma das curadoras,ao lado do jornalista Breno Lira Gomes,daretrospectivaEl deseo – O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar,que entra na sua segunda semana na Caixa Cultural Recife (ver programação completa AQUI).

    Só por exibir a totalidade da filmografia do cineasta deAta-me(1989) eCarne trêmula(1997),El deseo – O apaixonante cinema de Pedro Almodóvarjá seria uma mostra mais do que louvável. No entanto, a retrospectiva tambémbuscou propiciar aoportunidade de uma investigação maisdensa sobre os matizes – estéticas,políticos, sociais –do cinema almodovariano.O próprio catálogo, aliás, é testemunho disso, com uma considerável fortuna crítica de artigos e entrevistas (em formato PDF, pode ser lido e baixado AQUI).

    Na sexta(12/5)e no domingo(14/5) passados, respectivamente,Silvia Orozparticipou do debateOcinema dePedro Almodóvare comandou umamaster class sobre as relações entre Almodóvar e o melodrama –e esta, mesmo se tratando do Dia das Mães, levou um excelente público ao centro cultural, no Bairro do Recife.Antes de conversar com os recifenses sobre “um dos cineastas mais contemporâneos da atualidade”, a professora de Cinema da Universidade Estácio de Sá e da Facha,também por anos curadora de pesquisa da cinemateca do MAM/RJ, falou àContinente sobre o vulcão Almodóvar.Os filmes dele são híbridos que partem do melodrama para se fundir à comédia, à farsa, ao musical. Ele faz um mosaico de raiz melodramática”, descreve. A filiação do espanhol ao melodrama e sua liberdade para reinventá-lo e subvertê-lo foi o motor da entrevista que ela concedeuabaixo

    CONTINENTE EmMelodrama – O cinema de lágrimas da América Latina,você analisa como o gênero foi moldado pelos diretores e, ao ser bem-recebido pelas plateias, se transformou num dos marcos do cinema latino-americano. Como Pedro Almodóvar se encaixa nisso?
    SILVIA OROZ Almodóvar é um expoente muito interessante do melodrama latino-americano, mas um melodrama que não é o mesmo dos anos 1930, 1940 e 1950, e sim um melodrama de outro tipo, um melodrama híbrido. Seus filmes se inscrevem dentro do processo de hibridismo cultural. São híbridos porque misturam melodrama com farsa, comédia, musical… Ele faz um mosaico de raiz melodramática. Estão lá os elementos clássicos do gênero – amor, poder, morte, perda –, mas ele os utiliza com um lado bem irônico. A morte é descrita por um viés cômico, coisa que não acontecia nos melodramas clássicos. O que Almodóvar faz é atualizar o melodrama.

    CONTINENTE Isso é algo que se percebe desde os primeiros filmes dele,que remontam ao início dosanos 1980?
    SILVIA OROZSim, sem dúvida, e que explode com Mulheres à beira de um ataque de nervos(1988). Amor, ódio, morte, tudo aparecia misturado de um modo bem pós-moderno, totalmente contemporâneo. Era a Espanha pós-Franco, então o desbunde espanhol surgia com toda força. Os filmes dele dessa época são, às vezes, uma salada russa, com esculhambação, com deboche, com muito frescor. Mulheres..., por exemplo, é um dos primeiros filmes a colocar o fim do patriarcado. As personagens femininas eram poderosas; aliás, ele criou uma tradição de figuras femininas fortes e fantásticas. Acho que tem a ver a própria criação dele.

    Silvia Oroz. Foto: DivulgaçãoSilvia Oroz. Foto: Divulgação

    CONTINENTE
    Ele já falou, em diversas entrevistas, da infância cercado de mulheres, numa cidade próxima a Madri.
    SILVIA OROZEle cresceu cercado pela mãe e pelas tias, todo imerso num mundo feminino. O mundo de Almodóvar como cineasta não é muito diferente do que ele vivenciou como criança. Todas as mulheres de seus filmes parecem de carne e osso. Acho que é por isso também que ele constrói suas relações com as atrizes. Durante um tempo, o primeiro da sua carreira, ele foi casado com Carmen Maura. Depois, vieram Victoria Abril, Marisa Paredes, Penélope Cruz... Adoro Carmen Maura, ela era um gênio de mulher e um elemento fundamental do primeiro Almodóvar. Já Marisa é muito mais melodramática. A relação que ele construiu com elas foi uma espécie de casamento mesmo. Como Godard e Anna Karina, e Roberto Rossellini e Ingrid Bergman. Almodóvar casa com essas mulheres seguindo uma etapa cultural de sua subjetividade e todos os filmes são pensados pela perspectiva da mulher que ele escolheu. Isso é o que faz esse universo feminino dele tão rico. Ele tem um carinho por essa mulherada, trabalha suas personagens com empatia total, se coloca dentro das personagens. Já elas dão tudo de si, se entregam a essa paixão almodovariana. Isso é muito interessante.

    CONTINENTEComo é que isso tudo transborda para a concepção imagética?
    SILVIA OROZA paleta de cores dele se baseia no Cinemascope, o tipo de película e projeção que era vanguarda quando ele era pequeno. Essas são as cores – exuberantes, fortes – que ficaram fixadas na subjetividade dele. E o que ele faz com essa paleta é fascinante. É uma paleta que viaja. Há sempre um elemento na mise-en-scène para reforçar essa paleta de cores… Até os lábios das protagonistas reforçam isso, seja no batom vermelho que a personagem de Penélope usa em Volver(2006), seja no que a personagem de Victoria Abril usa em Ata-me.

    CONTINENTEVocê acha que esse cuidado na composição da imagem atinge o ápice na fase mais madura dele, que começa em 1997, comCarne trêmula,e temTudo sobre minha mãe (1999), Fale com ela (2002) eVolver?
    SILVIA OROZAcho que esses são filmes muito perfeitos. A imagem é perfeita, assim como a atuação, mas eu prefiro a imperfeição. Como cineasta, ele pode amadurecer, mas não pode deixar de lado sua face brincalhona, contestadora. Eu gosto mais de um filme como Os amantes passageiros (2013), em que ele volta a flertar com os limites da esculhambação, do que de A pele que habito (2011), por exemplo, em que é muito acadêmico. Todos esses filmes que você citou não são ruins, muito pelo contrário, são perfeitos demais. O que me perturba é essa perfeição.

    CONTINENTEÉ como se Almodóvar tivesse se domesticado então?
    SILVIA OROZExatamente. Tem a ver com a idade, com o Oscar (Almodóvar levou a estatueta de melhor filme estrangeiro porTudo sobre minha mãe e a de melhor roteiro original porFale com ela), com a vida em geral… 

    CONTINENTEPartindo daí, uma curiosidade: você consideraAta-me mais filme do queVolver, por exemplo?
    SILVIA OROZ Ah, claro. Mas isso é gosto pessoal.

    Almodóvar (direita) dirigindo "Maus hábitos". Foto: Ana Muller/El Deseo/DivulgaçãoAlmodóvar (direita) dirigindo "Maus hábitos". Foto: Ana Muller/El Deseo/Divulgação

    CONTINENTEComo percebe Pedro Almodóvar diante do mundo em que vivemos hoje?
    SILVIA OROZO que é preciso ressaltar é que, mesmo domesticado, como eu costumo dizer, mesmo abrindo mão da esculhambação, Almodóvar é um cara absolutamente contemporâneo.Seus filmes anteriores, mais iconoclastas, falavam de divórcio quando ainda era um tabu. Depois, ele falou de HIV, do abuso sexual dos padres católicos, do sexo entre homens. A cena de sexo deA lei do desejo, com Antonio Banderas,é emblemática até hoje. Hoje, seus filmes refletem as conversas que temos com nossos amigos, o cotidiano, a matéria de que é feita a vida. Eu prefiro o Almodóvar deMaus hábitos(1983) eQue fiz eu para merecer isto? (1984), mas é inegável que ele é um dos cineastas que mais dialoga com a contemporaneidade. Todos os temas que ele abraça vêm envoltos na contemporaneidade, com tudo que ela tem de excessivo, de performático e contraditório.

  • Todo Almodóvar: uma retrospectiva

    Pedro Almodóvar, o diretor. Foto: Paola Ardizzoni & Emilio Pereda/DivulgaçãoPedro Almodóvar, o diretor. Foto: Paola Ardizzoni & Emilio Pereda/Divulgação

    Que Pedro Almodóvar é um dos cineastas mais admirados da contemporaneidade não é novidade alguma. Que o diretor espanhol é um dos expoentes máximos do melodrama latino-americano, também não. E que seus filmes transbordam e ultrapassam a fronteira audiovisual, influenciando de coleções de acessórios de moda a livros e pinturas, eis uma constatação fácil de se obter. A diferença deste maio chuvoso é a oportunidade de ver, rever e se apaixonar por cada um dos seus 22 longas-metragens, bem como de mergulhar nas nuances estéticas e políticas de seu processo de criação cinematográfica. Vai até o próximo dia 20/5, na Caixa Cultural Recife, a retrospectiva
    El deseo – O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar.

    Com curadoria do jornalista Breno Lira Gomes e da professora Silvia Oroz, argentina radicada no Brasil e especialista na obra do realizador, a mostra abrange também um olhar crítico sobre essa produção. Haverá um debate na próxima sexta à noite, com participação dos dois curadores, e também umamaster class com Silvia Oroz, com foco nas especificidades que caracterizam a filmografia de Almodóvar. “Ele é um cineasta absolutamente contemporâneo. Todos os temas que ele abraça vêm envoltos na contemporaneidade, com tudo que ela tem de excessivo, de performático e contraditório”, observa Silvia em entrevista àContinente.

    Dessa forma, o público poderá ter acesso à fase inicial da constituição de Almodóvar como cineasta, que a curadora descreve como um “Almodóvar mais indomável”, em filmes comoMaus hábitos (1983),Que fizeupara merecer isto? (1984) e aquele que o fez explodir para além da Espanha Mulheres à beira de um ataque de nervos, de 1988. E poderá cotejar tais produções com as suas incursões mais amadurecidas, a exemplo deTudosobreminhamãe(1999),Fale com ela(2002)eVolver (2006).O último filme dele,Julieta, integrante da competição oficial de Cannes em 2016, também será exibido.

    As sessões terão ingressos a preços módicos -R$ 4 e R$ 2 (meia);o debate e amaster class terão acesso livre, com distribuição de senhas algumas horas antes. Veja a programação completa abaixo.

    Confira programação:

    Terça,09/5

    17h -Pepi, Luci, Bomeoutrasgarotasdemontão(1980,1h20, 18 anos)

    19h -Labirinto de paixões(1982,1h40, 18 anos)

    Quarta,10/5

    17h –Maus hábitos (1983,1h55, 18 anos)

    19h15 –Que fiz para merecer isto? (1984,1h42, 14 anos)


    Quinta,
    11/5

    17h –Matador (1986,1h36, 18 anos)

    19h - Alei do desejo (1987,1h40,16 anos)


    Sexta,
    12/5

    17h –Filmes que marcaram época: Tudo sobre minha mãe (52',10 anos)

    18h10 –Tudo sobre o desejo – O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar (49',10 anos)

    19h15 – Debate: O cinema dePedro Almodóvar (90')


    Sábado,
    13/5

    15h –Kika (1993,1h52,14 anos)

    17h15 –De salto alto(1991,1h53,16 anos)

    19h30 –Mulheres à beira de um ataque de nervos(1988,1h35, 12 anos)


    Domingo,
    14/5

    16h – Master class: Pedro Almodóvare omelodrama(120')


    Terça,
    16/5

    17h -Aflor do meu segredo (1995,1h42, 14 anos)

    19h –Ata-me! (1989, 1h41,18 anos)


    Quarta,
    17/5

    17h -Carne trêmula(1997,1h39,18 anos)

    19h –Tudosobreminhamãe(1999, 1h40,14 anos)


    Quinta,
    18/5

    17h –Má educação (2004,1h45, 18 anos)

    19h –Fale com ela(2002, 1h52, 14 anos)


    Sexta,
    19/5

    17h –Abraços partidos (2009,2h09,14 anos)

    19h15 –Volver (2006,2h01,14 anos)


    Sábado,
    20/5

    15h –Amantes passageiros (2013, 1h31, 16 anos)

    17h –Apele que habito (2011,2h13,16 anos)

    19h30 –Julieta (2016,1h39, 14 anos)



    SERVIÇO

    Eldeseo – Oapaixonantecinema de Pedro Almodóvar

    Caixa Cultural Recife(Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife/PE)
    De 9 a 20 de maio de 2017

    Telefone:(81)3425-1915

    Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia). O debate e a master class têm entrada gratuita: para o debate as senhas serão distribuídas a partir das 10h;para a master class, a partir das 15h.

  • Tributo a Ilê Aiyê celebra Semana da Consciência Negra

    Grupo faz tributo ao mais antigo bloco afro do Carnaval de Salvador. Foto: DivulgaçãoGrupo faz tributo ao mais antigo bloco afro do Carnaval de Salvador. Foto: Divulgação

     

    "Que Bloco é esse
    Eu quero saber
    É o mundo negro
    Que viemos cantar para você"

    Ilê-aiyê, segundo o dialeto afro, significa “morada do negro”. O mesmo verbete também pode ser usado como referência ao mais antigo bloco afro do carnaval de Salvador, na Bahia, sendo conhecido ainda como um grupo cultural de luta pela valorização e inclusão da população afrodescendente. Sua história serviu de inspiração para a criação de muitos outros grupos culturais no Brasil e no mundo, inclusive para o espetáculo-tributo que se apresenta no Recife desta quinta (17/11) a sábado (19/11).

    O Ilê Aiyê comemora, em 2016, 42 anos de tradição e o tributo vem percorrendo o país desde 2014. O espetáculo Tributo ao Ilê Aiyê - 40 anos de história narra a trajetória do bloco, fundado por quatro jovens do bairro do Curuzu, na capital baiana. A apresentação é na Caixa Cultural, no Recife Antigo, como atividade ligada a esta Semana da Consciência Negra. Um misto de canto, dança, percussão e negritude estão presentes na composição teatral, que conta com a participação de integrantes originais da instituição nos quadros musicais, nas coreografias e nas letras das músicas.

    Além do espetáculo Tributo ao Ilê Aiyê, o projeto oferecerá ainda a Oficina de Dança Afro, no dia 19/11 às 10h. Os interessados devem enviar currículo para o email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. A inscrição é gratuita e a idade mínima é de 16 anos.

    Serviço:
    Espetáculo Tributo ao Ilê Aiyê - 40 anos de história
    Dias 17 e 18/11, às 20h, e 19/11, às 17h e 20h
    No Teatro Caixa Cultural Recife, Av. Alfredo Lisboa, 505, Recife Antigo (em frente ao Marco Zero)
    Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)
    Classificação: Livre
    Informações: 3425-1915

  • Uma lupa para a animação pernambucana

    Cena de "Dia estrelado", de Nara NormandeCena de "Dia estrelado", de Nara Normande

    As primeiras experimentações em animação em Pernambuco datam dos anos 1970, quando se iniciou o Ciclo do Super-8 em Pernambuco, um movimento que fez ressurgir o cinema local. De acordo com Alexandre Figueirôa, autor do livro O Cinema Super-8 em Pernambuco, lançado em 1994, a época permitiu aos cineastas amadores colocarem Recife na rota de produções cinematográficas, mesmo usando equipamentos domésticos. 

    Partindo deste princípio, a animação pernambucana veio ao mundo de forma tardia. Através da união de Fernando Spencer e Lula Gonzaga, este um dos precursores do gênero no Estado, foi lançado o curta animado Vendo/Ouvindo em 1972, 55 anos depois do lançamento do primeiro curta de animação brasileiro, O kaiser, de Álvaro Martins (1917). 

    Desde então, quatro décadas se passaram desde o fim do Ciclo do Super-8. Diversas produções de animações começaram a ser realizadas em Pernambuco. Através da iniciativa de Lula Gonzaga, recifense que foi até o Rio de Janeiro estudar e dar vida às suas ideais, outras animações começaram a surgir e a “fazer barulho” não só por aqui, mas também no Brasil. 

    Algumas animações recentes serão exibidas e expostas, em forma de frames, em A arte da animação em Pernambuco, evento com exposição, mostra e oficinas na Caixa Cultural Recife. “As pessoas poderão conhecer como funciona a criação de um cinema de animação”, conta Julio Cavani, cineasta e curador da exposição. Segundo Julio, que selecionou os frames e as fotos a serem mostrados durante os dias de exibição, a ideia é apresentar ao público a beleza do gênero, também revelando os bastidores das criações. “Colocamos desde imagens que entraram nos filmes, na maneira que vimos, até rabiscos, esboços que foram usados como ensaios”, diz Julio.

    Ele também foi realizador do curta animado Deixem Diana em paz (2013), seu primeiro projeto dentro do campo das animações, que será também exibido na sessão de curtas de A arte da animação em Pernambuco. O curta foi inspirado no conto de mesmo nome de Fred Navarro, que depois foi transformado em quadrinhos, filme e, enfim, em animação pelas mãos do cineasta. “Ela (Diana) quer viver da maneira dela, sem obedecer ao que a sociedade manda, ela quer liberdade. Quem assistir ao curta entenderá”, explica Julio.

     

    Produzido em stop-motion, o curta Dia Estrelado foi o primeiro realizado profissionalmente por Nara Normande. Possuindo veia artística desde sempre, a animação aproximou-a ainda mais do cinema, segundo ela próprio. O curta, de 18 min, conta a história de um garoto e sua família lutando pela sobrevivência num local inóspito.

     

    Animada com a exposição, Nora Normande acredita que o interessante será as pessoas observarem os bastidores dos curtas, as fases de pré-produção e roteiros. “A mágica vai ser assistir os filmes e depois ver na exposição como eles foram feitos”, diz a cineasta, nascida em Maceió, Alagoas. Veio para o Recife em 2000, e desde 2005 se aventura, de forma experimental e depois profissional, na arte da animare, uma gênese latina para animação que significa dar vida.

     

    As criações de Lula Gonzaga também entrarão em exposição durante o período. Frames de Nimbus e A saga da asa branca estarão disponíveis aos olhares dos visitantes, para que as pessoas conheçam os bastidores e, quem sabe, até mesmo o que entrou e o que não entrou nos curtas finais. 


    Oficinas de animação também estão na programação. Jovens de 8 a 14 anos poderão aprender os princípios da animação com o cineasta Bruno Cabús. As aulas acontecerão nos dias 22, 24 e 26 de novembro, das 14h às 17h. As inscrições devem ser feitas no e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., informando nome, idade e o dia em que o aluno desejar participar da oficina. 

    A abertura da exposição é nesta quinta (3/11), às 19h. Ao todo, será um mês de visitação, que segue até o dia 4 de dezembro. Entre os curtas da mostrs, estão Dia estrelado, de Nara Normande; O ex-mágico, de Olímpio Costa; Deixem Diana em paz, de Julio Cavani; e O gaivota, de Raoni Assis. Os curtas serão exibidos nos dias 5 de novembro e 3 de dezembro. A exposição pode ser vista das terças aos sábados, das 10h às 20h, e aos domingos, das 10h às 17h. A entrada é franca. A Caixa Cultural fica no Marco Zero, Bairro do Recife.

  • Uma mostra para estes tempos de êxodos

    Sebastião Salgado retratou refugiados e pessoas em processo de migração em 40 países. Fotos: Sebastião Salgado/DivulgaçãoSebastião Salgado retratou refugiados e pessoas em processo de migração em 40 países. Fotos: Sebastião Salgado/Divulgação

     

    A partir desta quinta-feira (1/9), a Caixa Cultural Recife recebe, em seu 2º andar, a exposição do famoso ensaioÊxodos(1999),do fotógrafo Sebastião Salgado. Com entrada gratuita, a mostra traz 60 fotografias nas quais Sebastião busca provocar reflexão sobre as situações políticas, sociais e econômicas de pessoas que foram obrigadas a deixar a sua terra de origem.Considerado um dos maiores nomes da fotografia mundial, o mineiro viajou durante seis anos, por 40 países, para registrar a humanidade em trânsito no projeto que já se tornou livro homônimo (publicado em 2000, pela Companhia das Letras, já esgotado) e ocupa agora o espaço expositivo da Caixa.

     

    Os retratos se distribuem em cinco temáticas principais: África; Luta pela terra; Refugiados e migrados; Megacidades; e Retratos de crianças, para a qual tentou responder uma indagação que permeou sua mente durante toda a viagem: “Como é possível uma criança sorridente representar o infortúnio mais profundo?”.

     

    No livro, fotógrafo narra que se deparou com grupos de crianças loucas para serem fotografadasNo livro, fotógrafo narra que se deparou com grupos de crianças loucas para serem fotografadas

     

    Para o gestor da Caixa Cultural Recife, Elton Rodrigues, esta é uma exposição que, além do valor artístico pelo reconhecimento de Sebastião Salgado, tem um grande impacto visual ao retratar pessoas que abandonaram sua terra natal contra a própria vontade. “São histórias as quais a gente não está atento no cotidiano, mas que são muito próximas de nós”, reflete Elton.“Ninguém sai do seu lugar porque está tudo bem, as pessoas são levadas ao êxodo pelos mais diversos motivos, quase sempre por tragédias, por questões que não têm como controlar, como a pobreza. E estar diante dessas fotografias, nestas dimensões, nos leva a refletir mais sobre estas questões tão importantes”, continua.

     

    Salgado, porém, traz um tom auspicioso ao registrar aqueles que, mesmo envoltos no caos da mudança, dos conflitos de terras e da urbanização caótica, mantêm viva a chama da esperança e da dignidade humana. “Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes”, define Sebastião Salgado no livro homônimo à exposição.

     

    A abertura deÊxodos é às 19h, desta quinta (1/9). A visitação começa dia 2 de setembro e vai até 16 de outubro, podendo ser feita de terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos das 10h às 17h. A mostra já passou pela Caixa Cultural Salvador e, depois de Recife, segue para o espaço expositivo em Curitiba.

     

    Nas imagens, pessoas que se tornaram migrantes fugindo da pobreza, da repressão ou das guerrasNas imagens, pessoas que se tornaram migrantes fugindo da pobreza, da repressão ou das guerras

     

    PROJEÇÕES

    Para os fãs de Salgado que estavam na expectativa da exposição Gênesis (2013) no Recife, o gestor da Caixa Cultural explica que não existe nenhuma negociação neste sentido. “As exposições da Caixa Cultural obedecem à regulamentação dos programas de ocupação, tendo todos os projetos selecionados por meio de edital, salvo raras exceções como no caso da exposição Frida Kahlo realizada na Caixa Cultural Brasília”, esclarece.

     

    Segundo o resultado do Edital de Ocupação 2015, a Caixa Cultural Recife deve receber, ainda este ano, as exposiçõesObey - A arte de Shepard Fairey (15/9 a 20/11); O gabinete de Alice (27/10 a 4/12);PaLarva - Poesia visual e sonora de Paulo Bruscky(30/11/2016 a 12/02/2017); e J. Borges - 80 anos (20/12/2016 a 12/2/2017). O resultado do edital pode ser conferido aqui.

     

    Serviço:

    Exposição fotográficaÊxodos, de Sebastião Salgado

    Onde: Caixa Cultural Recife, na Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife

    Abertura: 1º de setembro de 2016, às 19h, com entrada gratuita

    Visitação: 2 de setembro a 16 de outubro de 2016

    Horário: terça a sábado, das 10h às 20h | domingos das 10h às 17h

    Classificação indicativa: Livre