• Arco apresenta espetáculo de dança no Dona Lindu

    "15 para as 11", do Grupo Arco. Foto: Divulgação "15 para as 11", do Grupo Arco. Foto: Divulgação

    Espetáculo de dança que se constrói pelos afetos, pela memória e pelo amor através de uma trilha sonora bem-selecionada, com novos e velhos nomes da música brasileira, como Johnny Hooker, Elza Soares, Caetano Veloso e Ney Matogrosso. Assim é 15 para as 11, um trabalho do Grupo Arco, novo no Recife, formado por diversos grupos e escolas da cidade. Apresentando-se em oito, o espetáculo tem direção de Diego Magno, que se propõe a tratar do amor e do corpo traído, numa narrativa que se desenvolve dando a impressão de que estão numa cidade interiorana, em que cada um conhece cada um. O espetáculo está em temporada no Teatro Luís Mendonça, no Parque Dona Lindu, sempre aos sábados, a partir das 20h, até o dia 29 de abril. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia). 

    Serviço
    15 para as 11
    22 e 29 de março, às 20h
    Teatro Luís Mendonça, Parque Dona Lindu (Avenida Boa Viagem, Recife)
    R$ 30 e R$ 15 (meia)

  • Barreto Junior abre inscrições para “Quartas da Dança”

    O Teatro Barreto Júnior fica localizado no bairro do Pina - Foto/DivulgaçãoO Teatro Barreto Júnior fica localizado no bairro do Pina - Foto/Divulgação

     

    Companhias, grupos e artistas independentes de Dança do Recife podem inscrever, até o dia 12 de setembro, pautas para Teatro Barreto Júnior para o programa Quartas da Dança. Os interessados devem enviar propostas espetáculos, para ocupação a partir do dia 14, acompanhando o release, ficha técnica e três fotos da montagem.

     

    Segundo a Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura da Cidade do Recife, o material deve ser entregue até o dia 12/09, das 9h às 17h, na Divisão de Artes Cênicas da Prefeitura do Recife, localizada no Pátio de São Pedro (Casa 10 - 1º andar), no Bairro de São José.


    Os projetos serão avaliados por uma comissão composta por três avaliadores - sendo dois representantes da sociedade civil e um da FCCR. Os selecionados terão a bilheteria da apresentação, pagando 10% do valor arrecadado como taxa de ocupação do espaço. Para mais informações, os proponentes podem entrar em contato com a Fundação de Cultura através do telefone (81) 3355-3137 ou através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

  • Dança de rua dá largada a festival do Recife

    "Break" é destaque neste primeiro fim de semana. Foto: reprodução internet"Break" é destaque neste primeiro fim de semana. Foto: reprodução internet

    Break dance
    , b.boys e b.girls. O universo do hip hop marca a abertura, na tarde deste sábado (22/10), do 21º Festival de Dança do Recife, cuja programação se divide entre a rua e os palcos. Com seleção menor e mais focada na produção local, o festival segue até o dia 29 deste mês, abarcando apresentações em diferentes espaços da cidade.

    O primeiro dia começa cedo, às 9h, com a roda de break Ginga B.Boys e B.Girls na Torre Malakoff, Praça do Arsenal, Bairro do Recife. Até meio dia, rola apresentação da categoria Breaking masculino. Das 14h às 17h, da Popping(estilo mais old school, de movimentos mais "estacados", "robotizados"). Das 18h às 21h, da categoria Breaking feminino. Cada categoria tem 28 participantes. No domingo (23/10), acontecem as batalhas em grupo, com 32 crews, que se enfrentam em trios das 9h às 12h, onde passam 16, que se enfrentam das 14h às 22h, até que o grupo campeão seja escolhido. O campeonato acontece dentro da Mostra de Danças Urbanas, organizada pela Associação Metropolitana de Hip Hop, e que há 11 anos integra a programação do festival. Os vencedores serão escolhidos por um júri formado por integrantes da cena hip hop local, de São Paulo e de Brasília.

    A programação nos teatros tem início às 20h do sábado (22/10) no Teatro de Santa Isabel, com a comemoração dos 40 anos do Balé Popular do Recife, que reapresenta Nordeste, a dança do Brasil, espetáculo ilustrativo das manifestações populares que estão na formação do povo nordestino e brasileiro. No domingo (23/10), o palco do Santa Isabel recebe o espetáculo Dùvido, que aborda conflitos existenciais envolvendo a concepção de um outro universo, impalpável, abstrato e transcendente, onde almas ainda se encontrariam, procurando colocar em dúvida, portanto, se toda a nossa história se findaria também aqui, no plano terrestre, tudo o que nos cabe enquanto carne mortal.

    Espetáculo "Dùvido". Foto: DivulgaçãoEspetáculo "Dùvido". Foto: Divulgação
    Antes do espetáculo Dùvido, pode ser visto no domingo (23/10), às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, o espetáculo Chetuá, da companhia pernambucana Riacho de Pedra.

    PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

    DIA 22 – SÁBADO

    Ginga B.Boys e B.Girls – Associação Metropolitana de Hip Hop Em PE.
    Local: Torre Malakoff
    Horário: 9h
    Classificação: Livre
    Entrada franca


    Nordeste, a dança do Brasil – Balé Popular do Recife
    Local: Teatro de Santa Isabel
    Horário: 20h
    Classificação: Livre

    DIA 23 – DOMINGO

    Ginga B.Boys e B.Girls – Associação Metropolitana de Hip Hop Em PE.
    Local: Torre Malakoff
    Horário: 9h
    Classificação: Livre
    Entrada franca

    Chetuá – Riacho de Pedra
    Local: Teatro Hermilo Borba Filho
    Horário: 19h
    Classificação: Livre

    Dùvido – Cia. Sopro de ZéfIro & Aria Social
    Local: Teatro de Santa Isabel
    Horário: 20h
    Classificação: Livre

    DIA 24 - SEGUNDA

    Un animal dentro de un animal – Archipiélago Danza Teatro (Argentina)
    Local: Teatro Apolo
    Horário: 19h
    Classificação: maiores de 14 anos

    Processo Meia Noite – com Orun Santana
    Local: Teatro Hermilo Borba Filho
    Horário: 20h30
    Classificação: Livre

    DIA 25 – TERÇA

    Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
    Local: Teatro Luiz Mendonça
    Horários: 16h (gratuita para escolas)
    Classificação: Livre

    Dupla Cômica - Brow e Taw - & - 8°Sinfonia Fusion – Animatroonicz
    Local: Área livre do Centro Apolo/Hermilo
    Horário: 20h
    Classificação: Livre
    Entrada franca

    Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
    Local: Teatro Luiz Mendonça
    Horários: 20h
    Classificação: Livre

    DIA 26 - QUARTA

    Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
    Local: Teatro Luiz Mendonça
    Horários: 16h (gratuita para escolas)
    Classificação: Livre

    Saudade de mim – Focus Cia. de Dança (RJ)
    Local: Teatro Luiz Mendonça
    Horários: 20h
    Classificação: Livre

    DIA 27 - QUINTA

    Tijolos do esquecimento – Acupe Grupo de Dança
    Local: Teatro Barreto Júnior
    Horário: 19h
    Classificação: 16 anos

    Majho Majhobê Olubajé – Cia. Pé-Nambuco de Dança
    Local: Teatro Luiz Mendonça
    Horário: 20h
    Classificação:Livre

    DIA 28 - SEXTA

    Programa Duplo
    Frevariando e Entre passos e sombrinhas - Cia. de Frevo do Recife & Studio Viégas
    Local: Teatro Barreto Júnior
    Horário: 19h
    Classificação: 16 anos

    Traz-humante – Camaleão Grupo de Dança (MG)
    Local: Teatro de Santa Isabel
    Horário: 20h
    Classificação: maiores de 14 anos

    Segunda pele – Coletivo Lugar Comum
    Local: C. Lugar Comum (Rua do Lima, 210 – Sto. Amaro)
    Horário: 20h30
    Classificação: maiores de 14 anos

    DIA 29 – SÁBADO

    Palestra: Patrimônio Vivo, quem pode ser? - Com Marcelo Renan
    Local: Paço do Frevo
    Horário: 15h
    Entrada Franca

    Maracambuco: santos, rainhas e leões – Maracambuco
    Local: Praça do Arsenal
    Horário: 18h
    Classificação: Livre
    Entrada franca



     

  • Dança do Amazonas segue na Caixa Cultural

    'Cabanagem'. Foto: Divulgação'Cabanagem'. Foto: Divulgação

     

    A Caixa Cultural Recife recebe ainda esta semana o Corpo de Dança do Amazonas (CDA), com os espetáculos Cabanagem (quintas-feira, 21/7); Milongas (sexta, 22/7) e A sagração da primavera (sábado, 23/7). O grupo vale-se da linguagem da dança contemporânea, com referências modernas, clássicas e populares também.

     

    Espetáculo do repertório da companhia, Cabanagem parte de uma narrativa histórica para extrair dela a verve: uma revolta popular (homônima) ocorrida durante o Império no Brasil, na qual negros, índios e mestiços insurgiram contra a elite política da Região Norte do Brasil, sobretudo da então província do Grão-Pará. O conflito aconteceu entre 1835 e 1840, e é considerado um dos mais violentos ocorridos no país. No espetáculo, o coreógrafo Mário Nascimento retoma o acontecimento e traduz na linguagem da dança, na movimentação dos corpos, o espírito de resistência, luta, revolta e preservação das vidas e das culturas de determinado local. A duração do trabalho é de 45 minutos.

     

    Já Milongas, que alude aos encontros de tango na Argentina, é um balé que mescla os códigos contemporâneos aos clássicos, remetendo, claro, à linguagem do tango tradicional e eletrônico. O espetáculo estreou em 2011 e foi sucesso de público por onde passou.

     

    Obra consagrada de Igor Stravinsky, a secular A sagração da primavera, que já ganhou versões impactantes (além da própria estreia, em Paris) como a de Pina Bausch, entra em cena pelo Corpo de Dança do Amazonas com elementos indígenas, explorados pelos coreógrafos Adriana Goes e André Duarte. Segundo a companhia, a sagração se passa no Ritual da Moça Nova, cultura característica da tribo Tikuna, onde uma jovem índia, ao menstruar pela primeira vez, é retirada do convívio social para dedicar-se, em seu período de reclusão (Worecü), a trabalhos manuais intimamente ligados às mulheres.

     

    O CDA foi criado em 1998 pelo governo do estado do Amazonas, através da Secretaria de Cultura, e mantém-se com recursos do poder público. 

     

    As apresentações acontecem sempre às 20h e os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia). A Caixa Cultural Recife fica na Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife - em frente ao Marco Zero. Informações: (81) 3425-1915

     

     

  • De uma língua à outra

    Espetáculo Morder a língua. Foto: Tristán Pérez Martín/DivulgaçãoEspetáculo Morder a língua. Foto: Tristán Pérez Martín/Divulgação

     

    A complexidade pode ser o resultado da utilização mínima de elementos em cena. Do simples é possível alcançar diferentes camadas nos mais diversos níveis de multiplicidadeda linguagem. O empréstimo da metáfora de Italo Calvino, “O mundo é uma alcachofra”, contribui para uma reflexão sobre a possibilidade de desfolhar a obra a partir da mediação da linguagem artística e desvendar, assim, novas e infindas dimensões de interpretação.

     

    Em 2014, os artistas João Lima (Brasil), Cecília Colacrai (Argentina) e Anna Rubirola (Espanha) se propuseram a passar por um processo de experimentação sobre a relação entre palavra e gesto. Pouco a pouco, o formato do espetáculo Morder a língua (desta quinta, 11/8, a domingo, 14/8, no Teatro Marco Camarotti) foi sendo definido. A montagem ganhou o prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2014 e o incentivo Iberescena – Fundo de Ajuda para as Artes Cênicas Ibero-americanas, que proporcionaram a atual circulação do espetáculo pelo Brasil. No Recife, as apresentações serão executadas por Cecília Colacrai e João Lima.

     

    Apesar de não seguir uma dramaturgia tradicional (dividida em atos), o texto e os movimentos explorados dão à estrutura dramatúrgica do espetáculo bastante definição. O andamento da apresentação parte do reconhecimento, no próprio palco, do espaço e do tempo presente. O aqui e o agora. Porém, legitimando a importância de atravessar diferentes momentos históricos.

     

    A História, a propósito, junto às tensões ecológicas, políticas e à própria vida cotidiana, é sugerida no espetáculo. O tema matricial da obra perpassa a linguagem e como ela pode bifurcar as percepções de espaço e de tempo. “A questão da comunicação surge naturalmente, nós temos o interesse em refletir a questão da alteridade. Como a gente se afeta e é afetado”, confessa João Lima, cocriador, em entrevista à Continente.

     

    Para dar maior visibilidade a aspectos do movimento e do corpo, os três optaram por um figurino e por uma cenografia minimalista, mais simples com a intenção de “ampliar as camadas de significado a partir de elementos básicos”, como menciona Lima.

     

    No espetáculo, ao mesmo tempo em que se percebem a alteridade e a interação, as tensões e os conflitos também são reconhecidos entre um indivíduo e outro. Em Morder a língua, os gestos e as palavras na comunicação seriam recursos que interferem na construção histórica. A observação da vida cotidiana, as notícias, a política e a arte contemporânea servem de mote para o grupo imprimir à montagem um certo dinamismo – característico do mundo contemporâneo – e ressaltam a importância do não dito (sem negar o dito) nas relações interpessoais, como tentativa de esvaziar o significado da palavrapara potencializá-la.

     

    A pluralidade de interpretações na recepção do público é estimulada pela polissemia da linguagem coreográfica do espetáculo. A tradução linguística, segundo João Lima, também interessa aos criadores do trabalho. Compreendendo a travessia de uma língua para outra como uma espécie de transformação. E interessa, inclusive, “como uma coisa pode se desdobrar em diferentes significações”. A ambiguidade da imagem trazida pelo título Morder a língua se manifesta entre a ação (o verbo no infinitivo) e a contração (morder o órgão simbolicamente referido à voz, ou seja, seria revelar o silêncio como expressivo). “Numa época em que tudo é dito e estamos saturados de informações, os não-ditos também teriam sua importância”, pontua o diretor artístico.

     

    Após apresentações nas cidades de Palmas, São Paulo, Teresina e Cuiabá, o espetáculo aporta no Recife para concluir sua turnê nacional e seguir para Rosário, na Argentina. As apresentações têm duração de 45 minutos e acontecem desta quinta(11/8) a domingo (14/8) no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, às 20h e, no domingo, às 18h. Os ingressos serão vendidos no local com uma hora de antecedência e custam R$ 20 (inteira)e R$ 10 (meia).

     

    Assista a vídeo de teaser aqui:

  • Festival Cena CumpliCidades segue até domingo, 6/11

    "De cómo estar con otros" (ARG) é encenado no sábado (5/11)"De cómo estar con otros" (ARG) é encenado no sábado (5/11)

    A etapa Recife-Olinda do festival Cena CumpliCidades segue em cartaz até o domingo, dia 6/11, com uma programação que prioriza espetáculos de dança e o intercâmbio entre cidades iberoamericanas. São cerca de 20 trabalhos com artistas do Brasil, Uruguai, Peru, Argentina, Espanha, além de obras da Suíça, da França e do Canadá. Confira abaixo o que está rolando.

    PROGRAMAÇÃO:

    >> Sexta-feira (4/11)

    EDIFÍCIO TEXAS (Espaço do grupo Magiluth)
    Oficina Plongée – Dança nas bibliotecas do Brasil
    Com Ilana Elkis e Joana Ferraz (São Paulo-Brasil)
    9h às 13h

    BIBLIOTECA PÚBLICA DE OLINDA
    Plongée (reprise)
    Ilana Elkis e Joana Ferraz (São Paulo-Brasil)
    15h e 17h

    TEATRO APOLO
    Turbio
    Carla Di Grazia (Buenos Aires-Argentina)
    Turbio nasce dentro de um processo de trabalho de Carla Di Grazia que derivou em um ciclo de solos chamado Manifesto, na cidade de Buenos Aires, Argentina, junto aos seus colegas de dança Sebastião Soares, Pablo Castronovo e Alina Folini. Para a realização dos solos, os artistas se perguntaram: Como manifestar o que está latente? Que forças movem-se sós?
    19h

     

    TEATRO HERMILO BORBA FILHO
    Homem torto
    Eduardo Fukushima (São Paulo-Brasil)
    Homem torto é uma dança não simétrica que sugere um corpo frágil, mas com o vigor dos fortes. É uma dança que une opostos como a dureza e a leveza, a fragilidade e a força, o estar perto e longe do público, o equilíbrio e o desequilíbrio, movimentos fluidos e cortados, o dentro e o fora do corpo.
    20h

    >> Sábado (5/11)

    TEATRO APOLO
    MoralAmoralInmoral
    Agustina Fitzsimons, Brenda Lucía Carlini, Marta Salinas y Milva Leonardi
    (Buenos Aires-Argentina)
    MoralAmoralInmoral propõe um ensaio de prova e erro na busca de respostas a inquietudes sobre a moral e as formas contemporâneas de composição cênica. A obra se constrói até chegar a uma inevitável destruição de suas cenas na tentativa de esvaziar e ressignificar a moral.
    19h

    TEATRO HERMILO BORBA FILHO
    De cómo estar con otros
    Celia Argüello (Buenos Aires-Argentina)
    Ao estar frente ao outro tivemos que nos deter. Pensamos que era possível nos desligar do contexto, abstrair-nos. Acontece então de novo, o corpo como experiência finita nos esbarra com o hábito, o social, os laços, o gesto. Um interrogante sobre a relação com o outro, um plano de execução, um transformar de ações ou uma miscelânea de significantes.
    20h

    >> Domingo (6/11)

    TEATRO APOLO
    Caminos
    Cia Puckllay (Lima-Peru)
    Proposta cênica multidisciplinar e testemunhal de criação coletiva. Inspirada nas histórias reais das famílias de “Lomas de Carabayllo”, um enorme assentamento humano, habitado por gente emergente e trabalhadora, localizado na periferia de Lima em situação de risco devido a múltiplos fatores. Caminos explora o tema da migração desde as províncias à cidade de Lima. O argumento conta a história, sonhos, ilusões e dificuldades de oito migrantes que, impulsionados por diversas necessidades, decidem deixar suas terras e partir para a capital, com o objetivo de buscar um futuro melhor.
    16h

    TEATRO HERMILO BORBA FILHO
    Moeraki
    Cia Soares-Castronovo-Di Grazia (Buenos Aires-Argentina)
    Moeraki questiona a existência de corpos pré-programados que respondem a estímulos das seguranças garantidas, propondo-lhes um lugar entre. Os criadores repensam a condição do ser humano como algo dual definido pelos gêneros, e suas características e performances culturais/sociais. O espetáculo parte do princípio que formamos um universo de imagens e afetividades a partir dos nossos hábitos culturais e, na maioria das vezes, a partir da nossa condição biológica ou de gênero.
    17h

  • Helder Vasconcelos: a música do corpo em cena

     Fotos: Ricardo Moura e Renata Pires/DivulgaçãoFotos: Ricardo Moura e Renata Pires/Divulgação

     

    Após 12 anos sem “dar as caras” no circuito da música, há quem diga que o ex-Mestre Ambrósio Helder Vasconcelos andou sumido. Engana-se. Inquieto, o ator, músico, dançarino e, antes de tudo isso, brincante popular esteve maquinando novas invenções– mergulhado no universo dos sentimentos, enquanto colocava em prática outras vertentes do seu fazer artístico, no palco e nas telas do cinema.

     

    Em seu trabalho, assim como nos folguedos da cultura popular em que fez escola, é impossível desmembrar as linguagens da dança, do teatro e da música, a fim de estudá-las individualmente. Uma não existe sem as outras. Ainda assim, o artista propõe esmiuçá-las, parte a parte, no projeto que chega agora ao seu terceiro ato.Após subir ao palco do teatro com o soloEspiral brinquedo meu, e investigar a dança emPor si só, Helder Vasconcelos lança a última parte do quebra-cabeças com o espetáculoEu sou e o disco autoralSambador, marcando, mais uma vez, sua presença direta no contexto da música e falando abertamente sobre a sua identidade como artista.

     

    Seja no maracatu, no boi, no cavalo-marinho, na dança contemporânea, no teatro ou na música, Helder é um mestre e brincante inventivo. Aqui, ele conta àContinente um pouco sobre o que andou maquinando nos últimos anos.

     

     

    CONTINENTEOs seus trabalhos mais recentes, o espetáculoEu sou e o álbum Sambador, nasceram de uma trilogia iniciada há 12 anos, quando você inicia um mergulho nas artes cênicas e na dança. E eles trazem, em cada um, justamente essas vertentes: o teatro, a dança e a música. Como se deu esse processo de criação artística da trilogia?
    HELDER VASCONCELOS É legal você começar perguntando por isso, porque realmente este é um projeto que está dentro de um projeto maior: a trilogia que começou em 2004, comEspiral brinquedo meu, um espetáculo de teatro; continuou em 2007, comPor si só, um espetáculo de dança; e, agora, em 2016, com o espetáculo que eu chamo deEu sou, que aí é um espetáculo de música.E o projeto do discoSambador está vinculado a esse espetáculo. As músicas que estão no CD acontecem dentro doEu sou. Mas eu continuo chamando de espetáculo. A gente tem isso de pensar o espetáculo sempre como teatro ou dança, mas ninguém fala de música. Música é sempre show. Então, isso já diz um pouco como é que eu penso a música ao vivo.O fato de ser a música ao vivo no palco, para mim, não tira esse compromisso com o cênico. Mesmo que eu esteja tocando sanfona, voz ou violão ali, quando subo no palco, eu tenho um compromisso com a cena. Eu já vinha investigando esses pensamentos das artes cênicas há muito tempo e, agora, estou usando para fazer o que seria “show”. Porque que eu digo entre aspas, porque o show normalmente não tem esse compromisso cênico que eu assumi para mim.

     

    CONTINENTEO projeto nasceu como uma trilogia, lá em 2004, ou foi se desenvolvendo até chegar nesse formato?
    HELDER VASCONCELOSEssa trilogia não nasceu uma trilogia. Em todos os espetáculos, eu toco, danço e represento. Isso acontece nos três, concretamente falando. O que é que define cada um, então? É o que eu chamo de “o fio condutor”. Quando eu fiz o primeiro espetáculo, tinha a necessidade maior de fazer aquilo e de dar um mergulho nas artes cênicas. Assim que eu terminei, fiquei com a impressão de que havia ficado muito formatado. Mas eu pensei: “Pô, eu preciso investigar a dança, ela soa muito forte em mim. Então vou fazer outro, agora para mergulhar na dança”. Quando eu estava já terminando o de dança, vi que isso era uma trilogia. Não fazia sentido ser de outra forma. Eu fiz um de teatro e um de dança, então senti que também tinha que fazer um espetáculo para investigar a música. É a hora de a música ser o fio condutor, de ela ser o protagonista.O legal é onde é que essas coisas se tornam uma só, diferente do que normalmente a gente ouve falar. O que define é o impulso criativo. Internamente, o meu processo é o mesmo. Tanto para a música, a dança ou o teatro. É só na última instância que isso se revela, quando eu vou mostrar para o público, que isso assume uma forma. Eu nem considero três coisas, mas uma coisa só que pode se revelar de maneiras diferentes.

     

    CONTINENTEIsso acontece porque você vem da escola da tradição popular, em que isso tudo está muito atrelado, e é impossível separar a música, a dança e o cênico?
    HELDER VASCONCELOSExatamente. Essa percepção, essa clareza e, mais ainda, a minha formação vem daí. Eu penso assim, porque me formei assim, nessas tradições. No cavalo-marinho e no maracatu rural, mesmo que o cara esteja ali no banco tocando, aquele impulso para tocar é o mesmo que pode fazer ele se levantar e botar uma figura, ou ir dançar. Eu fui me formando nessas tradições e percebendo isso. E não é uma invenção minha, vem dessa escola.

     

     

    CONTINENTEFalando nisso, como se deu esse contato com os folguedos populares? Há quanto tempo você brinca maracatu e cavalo-marinho?
    HELDER VASCONCELOSEu brinco há 25 anos. Comecei moleque, aos 22. Na verdade, eu sou do Agreste, nasci em Garanhuns e vivi em Caruaru. Ao 12 anos, vim para o Recife e me criei moleque da zona sul, ali em Candeias, na beira da praia. E me tornei um adolescente rock'n'roll, mas gostava de Carnaval. E foi através dessa relação com o Carnaval que eu entrei em contato com o maracatu.Já estudava com Siba, e a gente tocava guitarra e era “roqueiro” junto. Nessa época, ele foi ser assistente de um pesquisador americano, John Murphy, que estava estudando o cavalo-marinho na Zona da Mata, e me chamou para ir junto. Eu já estava flertando com umas percussões, tocando ali no morro do Alto Santa Terezinha, e juntou as duas coisas.Quando eu fui no cavalo-marinho pela primeira vez, eu fiquei “caralho… isso é incrível”. Foi muito impactante. Eu já tinha um desejo, dentro de mim, de dançar e tocar. E aí formou o Mestre Ambrósio. Era assim, a gente virava uma noite de cavalo-marinho num sábado, e na segunda-feira a gente estava no estúdio de Éder “O Rocha” ensaiando e formando o Mestre Ambrósio.

     

    CONTINENTECom qual dessas brincadeiras você teve o primeiro contato?
    HELDER VASCONCELOSCronologicamente falando, foi com o maracatu, em 1992. Veja só como este ano é marcante: em fevereiro, eu estava brincando maracatu; em outubro, formou o Mestre Ambrósio; e em dezembro, eu vi um cavalo-marinho pela primeira vez. É muito junto, mas cronologicamente foi nessa sequência.Essas coisas surgiram muito naturalmente. A gente está falando de um cara com 22 anos, que estava descobrindo as coisas. Você está pesquisando e vivendo, não é que você tem lá sua maturidade e pensa: “Ah, agora eu vou fazer isso...”. Não é, você está na instiga, na empolgação. Imagina isso no começo dos anos 1990! A gente ia para um show de Chico Science, no outro dia estava no terreiro, o Carnaval estava junto, e aí começamos a brincar boi. A gente começou a brincar boi – eu falo a gente porque eu formei um grupo de boi com Siba: o Boi da Gurita Seca – também em 1992. Justamente na secura de tocar. A gente tinha que inventar um negócio, porque o maracatu não ia deixar a gente tocar, a gente nem sabia tocar (risos). A gente já era maloqueiro de Carnaval, e decidimos aprender tocando no boi. Foi assim, cara. E também estou nessa há 25 anos. Há 25 anos, o meu carnaval é exatamente o mesmo: maracatu e boi.Então, só pra te dizer que é tudo muito junto: é manguebeat, é Zona da Mata virando noite no maracatu, é Sopara tocando forró, aí vem um show no Abril Pro Rock e deu isso. Essas coisas, juntas, me formaram nesse caldeirão.

     

    CONTINENTEDepois de todo esse processo, você saiu um pouco da música e foi dar um mergulho mais profundo no teatro e na dança. Como foi esse início em outras vertentes?
    HELDER VASCONCELOSEu digo que eu saí do circuito. Eu nunca perdi a relação do fazer música, mas saí do circuito. Eu sempre tive a consciência da dança e do teatro já no Mestre Ambrósio, embora fosse um moleque aprendendo. Mas, eu nunca fiz um show do Mestre Ambrósio me vendo só como músico. A dança fazia parte, o teatro fazia parte quando eu botava os personagens. Ali não era uma tiração de onda, eu já estava exercitando o ator quando eu ia lá e vestia a velha. Já trabalhava isso do mesmo jeito que eu trabalhava a música. Só que aí, quando chega nos últimos anos do Mestre Ambrósio, essa vontade de mergulhar no circuito das artes cênicas cresceu muito. E percebi que o Mestre Ambrósio não supria essa necessidade que eu tinha das artes cênicas. Mesmo com o espaço que eu tinha para dançar e atuar, era um show de música em seu formato.A minha saída do Mestre Ambrósio não está diretamente ligada a isso, mas, quando eu saí, eu falei: “Bom, então agora é o momento”. Aí eu mergulhei nas artes cênicas. E foi assim: o último show da banda foi em janeiro, e em julho eu estreava oEspiral brinquedo meu.

     

    CONTINENTENesse período, você procurou alguma outra formação nas artes cênicas, além da bagagem que já tinha das brincadeiras populares?
    HELDER VASCONCELOSMeu estudo principal, além da escola de formação da tradição popular, foi com o grupo Lume de Teatro, que é um grupo de pesquisa e criação dos mais presentes e conceituados aqui do Brasil. Eles têm um ciclo de oficinas regulares em fevereiro, e comecei a ir para as oficinas por vários anos. Isso culminou com três atores desse grupo dirigindo o meu primeiro espetáculo: Ana Cristina Colla, Renato Ferracini e Carlos Simioni.

     

    CONTINENTEEngraçado que o ciclo de oficinas era também no mesmo período de Carnaval. Tua carreira vai e volta e cai no Carnaval do mesmo jeito.  
    HELDER VASCONCELOSÉ engraçado mesmo, e eu sempre tive que negociar meus horários. O Carnaval é uma coisa que eu nunca parei, mesmo morando em São Paulo. Eu lembro bem de uma oficina que encerrava na sexta, e eu só cheguei no Sábado de Carnaval (risos). Eu digo que o Carnaval é um portal, que ele abre e ele fecha. Não tem como abrir esse portal novamente. O que você consegue viver por causa desse potencial que se abre é muito intenso.

     

    CONTINENTEPara essa última peça da trilogia, o disco, você fez uma campanha de financiamento colaborativo. Como você chegou a esse formato e que reflexões essa plataforma traz para o teu trabalho?
    HELDER VASCONCELOSTem, claro, uma necessidade de levantar a grana, mas teve também um desejo político de experimentar esse lugar em que você não precisa botar uma propaganda ou associar uma marca ao seu trabalho, que não seja porque você acredita de fato.

     

     

    CONTINENTEUma coisa interessante nesse projeto que é você faz uso de uma nova tendência da música, aluthieria digital, criando novos instrumentos especificamente para o seu espetáculo. Como é que a criação desses instrumentos digitais se relaciona com a criação musical do projeto?
    HELDER VASCONCELOSEssa foi uma coisa que se iniciou no meu segundo espetáculo,Por si só, dirigido porArmando Menicacci, que é um estudioso da dança e novas tecnologias. E isso me interessou porque são instrumentos que podem revelar ainda mais essa relação que eu tenho com música e dança. Os estudos e protótipos começaram no segundo espetáculo, mas eles ficaram prontos para esse espetáculo agora, através de uma parceria com a Batebit Artesania Digital. Eu participei da elaboração desses instrumentos com o projeto artístico. É a fome com a vontade de comer. E, por isso, eu me considero um criador dos instrumentos também.

     

    CONTINENTEComo é que você relaciona, em seu trabalho, essa bagagem da cultura popular com a experimentação a partir desses novos instrumentos? E que novos caminhos isso abre em sua carreira?
    HELDER VASCONCELOSÉ exatamente esse embasamento artístico na cultura popular que me levou a esses instrumentos. Agora, uma vez tendo esses instrumentos, eles também voltam para o meu fazer artístico. É uma via de mão dupla. A partir do momento em que os instrumentos surgem, eles interferem. A relação com a tradição, no caso dos instrumentos, se dá por conta dos princípios que eu entendo no fazer da tradição. Muito simples de entender: nesse fazer da tradição, a música e a dança estão muito juntas, então, se a gente escutasse o som que o pé do cara faz no chão quando está dançando, veríamos como é a música.Então, esses instrumentos, falando de uma maneira bem direta, vêm para colocar som no pé. A minha dança já era isso. Agora, claro, uma vez que você coloca o som no pé, isso vai interferir no meu fazer.

     

    CONTINENTEIsso me traz um paralelo com a função do tamanco de madeira fazendo o trupé no coco…
    HELDER VASCONCELOSExatamente! Você falou o exemplo mais próximo desse instrumento que eu estava buscando, é o tamanco do coco ou o sapato do sapateado. Só que o som digital vem através de um disparador MIDI, e, numa viagem minha, ele pode ser qualquer um. Isso abre um novo mundo que eu não pensava antes. Porque, uma vez que eu posso colocar o som que eu quiser, posso colocar samples e loops de coisas. Eu disparo o que eu quiser, inclusive textos e controle de luz, e isso muda a concepção do espetáculo completamente.

     

    CONTINENTEApesar de ter o nomeSambadore uma concepção gráfica que referencia o maracatu, esses elementos da cultura popular não aparecem de forma óbvia na sonoridade. O disco traz muito mais referências da música do leste europeu, principalmente através do acordeom. Como foi essa concepção musical no disco?
    HELDER VASCONCELOSIsso é bem meu também. O disco talvez tenha sido o lugar que deu vazão a essa informação que me pertence. Primeiro, a partir do acordeom, que é o meu instrumento melódico e harmônico principal. Essa influência do leste europeu e o vallenato colombiano, de uma determinada música de acordeom do mundo, sempre esteve presente no meu trabalho. A minha formação de acordeom embora goste e toque forró não é a clássica dos sanfoneiros. É algo que, já na minha formação, eu fui um pouco diferente. Tanto que a afinação do meu fole de oito baixos não é a que os sanfoneiros de forró usam aqui.Ao mesmo tempo, isso acontece também por semelhanças que essas músicas têm, porque o próprio forró tem uma origem europeia. Agora, por exemplo, a célula rítmica do baião é muito presente em meu trabalho. Só que ela não precisa estar formatada como forró. Um aspecto interessante que delineou a cara desse CD é o recorte que escolhi: “canções”. Eu não queria um CD em que o ritmo fosse o mais importante.

     

    Escute o disco Sambador completo:

     

    CONTINENTEE falando sobre letras, o disco tem um teor muito pessoal, abordando temas como dor, tempo e amor. Levando a entender que existe ali uma questão de reidentificação do Helder. Quem é esse novo Helder?
    HELDER VASCONCELOSEu não acho que seja um novo, mas um Helder mais interno. Ele é novo no sentido de que ainda não tinha sido revelado. Eu estou em busca desse Helder mais profundo, essa é a minha história. E quando você fala de profundidade, você tem que atravessar as suas dores. As letras são fruto de uma busca de uma maturidade mais profunda e que esteja menos óbvia no cotidiano. O que nos impede de entrar nessas questões mais profundas são as barreiras que construímos para lidar com as nossas dores. E eu venho em busca de aprofundamento.Nas canções que eu ia pescando nas minhas gravações, eu fui percebendo alguns questionamentos: "Como eu estou percebendo o mundo?", "O que eu estou estou percebendo fazendo esse mergulho interior?", "Como eu passo a ver as coisas?". Essas letras permeiam isso.Eu nunca exerci em primeiro plano, como eu precisei para gravar esse CD, as minhas composições. Eu tinha um refrão aqui, um pedaço de letra ali, uma ideia muito solta. Agora foi a hora de trabalhar isso. O refrão, por exemplo, deLeve e traga, é uma coisa muito inspirada em Naná Vasconcelos, assumidamente. Tanto que eu dedico a ele. Quando eu digo, na música, “Olha no meu olho que é pra eu saber/ que quando ele gosta sempre é pra valer”, é o que ele me dizia no olhar. Ele nunca me disse isso com palavras, mas nas oportunidade que eu tive de ele olhar para mim, ele me dizia isso: “Eu gosto, e quando eu gosto é pra valer”. Isso é profundidade.

     

    Helder Vasconcelos comenta faixa a faixa as músicas de Sambador, contando detalhes do seu processo criativo e curiosidades das composições exclusivamente para a Continente.
    Escute aqui.

  • Jaboatão entra na onda da dança

    O Grupo Corpore de Dança apresenta na quarta (5/10) o espetáculo "Cárcere". Foto: Maker Mídia/DivulgaçãoO Grupo Corpore de Dança apresenta na quarta (5/10) o espetáculo "Cárcere". Foto: Maker Mídia/Divulgação

      

    O festival Na Onda da Dança movimenta Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife, a partir desta terça (4/10) com espetáculos que colocam em cena o feminino e trazem reflexões que transbordam a discussão sobre o humano. Realizado pelo Sesc Piedade, o evento tem programação até domingo (9/10), além de ações formativas com inscrições abertas. O homenageado do evento é o coreografo e bailarino Paulo Henrique Ferreira.

    Sobre a programação de espetáculos que acontece no Teatro Samuel Campelo, a abertura, na terça (4/10) às 19h30, é comandada pelo Acupe Grupo de Dança, com Tijolos do esquecimento. A montagem, inspirada no livro As cidades invisíveis, de Italo Calvino, indaga o lugar ocupado pelo indivíduo no imaginário urbano. A direção é de Paulo Henrique Ferreira e a dramaturgia, assinada por Flávia Gomes. Na quarta (5/10), o espaço recebe o Grupo Corpore de Dança, do Sesc Piedade, com Cárcere. A apresentação aborda, por meio da dança, relações entre fatos políticos ocorridos no Brasil, na época da ditadura militar até a atual situação do país. Aborda ainda a falta de liberdade e a repressão, inclusive com a violência. O processo de criação teve início em 2014, quando foram lembrados os 50 anos do golpe, e a montagem é dirigida por Ivana Motta, tendo no elenco as bailarinas Débora Freitas, Graci Costa, Ildete Mendonça, Luara Mendonça, Milla Flor e Vitória Mendes.

    Seguindo as apresentações, no dia 6 é a vez de a montagem de dança contemporânea Cara de mãe, sobre a compreensão do universo feminino com destaque para o tema da maternidade e suas inquietudes nos dias de hoje. A direção é assinada por Luciana Lyra e a interpretação é das bailarinas Luiza Bione, Íris Campos e Janaína Gomes, do Coletivo Cênico Tenda Vermelha. Na sexta (7/10), o Locomotivo Corredor, do Sesc Arcoverde, sobe ao palco do Samuel Campelo com a montagem de Carne viva, questionando a cultura da opressão e da violência contra o gênero feminino. Nos últimos dias de festival, é a vez de Três mulheres e um bordado de sol (8/10) e Segunda pele (9/10). A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência. Os espetáculos começam às 19h30, exceto no último dia, com início às 18h.

    Formação
    A unidade do Sesc Piedade também vai receber oficinas, debates e vivências. As inscrições ainda estão abertas. Para participar, os interessados devem enviar os dados pessoais, a atividade de interesse e uma carta de intenção para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Entre os dias 5 e 8 de outubro, por exemplo, Raimundo Branco, da Compassos Cia. de Dança, movimenta a oficina Os processos de composição e criação em dança, das 9h às 12h. Na quinta (6/10), será realizado o debate Construindo pontes – Diálogo sobre processos de criação em dança. O encontro contará com a participação de Silvia Góes, Marcelo Sena, Ivana Motta, Almir Martins, Paulo Henrique, Raimundo Branco, Adriana Dantas e Márcia Lima, tendo mediação de Valéria Barros. Ainda neste dia, tem início a conversa Técnicas em diálogos, que pretende refletir sobre os diferentes caminhos para a construção do corpo expressivo, por meio de vivências que permitem a consciência do potencial físico, energético e sensorial. A primeira é a de ioga, com Adriana Dantas. Na sexta (7/10), tem a de pilates, e no dia seguinte, a de biodança, com Márcia Lima.

    Serviço:
    Festival Na Onda da Dança
    No Teatro Samuel Campelo (Praça Nossa. do Rosário, 510, Vista Alegre, Jaboatão Dos Guararapes-PE)
    De terça (4/10) a domingo (9/10)
    O horário é às 19h30, exceto no domingo, que começa às 18h
    Entrada gratuita (os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência no teatro)

  • Olhares sobre a história da dança no Recife

    Valéria Vicente apresenta a performance "Re-flexão". Foto: Afonso OliveiraValéria Vicente apresenta a performance "Re-flexão". Foto: Afonso Oliveira

     

    O Coletivo Lugar Comum acaba de lançar o livro Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife, organizado pelas pesquisadoras e artistas Valéria Vicente e Roberta Ramos. Apresentando diferentes olhares sobre a história da dança recente na capital pernambucana, a coletânea reúne artigos de 12 pesquisadores que buscam articular relações entre escrita e história: Tainá Veríssimo, Liana Gesteira, Djalma Rabêlo, Alice Moreira, Flávia Meireles, Jefferson Figueiredo, Daniela Santos, Nirvana Marinho, Elis Costa e Ju Brainer, além das coordenadoras do projeto, Valéria e Roberta.

     

     

    O lançamento foi no sábado (20/8), quando o espaço de criação artística recebeu quatro "experimentos historiográficos": apresentações artísticas que, utilizando diferentes formas de atuação, atualizam informações históricas. Valéria Vicente apresentou sua recente performance, inédita no Recife, Re-flexão, que reúne, através da improvisação estruturada, procedimentos e questões desenvolvidos ao longo da trajetória da coreógrafa. Reperformando Shirtologie (Jérome Bel) e Le sacre du printemps (Xavier le Roy), Roberta Ramos articulou, na performance Brasilogia, alteridades e fricções com o Brasil, suas contradições, violências disfarçadas de cordialidade e também sua capacidade de afeto. 



    O lançamento contou também com a apresentação Espalhando brasas, do dançarino Jefferson Figueirêdo, que propõe maneiras de questionar e ressignificar as formas de pensar e fazer a dança frevo, e a palestra/re-performance (Re)Set Trisha Brown, ensaio sobre o deslocamento e rastro, sustentado a partir de histórias de ocupação dos espaços públicos, com concepção de Bruno Amorim. 

     

    Para saber mais, leia matéria publicada no site Cultura PE, do Governo do Estado, que apoiou o livro, por meio do Funcultura.

     

    Serviço:
    Livro Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife
    Coletivo Lugar Comum - Rua Capitão Lima, 210, Santo Amaro, Recife
    Preço do livro: R$ 20 (à venda na Editora da UFPE, na LIvraria Cultura, ou pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

  • Olimpíadas: entre o Rio clássico e o programa de TV

    Foto: Getty Images/Comitê Olímpico InternacionalFoto: Getty Images/Comitê Olímpico Internacional 

     

    É difícil uma cerimônia de abertura fugir de clichês, especialmente quando mais de 90% do público potencial de 3 bilhões de pessoas que acompanham o evento pela TV estão fora do país. Apesar dos clichês (samba, Carnaval e bossa nova), a cerimônia de abertura dasOlimpíadas do Rio não chegou a nos fazer passar vergonha. E isso não é pouca coisa em se tratando de uma abertura de um grande evento esportivo no Brasil.

     

    Houve belos momentos como a rede gigante trançada pelos índios, de múltiplos significados, representando o início da nossa formação, e a decolagem do avião de Santos Dumont (o grande momento da coreografia). A parte cerimonial final foi correta, prestando homenagens justas aos grandes ídolos do esporte nacional.

     

    Rede gigante trançada por índiosRede gigante trançada por índios

     

    Mas quando se tratou das escolhas das figuras que iam representar o Brasil nas apresentações culturais, a coisa mudou de figura. Ao decidir convidar celebridades do momento como Anitta e Ludmilla, os organizadores incorreram num risco imenso de apostar no descartável. Primeiro porque esses nomes não são - e dificilmente virão a ser - conhecidos do público estrangeiro. São modas descartáveis do momento. E a abertura de uma olimpíada não é um programa de domingo na TV lutando por audiência. Faltou essa compreensão à equipe liderada apor Andrucha Waddington, Daniela Thomas, Fernando Meirelles e Deborah Colker. Daqui a cinco, dez anos, alguns dos que se apresentaram podem parecer risíveis, como quando alguém lembra hoje um Beto Barbosa e sua lambada.

     

    A turma do funk carioca somente serviu para ocupar espaço da cultura brasileira já consagrada. Alguns clássicos cariocas até estavam lá, como Paulinho da Viola contando o hino nacional, Jorge Ben Jor e Tom Jobim, representado por seu neto Daniel Jobim. A obra de Niemeyer até apareceu em duas discretas reproduções de Brasília que compuseram o cenário. Mas não havia sinal de Villa-Lobos, Guimarães Rosa, Gilberto Freyre, Glauber Rocha, Sebastião Salgado. Nem sinal do lado mais popular (e de qualidade) como a turma da Jovem Guarda e Martinho da Vila (que podem surgir no encerramento). Também foram ignoradas as culturas regionais de raiz, do norte ao sul, passando pelo forró do Nordeste e o caipira do Sudeste. O fato de esses nomes e expressões culturais serem pouco conhecidos internacionalmente não seria problema. Os apresentadores de TV que transmitem a cerimônia recebem um roteiro explicativo completo da cerimônia e podem explicar do que se trata para o público estrangeiro.

     

    Ver Marcelo D2 macaqueando o hip hop diante do Dream Team norte-americano foi constrangedor, o que ressalta a relação complicada de amor e ressentimento que muitos brasileiros têm com os Estados Unidos (amor e ódio).

     

    Regina Casé foi o ponto mais baixo e mostrou não ter aprendido com as derrapadas do prefeito Eduardo Paes. O brasileiro em geral – e particularmente o carioca “ixperto” – acha que suas piadinhas têm tradução fácil em outras línguas e culturas. Como os estrangeiros não têm o contexto cultural, não podem perceber a entonação irônica, o tom de voz jocoso, tudo se transforma em gafes sem graça. Casé apareceu no meio do Maracanã sozinha antes da transmissão começar e, apresentada como a “rainha da diversidade”, tentou ser engraçada sem nunca conseguir. No fim tentou comandar uma corrente de energia positiva com um mantra indiano. O público, mais interessado em tirar selfies e beber cerveja, não deu a mínima.

     

    A profusão de celulares ligados o tempo todo deu às arquibancadas do Maracanã a aparência de um morro com bicos de luzes acesos, o que combinava com o cenário principal que mostrava uma cornucópia de barracos representando um misto de favela no morro com toques de carro alegórico. Combinava com o lado sombrio do Rio de Janeiro, mas não com a cidade maravilhosa que devia ser ressaltada num momento de festa. Mas favela está na moda, é produto turístico e compõe o discurso ideológico dominante.

     

    E aí encontra-se o maior problema a cerimônia. A adesão incondicional aos clichês do politicamente correto em voga, a insistência no discurso da diversidade, a defesa do meio ambiente, a valorização da bicicleta. As melhores cerimônias olímpicas das últimas décadas – Moscou, Seul, Barcelona, Atenas e Pequim miraram no lado da permanência, na tradição dos jogos milenares. Rio 2016 preferiu inserir nulidades do momento, reforçar lugares-comuns e arriscar-se ao ridículo quando se leva em conta o médio prazo.

     

    Durante o desfile, cada delegação era seguida por um grupo de cinco integrantes de escolas de samba. Além de tumultuar a música dançante que já tocava em todo o estádio, criava uma cacofonia desagradável, um efeito excessivo. Mas como dizia a canção de Ary Barroso “Isto aqui, o que é?”, cantada por Gil e Caetano, “...Isso aqui é um pouquinho de Brasil, iá-iá”.

     

    É tradição nas Olimpíadas que a cerimônia de encerramento traga o lado mais leve e popular de cada país. Baseados no que já vimos na abertura, Faustão terá um concorrente à altura no domingão, 21 de agosto.

     

     

    Foto: Getty Images/Comitê Olímpico Internacional)

  • Para crianças com até 102 anos

    Foto: Fernanda Tomaz/Divulgação Foto: Fernanda Tomaz/Divulgação

     

    O espetáculo Ritmo é tudo, dirigido por Alberto Magalhães e baseado no livro homônimo de Ricardo Elia, segue em cartaz até domingo (4/9) na Caixa Cultural Recife. A montagem é da trupe Irmãos Brothers Band (RJ), formada por atores cômicos, acrobatas e músicos. O grupo, criado em 1993, vem desenvolvendo uma pesquisa de linguagem sobre a interação entre o circo, a música, o teatro e a dança. Voltado para o público infantil, o espetáculo é indicado para crianças de até "102 anos", como afirma o diretor. 

     

    A dança e a música presentes nas atividades que fazem parte do cotidiano – o dormir, o acordar, o se vestir, o trânsito, o trabalho, o namoro, os diálogos corporais, o fim do dia – são explorados de uma maneira divertida no espetáculo. A simples rotina de um casal, interpretado por Bruno Carneiro e Maria Celeste, ganham amplitude quando unida à musicalidade e energia cênica. A integração de movimentos circenses, músicas tocadas ao vivo, além da dança marcam o projeto. Uma reflexão divertida sobre a relativização do tempo diante das ações do dia-a-dia também permeia o espetáculo, ou seja, quando estamos fazendo uma coisa agradável, o tempo parece passar mais rápido; quando estamos entediados, ele parece caminhar devagar. 

     

    O cenário e o figurino, idealizados por Gabrielle Windmüller e Alberta Barros, proporcionam uma integração entre esses elementos e os instrumentos musicais utilizados pelos bailarinos durante a performance. A iluminação aparece em diálogo com a percussão, o que contribui para a atmosfera envolvimente do espetáculo. A trilha sonora, desenvolvida pelo músico Pedro Tie, traz elementos sonoros do universo contemporâneo para o infantil e combina melodias suaves a sons eletrônicos.

     

    Na sexta (2/9), a apresentação é às 19h; no sábado (3/9), às 16h e às 19h; no domingo (4/9), pela manhã, às 10h30. Os ingressos já estão à venda na bilheteria do local. A classificação indicativa é livre.

     

    Serviço:
    Espetáculo de dança Ritmo é Tudo
    Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505 – Praça do Marco Zero, Bairro do Recife Antigo) 
    Horários: Sexta (2/9), às 19h, sábado (3/9), às 16h e 19h, e domingo (4/9), às 10h30
    Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada para estudantes, professores, funcionários e clientes Caixa, e pessoas acima de 60 anos) 
    Informações: 3425-1915

  • Para manter vivo o passo

    Balé Popular do Recife na década de 1980, o frevo visto pelo viés pedagógico. Foto: Marcos AraújoBalé Popular do Recife na década de 1980, o frevo visto pelo viés pedagógico. Foto: Marcos Araújo

     

    Apesar de comumente ser relegada aos pequenos espaços, passando, quase sempre, ao largo dos holofotes midiáticos, a dança tem uma pulsante e rica produção no Brasil. Produção, porém, que se perde sem registros ao longo dos anos, após o apagar das luzes em cena. Visando evitar um desbotamento em sua história, já tão carente de atenção, as pesquisadoras e coreógrafas Valéria Vicente e Roberta Ramos remontaram a trajetória recente da dança em Pernambuco na coletânea de artigos Acordes e traçados historiográficos: A dança no Recife.


    Documentar a produção cultural no Brasil não é tarefa fácil. Tampouco é grande o número de pessoas dedicadas a essa missão. Segundo a jornalista, pesquisadora e professora do curso de Comunicação e Artes do Corpo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Christine Greiner, a prática de historiografar a dança ainda é muito recente e pouco trabalhada no meio acadêmico. “Há um crescimento de pesquisas a este respeito, mas as teses nem sempre chegam a ser publicadas e, quando o são, as redes precárias de distribuição não costumam facilitar o acesso”, pontua a pesquisadora, no prefácio de Acordes e traçados.


    Essa afirmação de Greiner é determinante para se compreender a importância de um estudo como o realizado por Valéria e Roberta em Acordes e traçados: um reforço à ideia de que nós temos uma ampla e rica produção no campo da dança, mas, salvo exceções, não registramos e cuidamos de nossa memória.


    “Eu acredito que essa carência tem a ver com o pouco tempo em que a dança adentrou no meio acadêmico. Produziam-se muitos relatos pelo ponto de vista do coreógrafo, mas, no Brasil, não temos essa cultura do registro entre os artistas da dança”, comenta a coordenadora do projeto Valéria Vicente, lembrando que o primeiro curso superior na área data de 1954, na Universidade Federal da Bahia, que, por muitos anos, foi o único do país.


    O livro é um desdobramento do projeto RecorDança, da Associação Reviva (associacaoreviva.org.br/siterecordanca), fundado por Valéria, que desde 2003 realiza uma ação continuada de pesquisa e documentação da história da dança. No site, estão catalogadas e disponíveis para o público mais de 1.400 publicações sobre o tema, entre ensaios, recortes de jornais, entrevistas, documentários, perfis de profissionais e reprodução de cartazes e imagens de divulgação de obras e espetáculos.

     

    PLURIVOCALIDADES
    A partir do trabalho de 12 pesquisadores que integram o RecorDança, o Acervo Mariposa e o projeto Temas de dança, além de pesquisas desenvolvidas em trabalhos de conclusão do curso de Dança da Universidade Federal de Pernambuco, o livro traça um registro da memória recente da modalidade cênica no Recife. Para conseguir expressar a complexidade das consonâncias e dissonâncias de cada historiador em suas afinidades, referências e interesses, as autoras “emprestaram” a metáfora do acorde, do historiador José de Assunção Barros: assim como na música, as muitas vozes que, juntas, convergem e se harmonizam.


    Além de artigos das coordenadoras do projeto, integram a obra textos de Tainá Veríssimo, Liana Gesteira, Djalma Rabêlo, Alice Moreira, Flávia Meireles, Jefferson Figueiredo, Daniela Santos, Nirvana Marinho, Elis Costa e um artigo-exposição da fotógrafa Ju Brainer. “A gente pensou em dar visibilidade às diferenças reflexivas e de interesses entre os autores. Um de nossos principais cuidados era não trazer uma visão única e oficial, mas propor diferentes enfoques sobre o tema. Essas formas acabam trazendo diferentes nuances e uma maior complexidade na pesquisa”, comenta a pesquisadora.


    Acordes e traçados articula relações entre a escrita e a história, através da leitura da memória, abordando a criação, a construção dramatúrgica de vídeodanças e dos processos de transformações dos grupos e coletivos, além de seus papéis pedagógicos de formação e ensino. Em seu artigo, por exemplo, Valéria realiza um experimento de autoentrevista, partindo da experiência de pesquisa iniciada no projeto RecorDança em 2003. Questionamentos sobre como se deu o processo de profissionalização e a luta para conseguir manter a expressão como meio de sobrevivência ajudam a traçar um histórico recente sobre os momentos de efervescência cultural na cidade, resgata os nomes de pessoas, grupos e obras que participaram da promoção e criação em dança a partir dos anos 2000.


    Outros trabalhos abordam a contribuição das mulheres na Dança Afro do Recife (Daniela Santos), o olhar pedagógico sobre o frevo (Jefferson Figueiredo) e uma reflexão sobre a vivência artística da dança na cidade, através da observação e análise de seus figurinos (Djalma Rabêlo). Isso só para pincelar um pouco a obra, que vai além nas temáticas e reflexões.

     

    (Leia matéria na íntegra na edição 189 da Revista Continente)

  • Por dentro do passo

    [matéria vinculada ao especial sobre frevo publicado na edição 194 da Continente (Fev 17)]

    O Guerros do Passo estimula a prática da dança frevo ao longo de todo o ano. Foto: Eduardo Araújo/DivulgaçãoO Guerros do Passo estimula a prática da dança frevo ao longo de todo o ano. Foto: Eduardo Araújo/Divulgação


    Passistas, grupos e institui
    ções atuam durante todo o ano para dar mais expressão e consolidar as várias formas de pôr o frevo em movimento

    Qualquer pessoa que já brincou carnaval entre Olinda e o Recife, sabe que não é preciso nenhuma técnica para dançar frevo seguindo as orquestras. Mas opasso, denominação que o teatrólogo Valdemar de Oliveira disseminou para a dança do frevo de rua, exige dedicação e força física. Não são poucos os que se aventuram entre tramelas e tesouras, mas, assim como outras áreas da dança, poucos compreendem a dedicação de tempo e estudo que implica ser e manter-se passista. Para os passistas, amadores e profissionais, o frevo faz parte de suas vidas praticamente o ano inteiro, pois eles criam estratégias para isso acontecer. Para além disso, defendem a possibilidade de essa forma de viver o frevo se expandir para mais pessoas e fazer parte de um mercado que retribua financeiramente a dedicação que fazem ao passo.

    O Mestre Nascimento do Passo defendia que existem tantos passos quanto pernambucanos, mas hoje, dentro desse universo, também existem estilos, ou escolas estéticas. Entre os que se dedicam à dança, destacamos quatro escolas, cuja forma de dançar foi construída através de diferentes influências desde a segunda metade do século XX. Ressaltando que, dentro dessas escolas, existem ainda outras variedades de dança.

    O passista de grupo é aquele que aprende e ensaia para acompanhar troças e clubes carnavalescos. Os mais antigos estão no Sítio Histórico de Olinda, como a Cia Brasil por Dança, ligada ao Clube Vassourinhas, os grupos Acauã e Frevança, ligados à Troça Cariri, o grupo Frevo, Capoeira e Passo e a Associação Frevolinda. Os líderes desses grupos foram formados pelo Mestre Nascimento do Passo, quando atuou em Olinda, na década de 1980. Hoje estão incorporados às tradições da cidade. Suas coreografias são apresentadas em filas que repetem movimentos sincronizados para atravessar a multidão e garantir fôlego nos longos percursos pelas ladeiras. Não à toa, esses grupos são formados, em geral, por jovens e crianças, sua forma de fazer o passo é bastante enérgica, destacando as exigências de força e agilidade, e apresentam a corporalidade com menos influência de danças acadêmicas, como o balé.

    O Balé Popular do Recife, com suas criações na década de 1970 e 1980, influenciou a forma de apresentação do frevo, enfatizando coreografias em conjunto e variações coreográficas geométricas no uso do espaço. Os grupos ligados a essa tendência, como a Cia. Perna de Palco, evitam incluir movimentos de outras danças, atendo-se à sistematização inicial.

    Leia matéria completa na edição 194 da Revista Continente (fev 17)

  • Um fim de semana para ir ao teatro

    Peça "Que muito amou" é baseada em obra de Caio Fernando Abreu. Foto: Rogério Wanderley/DivulgaçãoPeça "Que muito amou" é baseada em obra de Caio Fernando Abreu. Foto: Rogério Wanderley/Divulgação

    Para os amantes das artes cênicas, Janeiro de Grandes Espetáculos é uma oportunidade importante para apreciar o que se tem produzido na área não só em Pernambuco, mas também em Portugual, por exemplo, como acontece nesta 23ª edição. Neste final de semana, o Janeiro oferece aos espectadores peças históricas, baseadas em clássicos da literatura, bem como um musical futurista. Confira a programação para o final de semana:


    Sexta-feira (20/1)
    Na casa máxima do teatro pernambucano, o Teatro de Santo Isabel, a Comuna Teatro de Pesquisa encena a peça Do desassossego. O grupo de teatro é proveniente de Portugal e seu embrião foi concebido em 1971, através do Teatro Laboratório de Lisboa e de nomes como João Mota, Manuela de Freitas, Carlos Paulo, Merlim Teixeira e Francisco Betana. No ano seguinte, já nascia a Comuna. O espetáculo em cartaz se baseia em O livro do desassossego, de Fernando Pessoa, que apresenta, de forma fragmentada, a paixão, moral e a psique de um de seus heterônimos, Bernardo Soares. A partir das 20h.

    No Teatro Hemílio Borba Filho, o Coletivo Lugar Comum, do Recife, reapresenta o espetáculo Segunda pele, a partir das 20h. O trabalho, como faz referência o próprio nome, navega nas roupas e nos repertórios culturais, sociais, políticos e pessoais que se misturam àquilo que adornamos em nosso corpo. Um espetáculo no qual a identidade é a protagonista.

    A pedagogia da libertação sobe aos palcos através da peça pa(IDEIA), dos coletivos Grão Comum e Gota Serena, também do Recife. Obviamente, falar sobre a pedagogia da libertação é falar do educomunicador Paulo Freire. O espetáculo, a ser apresentado no Teatro Arraial (20h), narra justamente os 70 anos de prisão do professor após a eclosão do golpe militar em 1964, além de mais de uma década de exílio mundo afora de Freire.

    Música, teatro e tecnologia se unem no Estesia, espetáculo de Pachka, no Teatro Luiz Mendonça. De acordo com dicionários, o verbete "estesia" está ligado à sensibilidade para se perceber o entorno.

    Na historia mundial, Auschwitz é um sinônimo de morte, um farol apontado para a falha da humanidade. Em O churrasco, espetáculo nascido do ventre do ENTREtanto Teatro, de Valongo (Portugal), o homem – que trabalha como um churrasqueiro, pois carrega o nome do campo de concentração como um peso de uma cruz. A peça será encenada no Teatro Marco Camarotti, também a partir das 20h.

    Por fim, o espetáculo Histórias bordadas em mim, realizado através de financiamento coletivo na web, da recifense Agrinez Melo, sugere um convite a uma autobiografia. A peça será encenada no espaço O Poste, com reapresentação no sábado (21/1).

    Assista ao vídeo do trabalho:



    Sábado (21/1)
    Novamente no Teatro de Santa Isabel, a cantora Cristina Amaral presta homenagem à cantora Núbia Lafayette no show Para Núbia, com amor, Cristina – a intérprete de Lama morreu há 10 anos.

    Palhaços, cuja profissão se baseia na diversão, são – não raro – associados também à tristeza, à solidão e ao medo (lembra-se de It – a coisa?). No espetáculo Saudosiar… a noite insone de um palhaço, com texto de Walmir Chagas, presenciamos a noite às claras de um palhaço e seus devaneios, ao conhecer sua solidão, sua melancolia e também sua trajetória biográfica recheada de amores, sonhos e tragédias.


    Os dragões não conhecem o paraíso, de Caio Fernando Abreu, escritor que adentrou o cânone dos principais nomes da literatura brasileira, serviu de inspiração para a resposta cênica de Antônio Rodrigues, com o espetáculo Que muito amou. Como é característico do autor, o livro tem como “personagem principal” o amor e as sub-relações, como sexo, morte, independência, mas igualmente o abandono.

    Domingo (22/1)
    Inteiramente coreografado, o espetáculo Amor segundo as mulheres de Xangô nasceu em comemoração aos dez anos do Grupo Grial, também influenciado pelo estudo Um corpo que conta, fazendo ainda referência às tradições religiosas africanas, ao relatar amores de Iansã, Oxum e Obá por Xangô.

    Teatro mudo. Somente estas palavras já poderiam caracterizar o espetáculo infantil DORalice, da recifense Companhia 2 em Cena de Teatro, Circo e Dança. Alice é uma menina que ama brincar com sua boneca Cidinha e, feliz, gosta de se divertir com outras brincadeiras que, por sua vez, nos levam de volta à nossa própria infância.

    DORalice é opção infantil na programação. Foto: André Ramos/DivulgaçãoDORalice é opção infantil na programação. Foto: André Ramos/Divulgação

    Circo é teatro e, como não poderia deixar de ser, o espetáculo Picadeiro Pernambuco – a tradição milenar é composto por artistas criados dentro de toda a peculiaridade circense. De circo tem não só o enredo, mas também o número – palhaçaria, acrobacias, mágicas e música.

    Serviço
    23º Janeiro de Grandes Espetáculos
    Em cartaz até 29 de janeiro de 2017
    Para detalhes da programação e outras informações, acesse: www.janeirodegrandesespetaculos.com