• Festival de Inverno de Garanhuns vai até dia 29

    Show de Isadora Melo abriu o FIG este ano. Foto: Rodrigo Ramos/Secult-PEShow de Isadora Melo abriu o FIG este ano. Foto: Rodrigo Ramos/Secult-PE

    Confira a programação do 27º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que acontece este ano entre os dias 20 e 29 de julho na cidade agrestina de Pernambuco. Entre as atrações musicais, estão Isadora Melo, um tributo especial a Belchior (morto este ano), BaianaSystem, Alice Caymmi, Marina Lima, Mariana Aydar e outros. O festival, como já é tradição, tem vários palcos e polos, incluindo programação de cultura popular, artes cênicas, artes visuais, literatura e outras linguagens. Confira tudo aqui, no site Cultura PE.

  • Mulheres, o elemento fogo de Garanhuns

    Em cima: Gabi da Pele Preta, Baby do Brasil, Alice Caymmi. Embaixo: Cida Moreira, Angela Ro Ro, Isadora Melo (dir). Fotos: Fundarpe/SecultEm cima: Gabi da Pele Preta, Baby do Brasil, Alice Caymmi. Embaixo: Cida Moreira, Angela Ro Ro, Isadora Melo (dir). Fotos: Fundarpe/Secult

    Isadora Melo, Isaar, Cida Moreira, Angela Ro Ro, Renata Arruda, Gabi da Pele Preta, Tulipa Ruiz, Olivia Hime, Ylana, Alice Caymmi, Baby do Brasil. As mulheres mostraram sua força nestes primeiros dias do Festival de Inverno de Garanhuns, em cartaz desde quinta (20/7) na cidade agrestina de Pernambuco. Não só elas, é claro, mas foram elas que deram uma energia especial ao início desta que é a 27ª edição do evento. Sob chuva e frio, levaram o elemento fogo aos corpos que circularam pela programação musical do FIG; não apenas musical: na sexta (21/7), a exibição do filme Câmera de espelhos, de Déa Ferraz, puxou uma discussão sobre o machismo no Cine Eldorado, e no sábado (22/7), o Teatro Luiz Souto Dourado recebeu o Cabaret Brecht, com Cida Moreira, a atriz Maeve Jinkings e o ator Arilson Lopes interpretando canções de Kurt Weill e Bertolt Brecht.

    Na noite de sábado, aliás, o públicopôde assistir ao show de quatro mulheres de gerações distintas. Começando por Ylana Queiroga eAngela Ro Ro no palco do Som da Rural, montado ao rés do chão doParque Euclides Dourado, como uma alternativa (ou um complemento) ao Palco Pop, cuja programação tem início nesta terça (25/7). Este ano a Rural de Roger está por lá, movimentando o festival com atrações de pegada semelhante ao do Pop, incluindo DJs. Ficou um pouco redundante, talvez, já que o Pop fica bem ao lado do Euclides e o Som na Rural continuará com programação nos próximos dias, até o fim do festival (29/7). Uma solução interessante seria colocar a Rural para o horário vespertino do parque, onde no geral circula um público que certamente seria pego de “surpresa” por um som mais diversificado, fora do que a indústria cultural costuma nos ofertar.

    À noite, o público que vai ao local já é habitué desse tipo de programação, e não é à toa que uma plateia cativa de Angela Ro Ro já estava aglutinada sob a tenda da Rural no sábado, por volta das 22h. Mesmo cantando em um palco pequeno, alternativo, no chão, a intérprete e compositora com décadas de estrada parecia bem satisfeita, e verbalizou isso: “O afeto de vocês aqui está uma loucura. Nem mamãe me deu tanto carinho assim.” Ela seguiu com um show caloroso, soltando suas cordas vocais de sonoridade “doce e selvagem” para músicas como Amor, meu grande amor, Simples carinho, Fogueira e Malandragem. Antes de cantar esta última, ela “atendeu” o celular, disse que era Cazuza.

    – Ah, você queria estar aqui? Está com Cássia Eller numa festa e não pode vir? Tudo bem, o pessoal aqui gosta muito de você!

    Depois, emendou na história: “Cazuza fez essa música e me mostrou, dizendo que fez para mim e tal. Meia três-quartos, esperando o ônibus da escola, sozinha… Eu disse: ‘Opa, isso é comigo!’ Mas na época eu já tinha fechado o álbum que estava gravando. ‘Um dia essa música vai estar em boas mãos’, disse a ele. Então, voltando de Petrópolis, onde eu morava, escutei Cássia Eller cantando e pensei: ‘Olhaí! Não poderia estar em mãos melhores!’”. O público pediu várias músicas a ela, que negou todas, com seu jeitinho carioca, abusado e simpático de ser. “A música de ontem? Ah, não; não tá no repertório, não”, disse, referindo-se ao que foi, segundo algumas pessoas presentes no Tributo a Belchior última sexta (21/7), um dos momentos mais impactantes que o FIG já viu – a interpretação dela para a música Paralelas (veja mais AQUI).

    No Palco Mestre Dominguinhos (antiga Praça da Guadalajara), Alice Caymmi e Baby do Brasil seguraram, debaixo de chuva, um público numeroso, que também assistiu às apresentações de Rogério e os Cabras, Maciel Salu e Cantos Rurais, com Adiel Luna e Mestre Bule-Bule. Fizeram shows dançantes: uma no auge dos 27, a outra no ápice dos seus 65 anos. Uma com cabelos cor-de-rosa, óculos de coração, calcinha de oncinha, casaco dourado; outra, madeixas roxas, bota plataforma combinando com o prateado da saia rodada. Ambas pela primeira vez no FIG. Não é sempre que o festival tem uma combinação explosiva dessas. Alice Caymmi, aliás, abriu os trabalhos com Iansã(Senhora das nuvens de chumbo/ Senhora do mundo dentro de mim/ Rainha dos raios, rainha dos raios/ Rainha dos raios, tempo bom, tempo ruim). E foi a própria, do início ao fim. Cantou (e como canta), dançou (fez a funkeira), tirou o casaco, jogou no chão. Fez uma performance de artista genuinamente inquieta, que tem se mostrado em constante transformação. Deixou vontade de mais. Fiquemos atentos a ela.

    Baby do Brasil segue sendo, no palco, a menina que dança e canta, cheia de vida dos Novos Baianos. E certamente não desapontou quem foi vê-la esperando reviver os anos 1970 – mesmo com um pouco, bem menos do que antes, de sua pregação religiosa (a cultura gospel segue em paralelo em sua vida). Baby é a própria entidade e quando interpretou Telúrica, vimos que as “babies” de ontem e hoje seguem juntas. O show faz parte do seu mais recente trabalho, Baby do Brasil experience, queapesar do nome, parece cumprir muito bem essa volta eletrizante da artista, com destaque para as guitarras em cena. No repertório, estão também outros sucessos na sua voz. A menina dança, Menino do Rio e ainda Todo dia era dia de índio, que, em Garanhuns, fechou sua apresentação cheia de bis.

    Programação completa do festival: http://www.cultura.pe.gov.br/fig2017/