• Transformando o entorno

    Foto: Léo CaldasFoto: Léo Caldas

     

    Projeto ousado, iniciado em 2015, leva movimentação cultural incomum à Mata Sul do estado

    O trajeto entreo Recife e a Usina Santa Terezinha, no município de Água Preta, a 140 km da capital, é formado por uma paisagem que fala muito sobre o passado da região, a monocultura da cana-de-açúcar, seus engenhos e usinas. Tempos atrás, Pernambuco possuía 60 usinas em funcionamento. Hoje, são 13, divididas entre a Zona da Mata Norte e a Mata Sul. A Santa Terezinha – que na década de 1950 viveu tempos áureos e chegou a ser, em um ano, a maior produtora do país – está entre aquelas que foram desativadas. Há pouco mais de 15 anos não se mói cana por lá, ainda que parte de suas terras ainda sirva para sua plantação.

    O imaginário desses tempos de cultura canavieira forte parece estar impregnado no lugar e também nas pessoas que lá vivem. Usinas como a de Barreiros e a de Catende conseguiram, diante da sua potência, constituir comunidades que foram alçadas à categoria de municípios. Hoje, também desativadas, deixaram uma lacuna no modo de vida das pessoas. A Santa Terezinha não chegou a fundar um município, mas criou uma vila em seu entorno, cujos moradores também sofreram os impactos do fim da moagem de cana. Enquanto essa cultura arraigada se deteriora, a população local viu surgir, em 2015, algo novo naquele lugar onde antes a cana-de-açúcar era centro da vida. Uma movimentação cultural brotou de forma pouco organizada: nascia o projeto Usina de Arte.

    Proprietário das terras da usina, o empresário Ricardo Pessoa de Queiroz deu início – informalmente – ao projeto após uma viagem ao Centro de Arte Contemporânea de Inhotim, instalado na cidade de Brumadinho (MG), espaço ao qual o Usina de Arte vem sendo reiteradamente comparado. Em 2012, Ricardo e sua esposa, Bruna, fizeram uma visita ao centro mineiro. Lá, eles se apaixonaram pelo trabalho do artista Hugo França, que desenvolve “esculturas mobiliárias” em madeira. “Falei para Bruna que queria uma peça dele. E o convidei para vir até a usina e aproveitar a matéria-prima que temos em abundância por aqui. Depois, alguns amigos me pediram para convidá-lo novamente para desenvolver outras peças para eles. Hugo veio em 2013, depois novamente em 2014. A partir daí, em nossas conversas, surgiu a ideia de chamar outros artistas para vir a esse lugar, dialogar com o entorno e com as questões culturais da região”, conta Ricardo.

    Leiamatéria na íntegra na versão impressa da Continente de maio 2017 (n. 197)