• Bomba do Hemetério é o palco de abertura do Virtuosi

    Maestro Forró. Foto: Eric GomesMaestro Forró. Foto: Eric Gomes

    As suaves notas dos violinos, a delicadeza das flautas e a potência dos clarinetes da Orquesta Sinfônica Jovem do Recife sobem as ladeiras da Bomba do Hemetério para abrir o XIX Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco neste sábado (10/12). Juntam-se, no trompete, toda a excentricidade performática do Maestro Forró e, na regência, o erudito maestro Rafael Garcia. É a primeira vez que a comunidade, localizada na zona norte do Recife, às margens de outros morros históricos como o da Conceição, vira palco de abertura dos concertos. A música começará a soar por lá às 19h, com acesso gratuito.

    Sob o teto do Convento de São Francisco, em Olinda, no dia seguinte, a violinista coreana Clara-Jumi Kang, vencedora do último prêmio Tchaikovsky, será a única atração do dia do festival. Ela, junto com o pianista Victor Asuncion, das Filipinas, também faz parte das principais atrações da programação neste ano. Ele, no entanto, apresentará seu piano no Teatro Santa Isabel, no sábado seguinte (17/12).

    O XIX Virtuosi entra em cartaz também em outras cidades do Nordeste, como Natal, João Pessoa, Fortaleza e Salvador. A turnê atravessará ainda fronteiras brasileiras e chegará em Buenos Aires, Montevideo e Santiago.

    Confira a programação do XIX Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco:

    BOMBA DO HEMETÉRIO

    10/12 | SÁBADO 19h
    GRANDE CONCERTO BNDES
    A Música Clássica na Periferia
    ORQUESTRA JOVEM DE PERNAMBUCO
    MAESTRO FORRÓ, solista
    RAFAEL GARCIA, regente

    ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO DO RECIFE

    12/12 | SEGUNDA 19h
    QUINTETO PARA CLARINETE & CORDAS
    ENSEMBLE  SÃO PAULO
    BETINA STEGMANN, violino
    NELSON RIOS, violino
    MARCELO JAFFÉ, viola
    ROBERT SUETHOLZ, cello
    LUIS AFONTSO MONTANHA, clarinete

    13/12 | TERÇA 19h
    A VOZ & O VIOLINO
    MANUELA FREUA, soprano
    BENJAMIN SUNG, violino

    14/12 | QUARTA 19h
    ORQUESTRA VIRTUOSI
    RAFAEL GARCIA, regente

    15/12 | QUINTA 19h
    MÚSICA POR UM TEMPO
    RODRIGO FERREIRA, contratenor
    RONAN KHALIL, cravo

    VI VIRTUOSI DIÁLOGOS
    MAMAM
    13, 14 e 15 | 12h – 10h
    APRENDENDO A OUVIR MÚSICA CLÁSSICA
    Talks com Irineu Franco Perpétuo
    Inscrição: www.virtuosi.com.br

    TEATRO DE SANTA ISABEL

    16 | SEXTA 20h
    O PIANO ROMÂNTICO I
    KRISTINA MILLER-KOECKERT, piano

    17 | SÁBADO 20h
    O PIANO ROMÂNTICO II
    VICTOR ASUNCION, piano
    18 | DOMINGO 18h

    TRIO CON BRIO COPENHAGEN
    SOO-JIN, violino
    SOO-KYUNG HONG, cello
    JENS ELVEKJAER, piano

  • Gravatá é palco do VIII Virtuosi

     

    Rafael Garcia by Caroline Bittencourt2Rafael Garcia by Caroline Bittencourt2


    A cidade de Gravatá, no Agreste pernambucano, recebe a partir deste sábado (16/7), às 19h, o VIII Virtuosi, com direção musical do maestro Rafael Garcia. Presente no oitavo ano consecutivo no município, o evento é realizado na Igreja Matriz de Sant’Ana e tem entrada gratuita.

     

    As atrações convidadas possuem prêmios internacionais em diferentes categorias e instituições. Quem abre o festival é a Orquestra Jovem de Pernambuco, sob a direção do próprio maestro Rafael Garcia, tendo como solistas a violinista Soh-Hyun Park, o violista Rafael Altino e o violoncelista Leonardo Altino. No domingo (17/7) às 11h, o Virtuosi oferece um recital de canto com a participação de Niklaus Rüegg, Robert Koller e Nadia Belneeva.

     

    Na segunda (18/7), a programação conta com o recital Barroco & romantismo, com o pianista Ilya Ramlav. Na terça (19/7), é a vez do recital Brahms & Rachmaninoff, com a participação do violista Rafael Altino e do pianista Ilya Ramlav. As cantoras soprano brasileiras Gabriella Pace e Adriana Clis se apresentam na quarta (20/7), tendo ao piano Nadia Belneeva. Na quinta, o programa Paganini & Cesar Franck apresentando o Quarteto para viola, violino, cello e violao e o Quinteto para piano e cordas. E na sexta (22/7), é a vez do Duo Altino apresentar um programa com obras de Kodály, Desenne e Ravel. Veja programação completa abaixo.

     

    Neste ano, o Virtuosi em Gravatá recebe a Semana Internacional de Coral em convênio com instituições musicais suíças, com a participação cerca de 20 coralistas do país, além de tenores, barítonos e regentes. Os coralistas nordestinos se unem ao programa para formar um coral com mais de 40 vozes, encerrando o festival com a apresentação do Requiem de Mozart, no dia 24 de julho.


    PROGRAMAÇÃO

    VIII FESTIVAL VIRTUOSI DE GRAVATÁ

    16 A 23 DE JULHO DE 2016

    IGREJA MATRIZ DE SANT’ANA

     

    SÁBADO 16|7

    19h CONCERTO DE ABERTURA:

    ORQUESTRA JOVEM DE PERNAMBUCO
    RAFAEL GARCIA, regent

    JOHANN SEBASTIAN BACH [1685-1750]
    Concerto para violino em lá menor, BWV 1041
    SOH-HYUN PARK ALTINO, violino

    ANTONIN DVORAK [1841-1904]
    Serenata para cuerdas en mi mayor, Op.22

    NICCOLÒ PAGANINI [1782-1840]
    Sonata per la Gran Viola, Op.35, MS 70
    RAFAEL ALTINO, viola

    PIOTR ILITCH TCHAIKOVSKY [1840-1893]
    Variações sobre um tema Rococó para cello e orquestra
    LEONARDO ALTINO, cello

     

    DOMINGO 17|7
    11h RECITAL DE CANTO I

    FRANZ SCHUBERT [1797-1828]
    Der Lindenbaum
    Mein!
    Ständchen (Leise flehn...)

    GUSTAV MAHLER [1860-1911]
    Um schlimme Kinder artig zu machen
    Nicht wiedersehen

    ROBERT SCHUMANN [1810-1856]
    Im wunderschönen Monat Mai
    Wenn ich in deine Augen seh’
    Ich grolle nicht

    MAURICE RAVEL [1875-1937]
    Chanson Épique
    Chanson Romanesque

    GAETANO DONIZETTI [1797-1848]
    Una furtiva lagrima (L’elisir d’amore)

    WOLFGANG AMADEUS MOZART [1756-1791]
    Non più andrai, farfallone amoroso (Le nozze di Figaro)
    Bildnisarie (Flauta Mágica)
    Madamina, il catalogo è questo (Don Giovanni)
    Vivat Bacchus (O Serralho)

    NIKLAUS RÜEGG, tenor
    ROBERT KOLLER, barítono
    NADIA BELNEEVA, piano

     

    SEGUNDA 18|7
    19h BARROCO & ROMANTISMO

    DOMENICO SCARLATTI [1685-1757]
    Sonata in D minor K213

    ANTONIO SOLER [1729-1783]
    Sonata in D major R84

    ROBERT SCHUMANN [1810-1856]
    Grand Sonata in F-sharp minor op.11

    SERGEI RACHMANINOFF [1873-1943]
    Moments Musicaux

    ILYA RAMLAV, piano

     

    TERÇA 19|7
    19h BRAHMS & RACHMANINOFF

    JOHANNES BRAHMS [1833-1897]
    Sonata nº2 em fá maior Op.99 (cello e piano)

    SERGEI RACHMANINOFF [1873-1943]
    Sonata em sol menor, Op.19 (cello e piano)

    RAFAEL ALTINO, viola
    ILYA RAMLAV, piano

     

    QUARTA 20|7
    19h RECITAL DE CANTO II

    ROBERT SCHUMANN [1810-1856]
    Wenn ich ein Vögelein wär (poeta desconhecido)
    Bedeckt mich mit Blumen (Emanuel Geibel)
    Schön Blümelein (Robert Reinick)
    Liebesgram (traduzido do espanhol por Emanuel Geibel)

    GUSTAV MAHLER [1860-1911]
    Ich bin der Welt abhanden gekommen (Rückert)
    Das irdische Leben (Des Knaben Wunderhorn)

    FRANZ SCHUBERT [1797-1828]
    Ganymed (Goethe)
    Gretchen am Spinnrade (Goethe)

    ERNEST CHAUSSON [1855-1899]
    La Nuit (Th. De Banville)
    Réveil (H. de Balzac)

    FRANCIS POULENC [1899-1963]
    C (Louis aragon)
    Les Chemins de l’amour (Jean Anouilh)
    C’est ainsi que tu es (Louise de Vilmorin)
    Voyage à Paris (Apollinaire)

    EDMUNDO VILLANI-CÔRTES [1930]
    Canção de Carolina (Júlio Bellodi)
    Casulo (Júlio Bellodi)

    WALDEMAR HENRIQUE [1905-1995]
    Uirapuru (Canção Amazônica)
    Maracatu: Hei de Seguir teus passos (Canção Amazônica)

    GABRIELLA PACE, soprano
    ADRIANA CLIS, mezzo-soprano
    NADIA BELNEEVA, piano

     

    QUINTA 21|7
    19h PAGANINI & CESAR FRANCK

    NICCOLÒ PAGANINI [1782=1840]
    Quarteto nº 15 para viola, violin, cello & guitarra

    CESAR FRANCK [1822-1890]
    Quinteto para piano e cordas em fa menor


    SOH-HYUN PARK ALTINO, violino
    ALEXANDRE CASADO, violino
    RAFAEL ALTINO, viola
    LEONARDO ALTINO, cello
    ADAM MAREC, guitarra
    ILYA RAMLAV, piano

     

    SEXTA 22|7
    19h DUO ALTINO

    ZOLTÁN KODÁLY [1882-1967]
    Duo for Violin and Cello, Op. 7

    PAUL DESENNE [b. 1959]
    “En Voyage” - Trois Mouvement pour Violon et Violoncelle (2012)

    MAURICE RAVEL [1875-1937]
    Sonate pour Violon et Violoncelle


    SOH-HYUN PARK ALTINO, violino
    LEONARDO ALTINO, cello

     

    SÁBADO 23|7
    11h ADAM MAREC, violão

    JIŘÍ JIRMAL [1925]
    Baden Jazz Suite

    FERNANDO SOR [1778-1839]
    Etude concertante Op. 6, No. 11

    PETR EBEN [1929-2007]
    Mare Nigrum

    AGUSTÍN BARRIOS MANGORÉ [1885-1944]
    Cancíon de la Hilandera

    KASPAR JOSEPH MERTZ [1806-1856]
    Bardenklänge Op. 13
    (choice of works)

    EGBERTO GISMONTI [1947]
    Água e Vinho

    PAULO BELLINATI [1950]
    Jongo

    CARLO DOMENICONI [1947]
    Koyunbaba suite, Op 19

    19h REQUIEM DE MOZART

    W.A. MOZART [1756-1791]
    Requiem em ré menor KV 626
    Requiem
    Kyrie
    Sequentia
    Offertorium
    Sanctus
    Benedictus
    Agnus Dei
    Communio


    ORQUESTRA JOVEM DE PERNAMBUCO
    GABRIELLA PACE, soprano
    ADRIANA CLIS, mezzo-soprano
    NIKLAUS RÜEGG, tenor
    ROBERT KOLLER, barítono
    CORAL DA SEMANA INTERNACIONAL DE CORAL
    MATTHIAS HEEP, regente coral
    RAFAEL GARCIA, regente

     

    DOMINGO 24|7
    11h RECITAL
    Programa a ser anunciado.
    Resultado do trabalho desenvolvido durante o festival

     

  • Música erudita em interação digital

     Ensemble U faz apresentação com softwares. Foto: Frame vídeoEnsemble U faz apresentação com softwares. Foto: Frame vídeo


    A difusão da música erudita contemporânea pauta o V Virtuosi Século XXI traz estes dias ao Recife duas apresentações envolvendo o uso de softwares e a interação com o público no processo de execução das peças. Nesta quinta (27/10), o concerto é do Abstrai Ensemble, formado por intrumentistas e compositores residentes no Rio de Janeiro. Já nesta sexta (28/10), a programação traz o Ensemble U, da Estônia, cuja apresentação envolve uma experiência curiosa com os ouvintes. Os concertos acontecem sempre a partir das 19h, na Ordem Terceira de São Francisco do Recife (Rua do Imperador Dom Pedro, s/nº, Santo Antônio). Todas as apresentações são gratuitas. Além dos concertos, há palestras acontecendo no Mamam (Rua da Aurora, 265, Boa Vista) até sábado (29/10), nos horários da manhã e da tarde.

    Em cena, o Abstrai Ensemble executa repertório brasileiro e estrangeiro, a partir de um grupo formado por cinco músicos, em flautas, clarinetes, saxes, violão e ainda tecnologias digitais (música mista e eletroacústica).



    O último dia de concertos do festival fica sob a responsabilidade do Ensemble U. No mínimo, uma apresentação de proposta interessante neste fim de semana na cidade. Composto por seis músicos, o grupo da Estônia apresenta um programa inédito, a partir de uma obra chamada Ensemble U: & Orquestra da Audiência. Segundo o texto de divulgação do evento, trata-se de "uma experiência interativa desenvolvida pelo grupo. Os ouvintes do evento ganham um poder incomum - eles podem controlar a forma como o concerto se desenvolve, o que é a música tocada e dar feedback instantâneo de suas opiniões. Em algumas seções eles podem tocar junto com os artistas e são transformados em uma espécie de orquestra. Mas ao contrário de uma orquestra normal que se baseia em hierarquias e regras rígidas, a Orquestra da Audiência atua sobre as bases da democracia - todo mundo tem um voto e as decisões são tomadas por maioria."

    De acordo com eles, "o principal problema desta experiência singular é investigar e jogar em torno da idéia 'democracia no fazer da música'. O público poderá participar utilizando um smart-phone, tablet ou laptop. A única coisa que precisa fazer é efetuar login na rede wi-fi local (criado pelo grupo U:), abrir certa página web e seguir instruções. Dois computadores com software criado especialmente para esta experiência executam serviços necessários, reunem os dados dos participantes transformando-os em música ou informações de outra forma útil". Softwares da apresentação: Tarmo Johannes, Tammo Sumera.



    Confira mais informações no site do Virtuosi: http://www.virtuosi.com.br/ 

  • Só a música erudita de autores contemporâneos

    Compositor Sergio Roberto de Oliveira foi indicado ao Grammy Latino. Foto: DivulgaçãoCompositor Sergio Roberto de Oliveira foi indicado ao Grammy Latino. Foto: Divulgação


    Fundada por Sergio Roberto de Oliveira, com recursos pr
    óprios e empréstimos de amigos, em 1999, a carioca A Casa Discos chega este ano ao marco de 30 CDs lançados


    A música clássica
    , por si só, é um nicho pouco lucrativo na indústria fonográfica nacional, salvo pelos álbunsblockbustersde estrelas comercialescas como Andrea Bocelli ou André Rieu (há duas décadas, a febre eram os “três tenores”: Carreras, Domingo e Pavarotti; há três, Richard Clayderman). “Pouco lucrativo” talvez seja bondade, pois é plausível cogitar que esse segmento não seja veramente deficitário no Brasil, mesmo levando-se em conta as plataformas virtuais de vendas, a exemplo do Spotify e iTunes. Afinal, quem gasta dinheiro com música clássica hoje em dia – um entretenimento que, para muitos, continua tão exótico quanto filatelia, aero ou ferreomodelismo, numismática e criação de raças raras de cães e gatos?

    O fundador de uma gravadora no Rio de Janeiro pensou diferente e decidiu apostar nesse filão, mais especificamente de música clássica criada por compositores brasileiros vivos. Sem lastro financeiro estatal e sem apelar a outros gêneros musicais para expandir o catálogo, Sergio Roberto de Oliveira investiu cerca de 150 mil dólares – de recursos próprios e de empréstimos com amigos e familiares – na aquisição, reforma e adaptação de uma casa antiga no Bairro do Rio Vermelho, na região central do Rio, além da compra dos equipamentos de som necessários, em 1997. A inauguração d’A Casa Estúdio aconteceu em fevereiro de 1998 e a empresa oficializou-se em junho de 1999.

    Meu início de vida foi muito conturbado: minha filha nasceu quando eu estava no segundo período da faculdade de Música e tocava na noite para pagar as contas. Com a tecnologia digital, os equipamentos de gravação tornaram-se bastante acessíveis, principalmente com a paridade dólar/real, conseguida no governo Itamar Franco. Ou seja, ao mesmo tempo que havia uma necessidade pessoal de sustento, os meios para montar um pequeno estúdio eram mais fáceis”, conta Sergio.

    Antes de adquirir A Casa, o produtor possuía um estúdio doméstico no apartamento em que morava, montado em 1995. O aumento da demanda o fez alugar um estúdio de ensaios, para onde levava seus equipamentos de som. O passo seguinte foi construir o próprio estúdio: A Casa demorou cerca de sete anos para ficar estruturada por completo: três anos para reforma do edifício e mais quatro para a estrutura social (banheiros, recepção, escritório etc.).

    Leia matéria na íntegra na versão impressa da Continente de maio 2017 (n. 197)

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    EXTRAS:

    Ouça álbuns e faixas d'A Casa dos Discos

    The Biedermeiers
    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?

    Água forte

    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=9466

    https://play.spotify.com/album/6JAPojt6nripkb9STPYQ63?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open


    OSN interpreta compositores de hoje

    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=9511

    https://play.spotify.com/album/6uiG75vsL51gvP7sx9vTDL?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open


    Duo santoro - Paisagens cariocas

    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=9955

    https://play.spotify.com/album/2KB0CygJObWBkgzx7uwr5Y?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open


    Pares

    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=7924

    https://play.spotify.com/album/2RI6BfG81lBVsde2nwhvsq?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open


    Cristiano Alves - A música de Osvaldo Lacerda

    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=8108

    https://play.spotify.com/album/32ph88TwTtrtPJFoqJ1CH7?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open


    Quinteto Lorenzo Fernandez - Música Carioca de Concerto

    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=7918

    https://play.spotify.com/album/4PGISWoxgmTDIH83kQm3xf?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open


    Trio Capitu - Novos ventos

    http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=7798

    https://play.spotify.com/album/5qm5Xv8KmTJk4pqdWLVUB8?play=true&utm_source=open.spotify.com&utm_medium=open

  • “Nossos problemas são latino-americanos”

    Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

     

    O maestro e ex-pianista recifense Lanfranco Marceletti Jr. mal é conhecido pelo público pernambucano – a única experiência contínua de Lanfranco à frente de uma orquestra local foi com a Orquestra Criança Cidadã, de 2011 a 2013 –, mas a oportunidade de revê-lo acontecerá este mês, na abertura da turnê da Orquestra Sinfônica de Xapala pelo Brasil, de 7 a 16 de outubro. O primeiro concerto da orquestra sinfônica mais antiga do México será no Teatro Guararapes, dia 7, às 21h. No mesmo dia, pela manhã, os músicos da OSX conhecerão a sede da Orquestra Criança Cidadã e alguns deles ministrarão oficinas para alunos do projeto – Lanfranco fez questão dessa contrapartida social, que também será oferecida ao Instituto Baccarelli, em São Paulo.


    Sediada na capital do estado de Veracruz, a OSX já organizou um festival internacional de violoncelos em 1959, que contou com a presença de Pablo Casals e Heitor Villa-Lobos, e trouxe para a turnê, que segue por João Pessoa, Natal, Rio de Janeiro e São Paulo, um repertório com peças de Marlos Nobre (1939), Silvestre Revueltas (1899-1940), Claude Debussy (1862-1918), o icônico Prelúdio para a tarde de um fauno, e Richard Strauss (1864-1949), a suíte da ópera O cavaleiro da rosa.


    De Marlos Nobre, será tocada a Passacaglia, “peça que utiliza uma técnica de composição barroca, mas com usos de ritmos e melodias brasileiras”, segundo Lanfranco, que, em seu primeiro concerto como maestro titular em Xalapa (em tempo, leia-se “Ralapa”), abriu o programa com outra peça do conterrâneo: Convergências. “Era uma maneira de mostrar de onde vinha. E agora, na turnê, fazemos o mesmo. Queria que tanto mexicanos como brasileiros pudessem estar em contato com a música de tão grande compositor nosso”, afirma.


    De Revueltas, a escolha foi pela cativante suíte Redes, escrita para um filme homônimo de 1936 dirigido por Fred Zinnman e Emilio Gomez, uma das partituras preferidas do regente. “Estou aqui no México há quatro anos e meio e tenho tido a oportunidade de me acercar muito à música deste grande compositor. E cada vez que eu a rejo, mais fico impressionado com a qualidade da música de Revueltas. É fantástico. Quero que todos no Brasil vejam que grande compositor é esse”. No intervalo de uma viagem entre a Suíça – onde participava de um projeto com a Sinfônica de Berna – e o México, Lanfranco concedeu esta entrevista à Continente, em que comenta sobre as similaridades do repertório erudito brasileiro e mexicano, a convivência com os maestros Alerto Zedda e Anton Coppola e a antiga carreira de pianista.


    CONTINENTE A música sinfônica mexicana ainda tem maior espaço que a música sinfônica brasileira no repertório, e nas gravações, de orquestras norte-americanas e latino-americanas ou já há um equilíbrio maior nesse sentido?
    LANFRANCO MARCELETTI JR. Acredito que exista já um equilíbrio. O Brasil, com nomes como Villa-Lobos, Mozart Camargo Guarnieri e Marlos Nobre, e o México, com Carlos Chavez, Silvestre Revueltas e José Pablo Moncayo, têm um peso enorme nas Américas em relação à música clássica e também nas gravações que são feitas. Acredito que os países latino-americanos estão ganhando cada vez mais seu merecido espaço no mundo discográfico por terem uma música contemporânea muito inovadora e, ao mesmo tempo, interessante ao público em geral.

     

    CONTINENTE Que paralelo você traça entre o repertório sinfônico mexicanostandard e o brasileiro do século 20?
    LANFRANCO MARCELETTI JR. Bem, temos caminhos muito paralelos nesse sentido. Por terem sido dois países de importância vital para os colonizadores – Espanha e Portugal –, o México, como a Nova Espanha, e o Brasil, sede do Reino de Portugal no início século XIX, tiveram uma atenção especial e oportunidades únicas. Então eu diria que, para começar, no século XIX ambos os países começam um processo de absorção da música clássica europeia, com músicos muitas vezes educados no velho continente e, ao mesmo tempo, com uma procura, mesmo que rudimentar, de uma voz própria, que chegaria mais tarde em nosso continente através da música nacionalista. Por serem terras privilegiadas pelos colonizadores, recursos existiam para esse tipo de investimento. No século XX, existe o encontro com a tradição folclórica nestes dois países. O Brasil e o México vão encontrando uma veia nacionalista forte que realça e reconhece as origens e realidades desses países-continentes. Em muitos sentidos foram pioneiros no continente latino-americano. O século XXI marca uma possibilidade de encontro com uma linguagem mais pessoal e, ao mesmo tempo, seguindo uma vertente global. Brasil e México têm uma incrível produção musical, com músicos contemporâneos jovens de grande talento e com uma visão que não deixa suas raízes, mas busca algo que nos una mais neste mundo cada vez “menor”.


    CONTINENTE O que o levou a estabelecer-se no México, um país onde talvez nenhum regente brasileiro tenha seguido trajetória?
    LANFRANCO MARCELETTI JR. Pelo menos por cinco anos (2006-2011) estive colaborando com a Orquestra Sinfônica de Xalapa como regente convidado e tivemos a oportunidade de nos conhecer bem. Também fui conhecendo Xalapa e o México nesses anos, fazendo amizades e criando vínculos. Quando me elegeram diretor artístico, não tive dúvida de que queria trabalhar com eles. É uma orquestra de primeira qualidade e com uma grande tradição no país. O resultado é que adoro o México e sou muito grato pelo carinho e atenção que me dá.

     

    CONTINENTE Em Pernambuco, você chegou a reger a Orquestra Criança Cidadã por cerca de dois anos e foi cogitado por músicos da Sinfônica do Recife, há alguns anos, para ser diretor artístico dela. Hoje, qual a sua ligação profissional com sua cidade natal?
    LANFRANCO MARCELETTI JR. Infelizmente, pouca. Espero com o tempo criar mais vínculos. Amo minha cidade e tenho muita admiração e carinho pelos meus colegas músicos. Espero um dia poder contribuir com o conhecimento adquirido em todos esses anos para criar mais oportunidades e público para a música clássica.

     

    Leia entrevista completa na edição 190 da revista Continente (out/16)