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Vídeo

Conversa com Anne Mota, protagonista de 'Alice Júnior'

VÍDEO LUCIANA VERAS, VITOR BÚRIGO E HUGO CAMPOS
TEXTO LUCIANA VERAS, DE BRASÍLIA*

29 de Novembro de 2019



Um dos filmes mais aplaudidos durante essa semana de competição no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi Alice Júnior (Brasil, 2019), de Gil Baroni. Como descrevê-lo? O próprio diretor considera seu primeiro longa-metragem como “um vlogão”, um filme com cara de vlog, ou seja, videolog, a transposição para a ágil, sedutora e imediata linguagem do vídeo dos blogs aos quais a geração crescida durante os anos 1980 recorria para criar suas narrativas. De fato, ao longo de quase 1h30, poucas cenas aparecem na tela sem uma intervenção gráfica, dando a impressão de ora estamos dentro de um Stories do Instagram, ora dentro de um canal do YouTube.

Mas era essa a proposta mesmo e Alice Júnior é, além de uma obra audiovisual concebida e produzida com essa linguagem da contemporaneidade, um filme sobre o rito de passagem clássico do primeiro beijo – só que, dessa vez, protagonizado por uma jovem trans. A personagem título, interpretada pela jovem recifense Anne Mota, é justamente uma adolescente trans que se muda com o pai (Emmanuel Rousset) da capital pernambucana para uma pequena e conservadora cidade do interior do Paraná.

Com linguagem pop e acessível (tanto que havia crianças na sessão em Brasília), Alice Júnior fala sobre adolescência, respeito, aceitação e transfobia de um modo a atingir uma camada da população – os jovens – que talvez não se dê conta de que o Brasil é um dos países que mais mata transexuais e travestis. É, inclusive, despudorado violento em alguns momentos, como o cotidiano de muitas pessoas. “A transfobia é uma triste realidade no nosso país. Falar do primeiro beijo pela perspectiva de uma jovem trans é nossa forma de contribuir para esse debate ”, comentou o roteirista Luiz Bertazzo.

De Brasília, conversamos com a atriz Anne Mota e com o diretor Gil Baroni especialmente para a cobertura da Continente. Com distribuição da Olhar, o filme tem previsão de lançamento comercial ainda em junho de 2020.

LUCIANA VERAS é repórter especial da Continente e crítica de cinema.

*A jornalista viajou a convite do festival.

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