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Leitura performática de "Os involuntários da pátria" com o ator Cacá Carvalho. Praça da Sé. Foto: Guto Muniz/DivulgaçãoLeitura performática de "Os involuntários da pátria" com o ator Cacá Carvalho. Praça da Sé. Foto: Guto Muniz/Divulgação

A MITsp chegou ao fim na última terça (21/3), deixando certamente muitos ansiosos para a próxima edição, programada para o período de 1 a 11 de março de 2018. Enquanto ela não chega, vale a pena refletirmos um pouco sobre esta quarta edição.

É impossível fugirmos do caráter político que desenhou o tom da mostra e, nesse sentido, a pertinência do evento – e toda sua proposição de olhar – o referencia como um dos principais do país. As casas de espetáculos com ingressos esgotados e a grande aderência às atividades paralelas também demonstram isto.

DESTAQUES
Os destaques da MITsp ficaram a cargo da trilogia dirigida pelo artista libanês Rabih Mroué, com os solos Tão pouco tempo (So little time), Revolução em pixels (Pixelated revolution) e Cavalgando nuvens (Riding on a cloud). Nas três obras, ele reconstrói seu olhar sobre as noções territoriais geográficas e pessoais da região onde vive.  

Dentro das polêmicas em torno do protagonismo negro nesta edição, como a abordagem do tema vindo de atores (brancos) em Branco: o cheiro do lírio e do formol, coube a Ntando Cele, com o seu solo Black off, o papel de verticalização da temática, com o seu “white face”. Nele, a performer sul-africana desconstrói, com radicalidade, os paradigmas impostos pelos métodos de composição eurocêntricos e nos oferta uma obra dura, contundente, que parece tirar o nosso chão.

Entre os nacionais, Lia Rodrigues, com Para que o céu não caia, apresentado no Sesc Belenzinho, nos mostrou um sensível e delicado trabalho inspirado nos livros Há mundo por vir?, de Deborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro, e A queda do céu, do xamã Davi Kopenawa. Como a sabedoria indígena afirma, uma vez rompida a harmonia na Terra, o céu cairá sobre nós. A coreografa, por sua vez, nos dá uma alternativa para que isso não aconteça: a dança.

EUROPEUS

Os espetáculos europeus foram, aparentemente, os menos acolhidos pelas pessoas que acompanharam o evento. De maior porte, carregavam consigo grandes cenários e composições cênicas, sem trazerem, em si, a mesma urgência dos discursos abordados nos demais. O público parece ter dado seu recado: não há  mais tempo para apreciações formais, neutras e que não irrompam em nossa realidade.

ESPAÇOS DE PROTESTO
A abertura realizada no Theatro Municipal de São Paulo, no dia 14/3, parecia ser uma pequena amostra do que viria a acontecer durante todo o evento. Desde o anúncio de sua programação, era evidente a busca dos organizadores em “sacudir” estruturas, propondo olhares não hegemônicos e ativando espaços onde a possibilidade de erupção de vozes fosse possibilitada.

Foi assim com as performances em espaços públicos, intituladas Manifestos pandemia. Nelas, textos como Quando as ruas queimam: manifesto pela emergência, de Vladimir Safatle, Uma biopolítica menor, de Giorgio Agamben, e Os involuntários da pátria, de Eduardo Viveiros de Castro, foram lidos por 11 atores espalhados em diferentes pontos da cidade, trazendo as ruas e o público transeunte para a discussão.

Outro acontecimento de grande potência foi a Ação performática dos estudantes secundaristas, realizada ao final de diferentes espetáculos, tendo como mote as experiências das ocupações de escolas públicas no Brasil, sendo fruto de um intercâmbio proposto entre esses jovens e a performer Martha Kiss Perrone.

 

ESPAÇOS DE FORMAÇÃO

Assim como nos anos anteriores, o espaço dedicado à formação e reflexão vem sendo mantido com uma excelente presença de público. Os encontros realizados ao longo de todo o dia possibilitam tanto o aprofundamento dos métodos de composições das obras –  através do Pensamento em processo e do Diálogos transversais – quanto a ampliação do olhar para as questões suscitadas na mostra, por meio de Reflexões estético-politicas.


Um dos pontos que merece cuidado na próxima edição diz respeito à grande quantidade de ações, que acabam por chocar os horários, impossibilitando aos mais aficionados o acompanhamento de todos os acontecimentos. Havia sempre a sensação de que era preciso correr para não perder nada e, no campo da reflexão, o tempo dedicado à digestão dos assuntos torna-se primordial.

Leia nossa cobertura AQUI.

 

"Mateluna", da Fundación Teatro a Mil. Foto: Felipe Fredes/Divulgação"Mateluna", da Fundación Teatro a Mil. Foto: Felipe Fredes/Divulgação


Isto não é uma crítica, é um relato pes
soal. 
Eu gostaria de começar este texto de outra forma. Gostaria de falar apenas sobre Mateluna, mas toscas situações invadem nosso cotidiano. Os últimos dias não estão sendo fácil, talvez os últimos anos.

Era domingo, 19 de março. E aquele tio que um dia você imaginou ter sido o único que poderia construir uma consciência política manda um WhatsApp para o grupo da família. Algo dito pelo General Figueredo, apontando que em 1964, ano do golpe militar, nascia, sim, a democracia em nosso país. Nós, povo, é que não entendíamos.

Respondo rapidamente. Saio do grupo, já não tenho paciência para isso. Vou ao teatro. Vou ao encontro de Guillermo Calderón, diretor teatral chileno que, nos últimos anos, tem se dedicado a repensar o passado político de seu país. Repensar de maneira clara, objetiva e sob um ponto de vista bastante explícito: o da esquerda, o que se alinhou frente à ditadura militar de Pinochet.

Apesar dos pesares, estava feliz. Fazia sete anos que havia assistido ao trabalho deste autor. Seu título era Neva, obra que o lançou ao mundo. De lá pra cá, seguiram outras tantas, que acompanhei apenas através de publicações.

Mateluna, apresentada nesta edição da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo MITsp, remonta à história pessoal de Jorge Mateluna, guerrilheiro político que contribuiu com Calderón e seus atores na criação de uma obra anterior a esta, intitulada Escuela. Meses depois, Mateluna foi preso, acusado de integrar uma quadrilha de ex-guerrilheiros políticos que tinham assaltado um banco em seu país.

A peça começa. O texto te faz navegar por realidade e ficção, dentro de um inteligente jogo onde os atores dizem ter feito diferentes espetáculos na tentativa de lidar com este “trauma”. Obra precisa, disparadora de inúmeras questões.

"Mateluna" repensa passado político chileno. Foto: Felipe Fredes/Divulgação"Mateluna" repensa passado político chileno. Foto: Felipe Fredes/Divulgação

E eles lá pensando em como se posicionar eticamente diante de Mateluna; e eu aqui, em minha cadeira, tentando ainda encontrar um lugar afetivo para meu tio...

Penso... Foi ele que me levou ao primeiro concerto. Foi ele que me emprestou sua coleção de música clássica publicada pela Revista Caras... Ele é o único, dentre os oito que tenho, que se esforça em acompanhar as atividades artísticas da cidade onde vive.... O que deu errado, meu deus?

Pausa. Enquanto Guillermo tece considerações sobre a importância do engajamento político e o enfrentamento de ditaduras, agora, eu que já não estou no grupo da família, recebo novo inbox com o título: Verdades sobre a ditadura militar que o seu professor não contaAlgo que dizia não ter havido corrupção no Brasil durante este período e que todos os militantes presos, torturados e desaparecidos eram no fundo baderneiros. Que inferno! Ele está surtado? Tio, você realmente me conhece?

Resposta curta. Enviei o endereço da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco. Disse que lá talvez tivesse material suficiente para ele repensar o seu país. Novo bloqueio de WhatsApp.

Neste momento, você que está lendo deve estar pensando que besteira toda esta escrita. Relatos como este podem ser encontrados em páginas do Facebook de qualquer dito “militante. Não sei.

Quando a peça acaba, percebo que, em vez de nutrir ódio pelo meu tio, queria, na verdade, tê-lo por perto, ao meu lado, para ver e ouvir as palavras de Calderón.

Este texto talvez seja um pedido de desculpas. Desculpas por este mundo onde falsas-verdades viram verdades-verdades, basta sabermos manipular bem os dados. Não é isso, Calderón?

Hoje, 21 de março, é a última sessão de Mateluna na MITsp. O festival chega ao fim. Quem dera ter condições de te trazer até aqui, tio. Você estaria aberto para mim, para Calderón?

"Revolução em pixels" foi apresentada pelo diretor no Sesc Vila Mariana. Foto: Guto Muniz/Divulgação"Revolução em pixels" foi apresentada pelo diretor no Sesc Vila Mariana. Foto: Guto Muniz/Divulgação


Quando a
MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo anunciou sua grade de programação este ano, certamente despertou curiosidade em grande parte do público sobre a presença de um artista libanês. Não com relação à sua nacionalidade, mas por se configurar algo inédito no evento a possibilidade de acompanhar parte do repertório de um mesmo criador.

Pouco conhecido em nosso país, o multiartista Rabih Mroué foi merecedor de uma mostra dentro da própria mostra e nos ofertou – com legendas em português – os espetáculos Tão pouco tempo (So little time), Revolução em pixels (Pixelated revolution) e Cavalgando nuvens (Riding on a cloud), que arrisco apontar como grandes trunfos da MITsp.

REFLEXÃO
Ao refletir sobre a noção de territorialidade, o geógrafo brasileiro Rogerio Haesbaert destaca, em seu livro O mito da desterritorialização, dois sentidos largamente difundidos (inclusive academicamente), que são tributários do latim: o primeiro, referido à terra, toma o território como materialidade; e o segundo relaciona os sentimentos que o território provoca, ou seja, o “(...) medo para quem dele é excluído, de satisfação para aqueles que dele usufruem ou com o qual se identificam”.

Estas duas noções dialogam profundamente com os espetáculos de Rabih, formatados através de “palestras não acadêmicas”. Nas três obras apresentadas, vemos sobre o palco apenas um ator ou uma atriz, com composição simplificada no que diz respeito à utilização de artifícios cênicos, investindo imensamente na construção do discurso proferido.

"Tão pouco tempo" abriu a trilogia com ironias sobre o território. Foto: Guto Muniz/Divulgação"Tão pouco tempo" abriu a trilogia com ironias sobre o território. Foto: Guto Muniz/Divulgação

Em Tão pouco tempo, por exemplo, a atriz Lina Majdalanie, esposa de Rabih, conta a história de Deeb Al Asmar, um mártir islâmico ficcional, evidenciando o caráter fetichista/humano. Dentre as três obras, sem dúvida, esta é a que mais carrega ironia no olhar sobre seu território, principalmente quando nos deparamos com a questão: o que fazemos quando descobrimos que nosso objeto de fetiche cai por água abaixo? Até onde reconfiguramos nossa fascinação por algo dito “maior?

E não conseguimos deixar de pensar sobre Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Eduardo Campos...

REVOLUÇÃO
Revolução em pixels, executada pelo próprio diretor, se apresenta como um tratado sobre o uso da imagem em zonas de conflitos. Se o pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, Rabih recorre a vídeos publicados por ativistas sírios em redes sociais, em busca de compreender o horror que vive o país, investigando ponto a ponto.

Tenciona, portanto, o exercício do olhar mediado por dispositivos de registros (em sua maioria celulares), intermediando a relação entre perseguidos e perseguidores. Dedica-se a ler como os sírios andam construindo suas narrativas sobre os conflitos vivenciados, fugindo dos registros “oficiais” e multidimensionando a ideia de território. Traça assim, um recorte sobre possíveis formas de leitura, sem pretensões de assumir para si o lugar de denunciante de tal barbárie, mas o de compor um pensamento em torno da construção da mesma.

Na peça-palestra "Revolução em pixels", o próprio diretor lança um olhar sobre as imagens do conflito. Foto: Guto Muniz/DivulgaçãoNa peça-palestra "Revolução em pixels", o próprio diretor lança um olhar sobre as imagens do conflito. Foto: Guto Muniz/Divulgação


Abra seu
WhatsApp. Neste momento, em algum grupo, haverá um pequeno vídeo sobre uma barbárie brasileira...

RELAÇÕES
Em Cavalgando nuvens, é a vez de Yasser Mroué, irmão de Rabih, nos ofertar um novo traçado sobre sua região. Sendo a mais poética das três obras, remonta à trajetória deste indivíduo atingido na cabeça por um atirador, aos 17 anos, e que encontrou na arte a possibilidade de lidar com as sequelas do atentado.

Se a manipulação da imagem serve como base de construção para os dois trabalhos anteriores, neste, a incapacidade de lidar com ela, de processar a linguagem (marca deixadas pelo tiro), é que é posta em cena. Vemos, então, muito mais do que uma biografia, mas a definição do quanto as relações de espaço-poder também servem para pensar a territorialidade humana.

Yasser Mroué relata sua experiência em "Cavalgando nuvens". Foto: Guto Muniz/DivulgaçãoYasser Mroué relata sua experiência em "Cavalgando nuvens". Foto: Guto Muniz/Divulgação

A história de Yasser é apenas mais uma entre tantas outras em seu país. Algo comum no Líbano. Neste exato momento, recebo uma ligação com a informação de que meu primo foi alvo de um assalto, entre tantos outros que ocorrem no Brasil, dentro de um ônibus. Que na ausência de um celular para ser entregue, os ladrões atiraram em sua cabeça. Por sorte, a bala que atingiria o mesmo lugar de Yasser, ricocheteou.

Líbano? Brasil? Rabih Mroué certamente me mostra que a ideia de território expandido não conseguirá sair de minha cabeça por um longo tempo.

"A missão em fragmentos" adquire para si o tom de grito de protesto. Foto: Nereu Jr./Divulgação"A missão em fragmentos" adquire para si o tom de grito de protesto. Foto: Nereu Jr./Divulgação

Uma das marcas desta quarta edição da MITsp está nos trabalhos que evidenciam o protagonismo negro e a discussão em torno do racismo. Sob diferentes abordagens, o público da mostra teve a oportunidade de acompanhá-los: foram duas estreias brasileiras na última sexta (17/3), além de uma obra internacional.

A primeira, intitulada Branco: o cheiro do lírio e do formol, possui direção de Janaina Leite e Alexandre Dal Farra, que também assina a dramaturgia da obra. Branco não é um espetáculo fácil de ser processado pela plateia. A partir de uma dramaturgia extremamente fragmentada, o autor evidencia seu próprio impasse, sendo branco, ao ter que lidar com o tema do racismo em nosso país. Uma obra dentro de outra obra. Camadas dramatúrgicas são adicionadas, desde as primeiras versões do texto a trechos de ensaios de outras possíveis versões. Como ponto proeminente, a urgência e violência das palavras, que são marcas do autor.

Dal Farra expõe o impasse de como artistas brancos podem falar sobre racismo. Foto: Guto Muniz/DivulgaçãoDal Farra expõe o impasse de como artistas brancos podem falar sobre racismo. Foto: Guto Muniz/Divulgação


Na segunda estreia, A missão em fragmentos: 12 cenas de descolonização em legítima defesa
, o diretor Eugênio Lima e 15 performers negros retomam o texto do alemão Heiner Müller (A missão: lembrança de uma revolução), aproximando sua proposta à escrita em 1979. Vale lembrar que este grupo/espetáculo surge da performance intitulada Em legítima defesa, realizada na edição passada em diferentes espaços da mesma mostra. Tal qual a performance do ano passado, o espetáculo adquire para si o tom de grito de protesto, pautado por um discurso emergencial e perpassado, inclusive, a ocupação destes espaços simbólicos por performers negros. Entretanto, com mais de três horas de duração, a obra peca pelo excesso, não em relação à quantidade de temas e questões, mas à extensão demasiada de cada bloco de cena.

Para Müller, a voz da revolução que ainda pode sacudir o mundo ocidentalizado surgirá da  Ásia, a África ou América Latina. Se os brasileiros compuseram parte desta voz, nesta MITsp, coube à artista sul-africana Ntando Cele, com Black off, o papel de mais tranquila resolução desta tríade, comungando com as questões raciais impostas pela “branquitude” de Dal Farra e, ao mesmo tempo, performando sobre questões emergenciais do ser negro de A missão. O espetáculo, dividido em dois blocos, traz, em seu primeiro momento, um humor desestruturador de plateias, com requintes de acidez. Somos postos diante de Bianca White, alter ego de Cele, que tentar tirar o negro de sua “escuridão interior”. Mesmo que o segundo momento perca um pouco de intensidade, configurando-se basicamente na execução de músicas e vídeos, Ntando, acompanhada de mais três músicos, demarca seu lugar de fala como mulher, negra, artista.

Ntando Cele em "Black off". Fotos: Janosch Abel/DivulgaçãoNtando Cele em "Black off". Fotos: Janosch Abel/Divulgação

O espaço de impasse posto no espetáculo de Alexandre Dal Farra, a partir da questão de como artistas brancos podem falar sobre racismo, é apropriado por Cele, que parece nos dizer: “Eu, negra, estou habilitada para isto”. Sua Bianca White utiliza-se justamente de toda esta base de preconceito enraizada em nossa sociedade para dar-nos rasteiras, seja quando diz que negros são incapazes de compreender “arte complicada” ou quando oferece Prosecco para que os mesmos possam experenciar algo nunca provado na vida. Simbólico também poder ver esta obra sendo encenada no palco do Itaú Cultural, local onde, tempos atrás, foi estabelecido um importante debate em torno da utilização do black face a partir do espetáculo A mulher do trem, do grupo Os Fofos em Cena.

Nesses três trabalhos apresentados na mostra, evidencia-se a necessidade de discussão sobre o universo posto. Ao fim das três obras, saímos com a certeza de que a arte antevê as crises interpostas por diferentes sociedades, cabendo a esta o papel de refletir, jogar lupas e talvez apontar caminhos sobre discursos ainda não ditos.

A MITsp prosseguirá com estas reflexões nesta segunda e terça (20 e 21/3), a partir da realização do seminário Discursos sobre o não dito: racismo e a descolonização do pensamento, envolvendo importantes pensadores da contemporaneidade no próprio Itaú.Cultural.

capa 196
CONTINENTE #196  |  Abril 2017

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